O que esperar dos outros?

Nada! Poderia encerrar o texto aqui…Mas o nada pode significar tudo para algumas pessoas. Afinal de contas, esperar é ter paciência, e isso é uma virtude…ou não?

O ditado diz que “quem espera sempre alcança”. Alcança o que? Se esperamos por alguém ou que os outros tomem atitudes, poderemos aguardar a vida toda, pois como dizia Epicteto “existe apenas um único caminho para a liberdade – desprezar aquilo que não está sob o seu poder”. Então, esperar pelos outros não nos torna virtuosos, mas apenas escravos.

Em tempos de pandemia a regra é: “Use a máscara”! Mas muitos não a usam. Tiram-na da consciência e a colocam no queixo. É como aquele estudante que carrega alguns livros quando viaja – leva na bagagem para não levá-los na consciência. Contudo, não estou aqui para falar dos que quebram regras, e sim dos que a seguem, porque esperar pelo bom senso dos outros é sonho irrealizável.

Nessa perspectiva, não espero que ninguém faça nada de bom por mim, porque a frustração pode ser um efeito colateral muito grave, pior até mesmo que a expectativa do esperar. Sendo assim, não espero que o governo faça algo por mim, que o meu chefe me elogie, que os meus colegas de trabalho gostem de mim, que minha esposa me diga todos os dias que me ama. Não espero nada, porque assim não corro o risco de sofrer esperando…

Quem espera quase nunca alcança, mas quem age pode ser que consiga. No livro A felicidade, desesperadamente, André Comte-Sponville reforça esse pensamento quando diz que “não é a esperança que faz os heróis: é a coragem e a vontade”. Vontade de fazer a sua parte, o que lhe cabe fazer. Coragem para agir, mudar, realizar, sem esperar pela opinião ou ação dos outros. Ou o ensinamento de Sêneca: “Quando você desaprender de esperar, eu o ensinarei a querer”.

Lembram da história do beija-flor que tentava apagar o incêndio na floresta? Pois é…Se cada um fizer um pouco, sem esperar pelo outro, talvez o ambiente no qual compartilhamos esse negócio chamado vida, melhore. É uma alternativa.

E você, está fazendo a sua parte? Ou continua esperando pelos outros?

Vamos desatar os nós?

É comum darmos um nó bem forte no cadarço do tênis para que ele não saia do pé. É preciso que ele (tanto o nó quanto o tênis) esteja bem firme, justo, para que o caminhar seja seguro. Ao chegarmos da caminhada, desfazemos os nós, para que os tênis sejam retirados dos pés, e que estes possam ficar livres. Uma confortável sensação de liberdade…

Na vida temos o costume de dar muitos nós. E muitos deles são tão apertados, que fica quase impossível desatá-los. Eu disse “quase”! Porque com algum esforço e empenho conseguimos desamarrar os cadarços que nos impedem de caminhar, nos prendendo a um passado longínquo, que nos imobiliza, ou a um futuro que nem sabemos se existirá.

Algumas pessoas são como nós em nossas vidas. São amarras tão fortes que nos obstaculizam, nos dificultam o crescimento, o desenvolvimento, o pensar grande, o pavimentar novos caminhos. O problema é que alguns enxergam os nós como segurança, afinal de contas são eles que nos dão a confiança (ou a sensação dela) de que nada de mau nos acontecerá. Mas essa confiança nos imobiliza, e em vez de dar um passo pra frente, prendemos os pés no chão e nos vimos acuados, tendo que voltar.

A sensação de que estamos seguros nos tornam cômodos, satisfeitos e ao sairmos de nossas cavernas vemos muita luz, talvez tanta que nem possamos enxergar todos os caminhos, mas eles estão todos lá. Nos amarramos com tal força a alguém ou a uma ideia, que passamos a ignorar o óbvio, e continuamos a viver de forma alienada.

Precisamos desatar os nós que nos prendem ao comodismo, à vida medíocre e principalmente àquelas pessoas que não sonham, não vivem, que estão ancoradas no mesmo porto, como um velho navio, esperando o fim chegar. É inevitável desamarrar os nós que prendem os nossos pés, que nos impedem de pisar a areia fina e sentir o frescor de um novo caminhar, de um novo viver.

E então? Vamos desatar os nós?

Quem desdenha quer comprar?

Os mais velhos dizem que “quem desdenha quer comprar”. Será mesmo verdade?

Tentar desvalorizar o produto ou o serviço prestado por alguém, ou o que chamamos de barganhar, é prática comum nos negócios. Isso acontece em muitas áreas de nossa vida. Seja quando você vai contratar um pedreiro para realizar serviços de alvenaria, quando vai ao mercado comprar frutas e verduras, e até mesmo na hora de adquirir um carro ou uma casa. Não importa o valor do bem, sempre vamos pechinchar.

O problema maior é quando fazemos isso inconscientemente, mesmo não estando numa loja ou no mercado. Dois exemplos são muito comuns. O primeiro trata daquelas pessoas que gostam de rotular pessoas e ocupações. Há mulheres que costumam dizer: “Homem é tudo igual”! Mas será mesmo? Penso que para ter essa certeza seria preciso conhecer todos, sem exceção. O desejo de quem promove esse discurso não é disseminar o ódio contra os homens, e sim o de conhecer alguém interessante, que dê e receba amor, de compartilhar com o outro bons sentimentos. Ela está desdenhando, mas no fundo quer comprar. Pode ser que “o produto” que ela queira esteja em falta na prateleira, ou não se encontra onde ela está procurando, mas que ele existe isso não resta dúvidas.

O segundo exemplo parece ser também bastante comum no dia a dia. Já ouviram dizer que funcionário público é preguiçoso? Que ganha bem e não gosta de trabalhar? Pois é, geralmente quando isso acontece, fico me perguntando se a pessoa que profere esse tipo de discurso não é frustrado por não ter sido aprovado num concurso público ou se nunca candidatou a uma vaga por não se achar competente ou habilitado o suficiente para ter êxito nas provas. Do mesmo modo, são aqueles que criticam todo e qualquer empresário, afirmando que empresas exploram o trabalho dos outros. Será que esses críticos não gostariam também de ser empresários? Mas será que possuem qualidades empreendedoras, tais como coragem para correr riscos, persistência, habilidade com vendas, inteligência emocional, dentre outras? Talvez não…

Ao ir às compras, precisamos ter o espírito preparado para voltarmos de mãos vazias para casa. Nem sempre vamos ter dinheiro suficiente. Outras vezes o produto pode ser diferente do que julgávamos. E ainda, ao depreciarmos um determinado produto, pode ser que outro o compre enquanto pensamos na melhor escolha. Pior que não encontrar o produto, é tê-lo em suas mãos e perdê-lo para o concorrente.

Talvez o que mais importa é não desvalorizarmos o produto ou quem o vende, porque quando o fazemos, cometemos o erro de generalizarmos tudo, correndo o sério risco de colocar, injustamente, todos no mesmo barco. Por fim, não poderia terminar este texto sem indicar a famosa fábula de Esopo, A raposa e as uvas. Quem a ler vai compreender…

Onde está o bandido?

Geralmente nas novelas identificamos de imediato o bandido ou o vilão. Desde o início da trama, o bandido aparece fazendo suas maldades, disseminando o ódio e a violência, e acabamos por sentir muita raiva dele, até o momento em que ele é desmascarado e punido de forma severa. O que acontece só nos últimos capítulos.

Nos filmes é o mesmo roteiro. O que muitas vezes muda, é que nos filmes mostra-se o outro lado do bandido, a sua história. Ele não nasceu bandido, mas tornou-se um pelo ambiente em que vivia, como no pensamento de Rosseau, “o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Todavia, o bandido permanece mau até o fim do filme, e geralmente morre de forma trágica, para pagar seus pecados.

Na vida real o bandido nem sempre aparece com uma fantasia do mal. Ele não é facilmente identificável, assim como ocorre nos filmes e novelas. O bandido não tem cor, raça, credo ou mora em lugares bem específicos, como alguns possam acreditar. O seu habitat não é a favela, não é o bairro pobre, não é a periferia, e sim o mundo. Ele não tem um número, ele não nasceu assim, como se fosse um ser de outro planeta.

 De terno e gravata, bem vestido, elegante ou mesmo em trajes menos requintados, o bandido destila seu ódio e a violência por onde passa ou convive. Não importam a vestimenta e o modo de expressar. Ele é um ser humano comum, como eu e você que me lê; escolhe lugares para agir e pessoas para atrair, sempre de modo vil e desprezível. Sai cometendo atos de violência, de modo especial contra aqueles que julga indefesos, ratificando a sua inescrupulosidade e o mau-caratismo.

Mas onde está o bandido?

A resposta mais simplória seria “em todos os lugares”, mas boa parte deles está neste momento dentro de casa, abusando, violentando, espancando e maltratando esposas, filhos e idosos. É o que comumente se dá o nome de “violência doméstica”, que mesmo com algum destaque nas mídias, cresce a cada dia, mas que muitos ainda fingem não existir.

Nos filmes e novelas há sempre um final feliz, que é quando o bandido morre. Na vida real nem sempre vai existir um fim para o bandido, mas há sempre um começo…

Comece denunciando!

Vamos brindar a tristeza?

O dia amanheceu nublado. Nem mesmo um único raio de sol entrou pela janela do seu quarto. O sono foi pouco e enquanto durou, coisas estranhas surgiram em sua mente. Teria sido um pesadelo? Ou estava acordada?

Nada importa, pois o seu mau humor mostra um certo mal estar. Você não quer ver ninguém. Vontade de desaparecer. Mas não sair pela porta da frente, porque vai ter que cumprimentar a todos. Simplesmente sumir!

O café parece mais amargo. O leite muito frio. O pão está duro, velho, nem a manteiga quer deitar sobre ele. As pessoas conversam ao seu redor. Você não presta atenção. Parece que todo mundo conversa ao mesmo tempo. Você sente náuseas. O que as pessoas falam parece não ter sentido. A vida tem sentido?

Volta para o quarto. Ele está escuro. Melhor assim, porque você quer a escuridão. Chega de luz! Você não quer aparecer. Apaga algumas fotos da sua rede social preferida. Aquelas fotos não têm a nada a ver contigo. Você não é assim; alegre, prestativa, boa gente, amável, que gosta de abraçar as pessoas. Mas quem é você afinal?

Levanta da cama, vai pra frente do espelho, não gosta do que vê. Volta a deitar. Pensa na vida. Que vida? O que você quer dela? As respostas não vêm. Você abraça o travesseiro, fica em posição fetal, como se quisesse voltar ao mundo. Mas não pode, pois está presa. A que? Você não tem as respostas.

Sua garganta está seca e parece que nela há um nó que te impede de respirar. Você sente seu rosto molhado. Descem as primeiras lágrimas. Mas por que você chora? Não há respostas. Nada aconteceu, tudo está normal. Você adormece. Sonha. A paisagem é muito bonita. Você se emociona. Não quer acordar, mas acorda. Levanta, olhas as horas no relógio, abre a cortina, o sol começa a querer sair. E você também…

O celular já está na sua mão, e as fotos de volta à rede social. Com os dois polegares você inicia uma conversa com alguém. Resolve tomar um banho e depois colocar a roupa que mais gosta. O sorriso está de volta ao seu rosto. Você conversa com as pessoas antes de sair de casa. Pergunta como estão. Agradece por tudo. Abre a geladeira, enche o copo com água e o levanta. Propõe um brinde a todos. Mas o que vamos brindar?

À tristeza! Porque sem ela não conheceríamos a felicidade…

Estamos sempre achando?

Nossas vidas parecem mais um mar de pensamentos. A todo instante uma ideia, uma vontade ou um desejo surgem na cabeça, mas não expressamos, talvez com receio do que o outro vai pensar ou como ele irá reagir. E então passamos a julgar, como se estivéssemos dentro do outro e pudéssemos ler os seus pensamentos. Nunca temos certeza, mas estamos sempre achando algo. Vejamos a história…

Saí de casa achando que ia comprar um forno micro-ondas.  Entrei na loja e percebi que o vendedor me olhava de longe. Acho que ele estava pensando que eu só estava ali para observar, pois compraria o produto pela internet. Me senti ofendido e decidi ir embora, mas antes olhei o preço do objeto.

O vendedor, por sua vez, decidiu me atender. Na cabeça dele veio o pensamento: “Vou ver o que está querendo, mas acho que ele não tem dinheiro para comprar um micro-ondas”. Achando que eu era muito mais velho, ele me chamou de “Senhor” e perguntou se podia me ajudar. Eu pensei: “Acho que não preciso de ajuda para ver um micro-ondas”. Mas não respondi. Balancei a cabeça negativamente. Acho que ele não gostou muito da minha resposta. Fechou a cara e voltou para o seu posto.

Achei o preço muito caro, além do atendimento muito ruim. Resolvi ir embora, mas lembrei-me que ainda tinha uma dúvida: em quantas vezes a loja dividia no cartão? Chamei então o atendente. Acho que ele fingiu não ter me visto, pois virou o rosto para o lado oposto de onde saiu a minha voz.

Se ele estava achando que eu ia sair vencido dessa batalha, enganava-se. Fui até ele, toquei o seu braço com o dedo indicador e fiz minha pergunta. Acho que ele não gostou muito, porque ficou olhando para o braço como se quisesse dizer: “Quem ele pensa que é para me tocar”?

O vendedor saiu do seu posto e encaminhou-se para onde estava o micro-ondas. Acho que ele estava com pressa ou então impaciente. Me falou o preço à vista. Acho que ele não entendeu a minha pergunta. Antes de eu abrir a boca, porém, ele me disse que dividiam em dez vezes sem juros. Agradeci pela informação e saí da loja.

Pensei comigo: “que sujeito estranho. Acho que ele não foi com a minha cara”. No trajeto de volta pra casa tomei a decisão. Acho que vou comprar o micro-ondas pela internet. Pelo menos lá não tem vendedor achando que a gente é pobre ou velho.

O vendedor voltou para o seu posto de trabalho, esperando que outros consumidores adentrassem a loja. Enquanto os transeuntes passavam, ele pensou: “acho que preciso mudar de emprego”.

Como estamos evoluindo?

A ideia de que estamos sempre em evolução nos anima, pois é combustível para a mudança. Mas nós temos a dimensão dessa evolução? Conseguimos perceber claramente que evoluímos?

Se regressarmos à nossa infância, descobriremos que evoluímos sim; para tanto basta olharmos no espelho e veremos que fisicamente houve uma evolução. Da mesma forma, se olharmos para dentro de nós, enxergaremos um outro ser humano, que certamente não é mais o mesmo, com diversas transformações, com outros defeitos, mas também com virtudes.

Não podemos acreditar que evoluir é sempre bom. Não esqueçamos que doenças também evoluem. Mas a nossa evolução tem que passar por duas palavras essenciais na vida: mudança e adaptação.

A mudança é necessária para que possamos quebrar paradigmas ou crenças que nós mesmos criamos em nossas mentes. “Não tenho jeito pra isso” ou “Jamais pensarei assim” são frases que demonstram os limites que criamos a nós mesmos. Alguém disse que mudar é sempre bom, mas desde que seja com os outros. É por isso que é tão fácil distribuir conselhos aos que nos estão próximos, porque a mudança não será em nós, consequentemente não seremos nós a sofrermos.

A adaptação é a resiliência de que tantos falam hoje. É ir acostumando à mudança, ao novo lugar, a um novo pensamento. A mudança muitas vezes é brusca, e é aí que vamos precisar ser resilientes. Paciência rima com resiliência, que rima com persistência. É preciso ter calma, tranquilidade e muita paz para se adaptar às mudanças, pois assim o sofrimento poderá ser minorado.

No entanto, mais importante que efetivamente mudar ou adaptar-se à mudança, é reconhecer a necessidade de mudança, de evolução. É estar num quarto escuro, mas saber que bem próximo há um interruptor. É descobrir que após cada noite, o dia vai nascer.

Temos uma imensa dificuldade em enxergar a nossa evolução, talvez porque estejamos mais preocupados em lembrar ou reforçar o que de negativo nos aconteceu. Ficamos parados no tempo esperando que as mudanças ocorram, que o mundo evolua, quando nós é quem deveríamos propor a evolução. 

Por onde começar a mudança para evoluirmos? Uma boa dica é lendo. Outra é viajando, pois como já dizia José Saramago: “É necessário sair da ilha para ver a ilha”.

Onde está Deus?

Estamos sempre à procura de Deus. Mas onde ele está?

Para os religiosos, Deus está na igreja. Para quem está em desespero, Deus está longe. Para os que amam, Deus está no coração de cada um. Para os infelizes, Deus simplesmente desapareceu…

As pessoas clamam por Deus, especialmente quando ele parece não estar. Mas quando isso acontece? No momento em que estamos precisando de alimento – físico ou espiritual. Acreditamos que ele estava ausente nas principais tragédias mundiais, bem como nas individuais, e que somente cada um de nós conhece. Mas por que pensamos assim?

Talvez a resposta esteja em cada um de nós, que busca um culpado para todo e qualquer problema. Ou quem sabe quando confundimos estar com agir. Estamos na sala de aula. Estamos no trabalho. Estamos em casa com a família. Estamos na rua. Mas nem sempre quando estamos presentes, estamos fazendo algo pelo outro. Quantas vezes estivemos no trabalho e não ajudamos um colega? Quantas vezes estivemos em família, mas não nos importamos com ela? Quantas vezes presenciamos um ato de injustiça e nada fizemos? Quantas vezes vimos o erro e não o corrigimos?

Deus vai estar conosco sempre, mas nem sempre vai poder agir. Não por maldade ou descaso, mas porque precisamos lembrar dele, ainda que seja na tristeza, já que nos bons momentos quase nunca lembramos. É como procurarmos um médico quando não há mais cura para a doença.

Nesse sentido, não precisamos estar em sofrimento para abrir os braços a Deus. Não necessitamos estar na igreja para encontrá-lo, porque a igreja é cada um de nós. Não devo rezar, suplicar ou gritar, porque Deus sabe o que peço de boca fechada. Por isso, penso que Deus prefere o silêncio ao barulho.

Mas afinal de contas, onde está Deus?

Pra mim, Deus é tudo! E se ele é tudo, somos parte dele, um só corpo, uma só alma. Sendo assim, somos também responsáveis pelo que acontece no mundo e na vida dos que nos cercam.

Agora ficou fácil responder: Deus está dentro de nós!

De que é feito o mundo?

Não tenho uma resposta para a pergunta, mas diz-se que o mundo continua sendo mundo, e que apesar das mudanças, a sua essência permanece. Mas o mundo não muda, quem muda são as pessoas. Ainda assim, as pessoas são essencialmente as mesmas, ou agem da mesma forma. Será?

Antes mesmo da globalização e da internet, as pessoas se conectavam, mas essa conexão era ao vivo e presencial. Dona Maria colocava uma cadeira perto do muro, subia nela e chamava dona Luci, sua vizinha. O chamamento era na realidade um pedido: um pouco de açúcar para adoçar o café. Na semana seguinte, dona Luci batia na porta da casa de dona Maria, para pedir-lhe um pouco de café, pois o seu acabara inesperadamente. Os pedidos foram prontamente aceitos.

Passados alguns anos, a filha de dona Maria telefonou para a filha de dona Luci, perguntando a ela se não tinha uma sandália de cor preta para emprestar, pois iria a uma festa à noite. Na semana seguinte, a filha de dona Luci pediu à filha de dona Maria uma blusa vermelha emprestada, para combinar com os sapatos novos que ela tinha comprado. Ambos os pedidos foram também atendidos.

Décadas depois, a neta de dona Maria enviou um e-mail para a neta de dona Luci, solicitando a ela a possibilidade de ficar com o seu filho pequeno durante o período da noite, pois surgira um compromisso inadiável naquele dia. Pedido aceito! Na outra semana foi a vez da neta de dona Luci pedir à neta de dona Maria um grande favor: Olhar suas duas filhas das 17 às 19 horas, pois ela teria que participar de uma reunião extraordinária na empresa onde trabalhava.

Ontem, a bisneta de dona Maria postou no Instagram uma foto que havia tirado num evento. Era uma festa muito animada e ela estava rodeada por amigos. A bisneta de dona Luci curtiu a publicação e ainda mandou um direct: “Linda”. Hoje pela manhã, a bisneta de dona Luci postou uma foto na praia, de biquíni e tomando água de côco. A bisneta de dona Maria curtiu a foto e enviou um direct: “Diva! Maravilhosa!”.

Não importa o tempo ou a tecnologia, o mundo continuará sendo feito de trocas!

Qual a melhor forma de viver?

Viver não é fácil, mas é melhor que estar morto. Enquanto vivo posso mudar de caminho, fazer escolhas, tomar decisões. Mas ela (a vida) pode não ser eterna, por isso precisamos vivê-la intensamente antes que o fim bata à nossa porta.

Se nos decidimos a viver e viver bem, necessitamos obrigatoriamente fazer escolhas. Nessa esteira, há algumas possibilidades de vida ou de viver. Para não ser cansativo, vamos apontar aqui duas formas básicas para se viver a vida.

A primeira delas é viver a vida dos outros. Abro mão dos meus sonhos e objetivos, e passo a viver em função de alguém. Há pais que vivem a vida inteira em função dos filhos e esquecem de viver suas próprias vidas. Assim como há filhos que permanecem junto aos pais por muito tempo, mas não por carinho ou atenção, e sim porque são incapazes de viver as suas vidas, perpetuando a dependência aos genitores. Há também esposas que deixam de lado suas vidas para viverem a vida dos maridos, bem como aqueles que se abdicam dos seus sonhos profissionais, para ajudar outros empreendedores a realizarem seus sonhos. Já pensaram nisso?

A segunda forma de viver a vida é se colocando no centro dela. Seus pais já viveram a vida deles, seus amigos, vizinhos e colegas de trabalho também. Por que então não viver a sua? Viver a sua vida é fazer suas próprias escolhas, optar pelo caminho A ou B. E se o caminho escolhido não deu em lugar nenhum, voltar e escolher o outro, ou quem sabe uma nova via. Mais importante que viver a sua vida, é chegar ao fim dela tendo quase a certeza de que não se arrependerá. Impossível saber isso, mas ter paz de espírito para compreender que se buscou o melhor é uma grande possibilidade.

Ainda há tempo! Qual será a sua escolha?