Você prefere ser ponte ou muro?

Certo dia me fizeram essa pergunta, e eu respondi que preferia ser muro. Eu era muito novo e não sabia quase nada da vida. Hoje continuo não sabendo, mas escolhi ser ponte.

Achava que ser muro era bom, afinal de contas o muro é forte, duro, quase sempre intransponível. Descobri com o tempo que ser muro não é bem assim. O muro impede as pessoas de passarem, de conhecer o outro lado, protege quem está dentro, mas discrimina quem está fora.

Muitos de nós já fomos “muros” em alguns momentos da vida. Com o nosso olhar perfeito, enxergamos a vida sempre do mesmo jeito, ou seja, do nosso jeito. Impedimos que os outros cresçam, que sigam seus próprios caminhos. E se alguém coloca um portão no muro, logo encontramos a chave e o fechamos para que ninguém saia e conheça algo novo.

Quem está dentro não pode sair, e quem está fora não pode entrar. A ideia é não relacionar. Pra que conhecer mais pessoas, gente nova, fazer amigos e descobrir um mundo novo lá fora, se aqui dentro, de trás do muro, tenho todos e tudo que preciso?

Diferente do muro, a ponte liga, une, estreita laços, encurta distâncias, permite o encontro, o abraço. Ser ponte é ajudar, é dar a mão ao outro, atravessar o caminho e descobrir coisas novas do outro lado. “Mas do outro lado pode não haver coisas novas”, diz o pessimista. “Mas só vamos descobrir se atravessarmos a ponte”, rebate o otimista.

Pode ser que do outro lado não exista uma nova vida, mas ao sermos ponte talvez encontremos uma nova forma de enxergar a vida, um novo olhar para o mundo, para as pessoas.

Contudo, ser ponte não é fácil. É preciso ter uma estrutura forte, muito mais forte que a do muro. Quando você é ponte, precisa suportar o peso das dores, dos preconceitos, do achismo, de tudo!

Ser muro é mais fácil, sem dúvidas. Porque quando você é muro, o “eu” está no centro de tudo, pois não tem o outro. Na outra margem está a ponte, de difícil travessia, pois traz insegurança e medo, mas é lá que o “nós” faz sentido. Talvez essa seja a grande diferença entre ser líder e ser chefe.

Por que gostamos de rotina?

“Saia da rotina” ou “Muda de vida” são as frases preferidas de alguns palestrantes e escritores que tentam trabalhar a motivação das pessoas. Como se fosse fácil acordar um belo dia e dizer: “Hoje vou mudar de emprego” ou “A partir deste momento serei outra pessoa”. O máximo que você vai conseguir mudar no mesmo dia é o seu visual, pintando ou cortando o cabelo, ou quem sabe se vestindo de modo diferente do habitual.

Não mudamos porque, na maioria das vezes, isso vai nos trazer um grande gasto de energia. Como digo há muito tempo, “mudar dói”, e nós não gostamos de sofrer. Para quem já mudou de casa, por exemplo, sabe o quão ruim é mudar, mesmo sabendo que vai ser para um bairro melhor, um apartamento mais amplo ou mesmo uma cidade maior. Quando você pensa em mudar, de imediato surgem: a pintura da casa antes de entregá-la, o preço do frete para realizar a mudança, o cansaço em desmontar tudo, seus bens danificados durante o trajeto, seu cansaço em montar tudo de novo, adaptar-se ao novo espaço, aos vizinhos etc. etc. etc. A rotina é bem melhor. Por isso, prefiro continuar morando aqui!

Imagine que você trabalhasse em cinco empresas diferentes durante a semana (consultoria, por exemplo). Na segunda-feira seria um caminho para chegar ao trabalho, na terça outro, na quarta você teria que acordar mais cedo, pois a distância é maior, na quinta seria numa cidade vizinha, na sexta você poderia ir a pé. Isso sem falar nas pessoas diferentes em cada empresa, nos problemas, nos horários, enfim, viver todo dia algo diferente não é muito agradável, pelo menos para a maioria.

O que a gente gosta mesmo é de rotina. Dá menos trabalho! O mesmo caminho, o mesmo horário, o mesmo chefe, os mesmos colegas, o mesmo horário para lanchar e para almoçar. Aí se a rua pela qual você passa está interditada, se o pneu do seu carro fura, se o seu chefe foi demitido, você perde o rumo, fica à deriva e muitas vezes de mau humor.

Se você até aqui não se convenceu de que a rotina é mais interessante que a mudança, pense porque você frequenta sempre o mesmo supermercado, o mesmo salão de beleza ou o mesmo consultório médico. Porque no supermercado você já sabe onde estão localizados todos os itens de sua necessidade. Porque no salão de beleza, as funcionárias já conhecem os seus gostos; porque o médico já te conhece, principalmente as suas doenças. Tudo fica mais fácil ou menos cansativo…

Como se pode ver, mudar dá trabalho, consome calorias e traz sofrimentos!

No entanto, aviso que este texto não é uma apologia da rotina e sim a proposta de um novo olhar para a mudança.

Para que servem as gavetas?

“Para guardar coisas”, responderia o mais apressado. Se a pergunta tivesse apenas uma resposta, o texto acabaria aqui e não teria sentido refletir sobre gavetas, ou sobre coisas.

Contudo, o problema não são as gavetas nem tampouco as coisas, mas a nossa ação de guardar. Abra uma gaveta de sua cômoda, do seu criado, do seu guarda-roupas, e verá que há sempre algo nelas: coisas, papeis, objetos, roupas, e talvez algo de que nem se lembrava mais.

Quando abrimos as gavetas muitas vezes nos deparamos com objetos estranhos, que parecem não fazer mais sentido, sem uso, utilidade ou qualquer importância. E então voltamos no tempo e revemos esses objetos quando ainda nos eram úteis ou significavam algo relevante em nossas vidas.

Neste momento alguém encontrou uma avaliação da época de faculdade e viu uma nota 10 no papel. Sorriu. Lembrou-se de quando foi feliz ao realizar aquele teste, do quanto foi elogiado (a), dos professores, da turma, das aulas, dos bons momentos… A memória foi despertada e uma certa nostalgia apareceu, afinal de contas, aquilo era passado e as vitórias de ontem não apagaram o fracasso de hoje. Um acadêmico excelente, um profissional medíocre…

O comprovante da conquista é então novamente recolocado na gaveta, para que futuramente as reminiscências retornem, trazendo consigo a falsa esperança de que algo vai mudar.

Do outro lado da cidade, um outro alguém abre sua gaveta e nela encontra uma blusa, que parece ter o cheiro de alguém especial, ainda que racionalmente saiba que o cheiro está na sua mente e não na roupa. A blusa está lá, intacta, assim como os brincos, os sapatos e as fotos. Todos guardados cuidadosamente, como se esperasse uma visita ilustre. Mas ela não vem!

As gavetas são assim, cheias de coisas e de sentimentos, mas vazias de atitudes.

Não gosto de gavetas! Elas guardam o nosso passado!

Como saber que fiz a escolha certa?

Antes de responder a pergunta, é preciso fazer outra: o que é certo ou errado?

Todos os dias fazemos escolhas em nossas vidas, da roupa que vamos vestir para ir ao trabalho até mesmo se queremos continuar nesse trabalho. E aí surge a tensão, a angústia, o sofrimento. Decidir!

O cis da palavra decisão já mostra a importância de tomá-la: cortar. Quando tomo a decisão corto algo, em benefício do restante que deve ser melhor. Jogo fora uma parte e permaneço com a outra. Decidir é isso! Fazer escolhas, optar por um e não pelo outro.

A escolha tem muito a ver com o seu estilo de vida, com autoconhecimento, com quem você é, o que pensa, o que você (e não os outros) acredita ser importante na vida. É mais ou menos assim: eu escolho morar num apartamento pequeno em vez de morar numa casa com jardim, porque viajo muito, porque não gosto de receber as pessoas em meu lar, porque tenho poucos móveis, porque pra mim menos é sempre mais. Pronto! Tomei a decisão de acordo com o meu estilo de vida, conforme as minhas necessidades.

Antes de continuar a ler o texto, tente compreender o seguinte: o que é certo pra mim pode não ser certo para você. Simples assim! Dessa forma, escolher exige opções e dentre elas, talvez apenas uma seja possível. Veja o exemplo: alguém recebeu uma proposta profissional excelente, mas deverá morar em outra localidade, deixando a família e amigos. Qual a escolha?

Quando você se conhece, mesmo não sendo uma boa pessoa (e você nunca vai aceitar isso), já sabe a decisão que será tomada. Ora, se o dinheiro é importante pra mim, se meu lado profissional é mais relevante que o pessoal, certamente aceitarei a proposta. O que pesa então? A opinião dos outros. Mas quem são os outros? O quão eles são importantes pra mim? Mais uma vez as respostas são suas, estão dentro de você.

Mais importante que a escolha são as atitudes após ela ser feita. O seu comprometimento com aquilo que decidiu vai te trazer a certeza da decisão tomada. Esqueça, retire do seu dicionário a partícula “se”, pois ela não existe. Se você tivesse escolhido outro caminho, certamente as dúvidas também estariam pairando sobre sua cabeça.

Por fim, entenda que você deve se sentir abençoado por poder fazer escolhas, sejam elas boas ou ruins. Agradeça todos os dias por ser livre!

É possível ser feliz?

Começo dizendo que “não”!

Ser feliz não é para quem quer ser, e sim para quem não se importa com a felicidade. O mesmo vale também para o sucesso, afinal, para muitas pessoas ter sucesso é sinônimo de felicidade.

Não é possível ser feliz num mundo repleto de desejos. Sócrates dizia que “o desejo é a falta”. Se realizo meu desejo, ele não mais me falta, e se não me falta, não é mais um desejo. Passo então a desejar algo novo…e assim segue a vida.

Para as pessoas felicidade é sinônimo também de posse, de propriedade, seja de bens materiais, seja de pessoas. “Só consigo ser feliz ao lado de fulano”, diria a namorada ciumenta e possessiva. “Se eu tivesse aquele carro, minha vida seria mais feliz”. Se fosse tão simples assim, ricos nunca suicidariam, não seriam depressivos, afinal de contas se o ter é tão fundamental no projeto de vida feliz…

Não é possível ser feliz vivendo a vida dos outros. Não é possível ser feliz vivendo uma vida padronizada, que não seja minha, e sim de uma sociedade que me sugere um estilo ou um modelo de felicidade. É impossível ser feliz não sendo você mesmo, já que você é único e não existe ninguém igual a você.

Alguns vão me chamar de pessimista, outros mais ofensivos dirão que sou mal amado ou que estou de mal com a vida. Compreendo a todos, mas ser feliz não é pra qualquer um!

É por isso que termino o texto dizendo que “sim”, é possível ser feliz!

No momento em que você se reconhecer como um ser finito e insignificante, e compreender que a felicidade está dentro de você e não mais nas coisas e nas pessoas, talvez você comece a entender um pouco o que é ser feliz.

É como muitos dizem “a felicidade não está no destino e sim na viagem”. Por isso digo, continue o seu caminho ou a sua viagem, mesmo não sabendo ao certo aonde vai chegar. Eu não sou feliz, porque ainda não conheço o caminho, mas também não estou preocupado em encontrá-lo! Talvez essa minha “não-procura” seja um indício ou uma luz para que eu encontre essa tal felicidade…