De que é feito o mundo?

Não tenho uma resposta para a pergunta, mas diz-se que o mundo continua sendo mundo, e que apesar das mudanças, a sua essência permanece. Mas o mundo não muda, quem muda são as pessoas. Ainda assim, as pessoas são essencialmente as mesmas, ou agem da mesma forma. Será?

Antes mesmo da globalização e da internet, as pessoas se conectavam, mas essa conexão era ao vivo e presencial. Dona Maria colocava uma cadeira perto do muro, subia nela e chamava dona Luci, sua vizinha. O chamamento era na realidade um pedido: um pouco de açúcar para adoçar o café. Na semana seguinte, dona Luci batia na porta da casa de dona Maria, para pedir-lhe um pouco de café, pois o seu acabara inesperadamente. Os pedidos foram prontamente aceitos.

Passados alguns anos, a filha de dona Maria telefonou para a filha de dona Luci, perguntando a ela se não tinha uma sandália de cor preta para emprestar, pois iria a uma festa à noite. Na semana seguinte, a filha de dona Luci pediu à filha de dona Maria uma blusa vermelha emprestada, para combinar com os sapatos novos que ela tinha comprado. Ambos os pedidos foram também atendidos.

Décadas depois, a neta de dona Maria enviou um e-mail para a neta de dona Luci, solicitando a ela a possibilidade de ficar com o seu filho pequeno durante o período da noite, pois surgira um compromisso inadiável naquele dia. Pedido aceito! Na outra semana foi a vez da neta de dona Luci pedir à neta de dona Maria um grande favor: Olhar suas duas filhas das 17 às 19 horas, pois ela teria que participar de uma reunião extraordinária na empresa onde trabalhava.

Ontem, a bisneta de dona Maria postou no Instagram uma foto que havia tirado num evento. Era uma festa muito animada e ela estava rodeada por amigos. A bisneta de dona Luci curtiu a publicação e ainda mandou um direct: “Linda”. Hoje pela manhã, a bisneta de dona Luci postou uma foto na praia, de biquíni e tomando água de côco. A bisneta de dona Maria curtiu a foto e enviou um direct: “Diva! Maravilhosa!”.

Não importa o tempo ou a tecnologia, o mundo continuará sendo feito de trocas!

Qual a melhor forma de viver?

Viver não é fácil, mas é melhor que estar morto. Enquanto vivo posso mudar de caminho, fazer escolhas, tomar decisões. Mas ela (a vida) pode não ser eterna, por isso precisamos vivê-la intensamente antes que o fim bata à nossa porta.

Se nos decidimos a viver e viver bem, necessitamos obrigatoriamente fazer escolhas. Nessa esteira, há algumas possibilidades de vida ou de viver. Para não ser cansativo, vamos apontar aqui duas formas básicas para se viver a vida.

A primeira delas é viver a vida dos outros. Abro mão dos meus sonhos e objetivos, e passo a viver em função de alguém. Há pais que vivem a vida inteira em função dos filhos e esquecem de viver suas próprias vidas. Assim como há filhos que permanecem junto aos pais por muito tempo, mas não por carinho ou atenção, e sim porque são incapazes de viver as suas vidas, perpetuando a dependência aos genitores. Há também esposas que deixam de lado suas vidas para viverem a vida dos maridos, bem como aqueles que se abdicam dos seus sonhos profissionais, para ajudar outros empreendedores a realizarem seus sonhos. Já pensaram nisso?

A segunda forma de viver a vida é se colocando no centro dela. Seus pais já viveram a vida deles, seus amigos, vizinhos e colegas de trabalho também. Por que então não viver a sua? Viver a sua vida é fazer suas próprias escolhas, optar pelo caminho A ou B. E se o caminho escolhido não deu em lugar nenhum, voltar e escolher o outro, ou quem sabe uma nova via. Mais importante que viver a sua vida, é chegar ao fim dela tendo quase a certeza de que não se arrependerá. Impossível saber isso, mas ter paz de espírito para compreender que se buscou o melhor é uma grande possibilidade.

Ainda há tempo! Qual será a sua escolha?

Você já errou?

Se são nossos, os erros são aprendizados ou experiências, se são cometidos pelos outros, são falhas gravíssimas, provenientes de algum tipo de negligência. Apontar o erro alheio é muito fácil, difícil mesmo é olhar pra dentro e reconhecer aqueles que você cometeu.

Na nossa sociedade errar é sempre sinônimo de fracasso, de inferioridade. Se cometemos algum erro, seremos lembrados pelo resto da vida. Já os acertos são enaltecidos. Mas quantos erros foram necessários para alcançarmos uma vitória que valeram os aplausos?

Vamos refletir! Se hoje você tem um casamento feliz, quantos namoros tiveram que “dar errado” para você mudar a sua conduta e ser um esposo ou esposa melhor? Uma cozinheira, na sua arte, não acerta sempre o prato preferido. Ela vai testando até achar o ponto ideal, daí vira receita. Não chegamos à excelência de nada na vida somente acertando. Estejamos certos disso!

Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra”, disse Jesus. Mas quando erramos, podem estar certos de que a pedrada é certeira. O erro é como uma sentença de morte, na qual as pessoas vão sempre lembrar e apontar: “Foi ele o culpado”.

No entanto, esquecemos ou ignoramos que o erro é inerente ao ser humano. Aprendemos errando, seja no trabalho ou em casa. E é no erro que crescemos, que fazemos descobertas, que nos conhecemos mais e que passamos a compreender que errar é factível, e que o outro também pode cometê-lo.

Portanto, se você já errou, não fique remoendo o erro. E se alguém já errou contigo, faça como Alexander Pope, poeta britânico, que eternizou a frase: “Errar é humano; perdoar é divino”.

Empresas são boas ou ruins?

As opiniões sempre vão divergir quando o assunto for empresa, organização, trabalho. Afinal de contas, sempre existirá a “luta de classes”, ideia difundida por Karl Marx. Empregados versus Empregadores.

Para quem defende que empresas são boas, há sempre o argumento de que são elas que lhe ofertam o trabalho, e este dignifica o homem. Precisamos do trabalho para sobreviver, pois suprir as necessidades básicas do ser humano é o principal fruto dele. Alguns mais exaltados defendem que “empresa não é casa de caridade” ou que “empresa não tem coração e sim CNPJ”, portanto, ela sobreviverá do lucro, e tudo o que for preciso fazer para alcançá-lo ela o fará: trabalho sob pressão, metas, demissões, redução de custos etc.

Já os defensores da ideia de que empresas são ruins, fundamentam seu posicionamento na exploração. “Empresas sempre exploram os trabalhadores”. Essa visão marxista busca embasamento no fato de quem tem mais poder, sempre será mais forte. Empresas são ruins porque demitem pais de famílias, porque trocam pessoas por máquinas, porque colocam o dinheiro sempre à frente de tudo. Se não fossem as leis trabalhistas, certamente o cenário seria bem pior, alegam os que estão do lado mais fraco.

Qual o lado escolher? Contrariando ambos, é possível enxergar uma terceira via (e podem existir outras), ou seja, ter um novo olhar sobre as empresas. Para tanto, torna-se necessário fazermos alguns questionamentos: de que são feitas as empresas? No atual mercado empresarial, qual o principal ativo das organizações?

A resposta é “gente”! Empresa não tem vida própria, ela tem CNPJ. Mas este é composto de vários CPFs: o meu, o seu, o do seu colega, o do chefe. Nessa lógica, empresas não são boas ou ruins, elas são o conjunto de pessoas boas ou ruins. E a esse conjunto damos o nome de “cultura organizacional”.

É por isso que vez ou outra, mesmo estando numa grande empresa e com um ótimo salário, sentimos saudades daquela empresa menor que trabalhamos um dia. A nossa nostalgia não é pelo trabalho ou pela empresa, é pelas pessoas com quem convivíamos. O segredo da gestão não está na vitrine, nas máquinas ou na quantidade de recursos que ela possui, e sim no modo como as pessoas pensam a vida, seja o dono, seja o mais simples operário.

Como transformar a empresa ruim numa empresa boa?

Contratando pessoas boas…

Quanto vale a sua opinião?

Atualmente vivemos num mundo onde todos querem dar a sua opinião. Isso é muito bom. Sinal de que estamos vivendo numa democracia.

Em minha opinião, existem dois tipos de opinião. A primeira eu chamo de “rasa”, ou seja, aquela que não tem profundidade, superficial e geralmente emite juízo de valor. A segunda eu chamo de “profunda”, pois contrária à primeira, é mais difícil de chegar, pois é também consistente.

Aqueles que optam pela primeira opção, agem de forma intempestiva e emitem sua opinião, muitas vezes, a partir do nada. São pessoas que dizem “eu acho”, como se tivessem encontrado, por acaso, alguma coisa e agora desatam a falar sobre o assunto. Pior que elas, somente as que têm certeza de tudo, pois usam os argumentos mais esdrúxulos para comprovar o que não pode ser comprovado. As opiniões rasas não possuem alicerce. É como assistir um telejornal ou ler um excerto de um texto ou livro, e se achar o economista ou o entendido em política.

As opiniões profundas possuem embasamento. Seus pilares são constituídos por incansáveis leituras e estudos realizados de forma ampla. Os pontos de vistas de cada um deles são mais críveis, fugindo dos achismos ou o que é melhor, não pendem somente para um lado, rechaçando desse modo os sectarismos. Além da leitura, vale muito a experiência ou o que chamamos comumente de “prática”. Nesse sentido, teoria e prática devem caminhar juntas, o que torna a opinião ainda mais robusta.

Da minha parte, gosto das duas opiniões. A rasa me mostra que pareço estar num caminho mais reto, pois corrobora com a necessidade da leitura. A profunda me traz dois sentimentos: um de que é preciso mudar e o outro é de que nada sei.

De tudo, porém, o mais importante é que tenhamos sempre a liberdade de emitir as nossas opiniões, sejam elas rasas ou profundas. Ou como diz a frase, que é erroneamente atribuída a Voltaire: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Estamos no mesmo barco?

Em tempos de pandemia, tenho escutado com certa frequência a frase: “Agora estamos todos no mesmo barco”. Será? O que seria o mesmo barco? O planeta Terra?

Se estamos no mesmo barco, certamente existe nele uma área VIP e outra destinada exclusivamente aos desafortunados. E mais, se o barco estiver furado, sem sombra de dúvidas, somente um lado terá acessos aos coletes salva-vidas. Qual lado seria esse?

Nessa pandemia, de um lado estão os afortunados ou privilegiados (e eu me incluo nele) que podem ficar em casa. Além disso, esse grupo possui algumas vantagens: continuam empregados (home office ou não), não tiveram seus salários reduzidos, fazem parte de famílias pequenas morando em residências amplas, com acesso ilimitado à internet, e possibilidades maiores ao lazer, uma vez que possuem condições financeiras para tal. Desse modo, as lives dos cantores famosos ficam mais confortáveis, se assistidas num ambiente aconchegante, regadas a um bom vinho.

Do outro lado, pessoas que perderam o emprego, desesperadas para receber o auxílio do governo, pequenos empresários “quebrando”, sendo obrigados a demitir seus empregados; outras tantas pessoas morando em residências minúsculas, com vizinhos muito próximos, tendo que enfrentar filas de bancos para receber algum tipo de doação, utilizando transporte público precário, ou mesmo tendo que ir a pé ao trabalho pela redução nos horários desse mesmo transporte.

Numa ala temos aqueles que esperam ansiosamente pelo fim da pandemia, para se juntar aos amigos, organizar uma festa e comemorar o fim do isolamento. No outro canto temos pessoas que não sabem se estarão doentes ou vivas até o fim da pandemia, e se tudo der certo, terão que ir à luta para pagar contas, conseguir um novo emprego ou buscar novas fontes de renda.

Antes de finalizar, ressalto que nada tenho contra aqueles que possuem uma boa condição financeira, afinal de contas, muitos gozam hoje o árduo trabalho realizado outrora. No entanto, não consigo conceber a ideia de que estamos no mesmo barco. Continuamos em barcos diferentes, e o que é pior, cada vez mais distantes um do outro.

Por que não somos livres?

Os tempos da escravidão e da ditadura acabaram. Será?

A abolição da escravatura no Brasil ocorreu no ano 1888 e o fim da ditadura militar em 1985. Faz muito tempo, mas deixaram muitas marcas, que certamente não vão desparecer tão cedo.

Na escravidão tem o escravo, que o dicionário define como “pessoa que é propriedade de outra”. Se somos propriedade de alguém, somos um objeto, e como tal seremos usados da maneira que melhor convir ao nosso dono. Não tomamos decisões, não escolhemos, não optamos, não temos opinião, enfim, não existimos.

Na ditadura militar havia censura à imprensa; e aos opositores do regime militar eram praticados os crimes de tortura, assassinato, estupro, e até desaparecimento. Não havia liberdade de opinião, não havia opção; para alguns, apenas resistir.

Acreditamos todos que esses tempos não voltam mais, mas culturalmente continuamos carregando dentro de nós os resquícios da escravidão. Estamos sempre querendo impor algo a alguém, seja um pagamento medíocre por atividades realizadas (leia-se exploração do trabalhador), seja um modo de viver a vida, seja uma opinião, e até mesmo um voto nas eleições.

Estamos de alguma forma tentando censurar os outros, sejam pessoas ou empresas, especialmente quando elas não promovem a mesma opinião que a nossa. Continuamos também a buscar a liberdade, mas talvez só nos discursos, porque no dia a dia permanecemos escravos da internet, do celular, do colega de trabalho, da opinião alheia.

Da mesma forma, continuamos incapazes de retirar os grilhões que nos prendem ao consumo, ao marketing, ao modo de vida capitalista. Mas o problema não é o capitalismo, e sim a forma como escolhemos o nosso modo de viver. Procuramos na sociedade um modelo de felicidade, que nos abasteça todos os dias de coisas, e não mais de sentimentos. Necessitamos de autoestima e acreditamos encontrá-la na vitrine de uma loja.

Não temos mais ideais, porque nos escravizamos seguindo os ideais dos outros. Optamos pela não liberdade de escolha, porque é mais fácil e prático que o outro o faça, pois se não obtiver êxito, a culpa será dele e não minha. Temos preguiça de caminhar e ficamos esperando que alguém nos desenhe o caminho. A inação nos permite que vivamos em paz.

Sartre dizia que “estamos condenados a ser livres”, porque carregamos nos ombros a responsabilidade de fazer escolhas e pavimentar nossos próprios caminhos. Infelizmente permanecemos na escravidão, seja como algozes, ao impor aos outros nossas vontades, seja como vítima, quando declinamos a nossa liberdade.

O que vale mais: talento ou esforço?

Desde muito cedo somos blindados pelos pais e familiares, e até mesmo professores, quando nos dizem que temos talento nesta ou naquela atividade. Se temos facilidade em fazer cálculos, certamente a profissão de engenheiro está encaminhada. Se a habilidade notada é na escrita ou na leitura, talvez torne-se um promissor advogado.

Dom, talento ou aptidão, carregam sempre nas entrelinhas um poder divino. Quando não, é genética. Ciência e religião se misturam para mostrar que uma das suas habilidades não te pertence, que é externa a você. Simplificando, você teve sorte, pois nasceu assim…

Com o passar do tempo você se acostuma a ser talentoso, e pouco se esforça para melhorar. Enquanto muitos suam a camisa, para serem reconhecidos em algum esporte, você descansa, e sabe que a qualquer momento, num simples toque de mágica, vai resolver o problema do time. É a diferença do craque para o “perna de pau”.

Dizem os antigos que quando ganhamos algo sem fazer esforço, não damos muito valor. É mais ou menos isso com o talento. Se nasceu comigo, vai permanecer, então pra que treinar, dedicar e esforçar?

Quando chegamos à fase adulta, descobrimos que nem sempre o talento vence. O dom que você tinha para a música não foi aperfeiçoado e ficou pra trás. O atleta ou esportista que você era não existe mais, porque a falta de atividade consumiu o seu corpo. O menino bom em matemática não virou engenheiro, porque não gostava de estudar.

Se você gostou do tema e quer aprofundar um pouco mais, indico dois livros: Mindset, de Carol Dweck e Garra, de Ângela Duckworth, ambas psicólogas. É impressionante como passamos muito tempo de nossas vidas acreditando que somos talentosos, que somos bons em algo e deixamos o esforço de lado. Pensamos que os aprovados em concursos são gênios, que os grandes pensadores tiveram a sorte de nascerem inteligentes, e que muitos hoje fazem sucesso em alguma área, porque era esse o destino deles.

Para finalizar, deixo uma frase que sempre gostei e é atribuída a Dave Weinbaum: “Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço”.

Por que escolhemos o mesmo lado?

Façamos um exercício. Coloque uma de suas mãos sobre um dos seus olhos, tapando-o. O que vai acontecer? Certamente seu ângulo de visão diminuirá, fazendo com que você tenha dificuldade de enxergar algum objeto ou o lado no qual ele está.

É assim que agimos quando escolhemos um lado; esquecemos o outro. Se passo a enxergar tudo pelo lado esquerdo, deixo de observar o lado direito e vice-versa. E quando faço isso, passo a crer que tudo o que está de um lado é verdadeiro e o que está do outro é falso.

A nossa vida é repleta de antagonismos. Gostamos da noite, mas precisamos do dia também. O que seria da felicidade se não houvesse a tristeza? Como daríamos valor à vida se não existisse a morte? Que graça teria se todos nós enxergássemos tudo à nossa volta sempre pelo mesmo lado?

Reparem que quando tapamos uma das vistas com a mão, ainda assim, se esforçarmos, conseguiremos ver o lado oposto. É difícil, mas enxergamos. E por que isso acontece? Por dois motivos. Primeiro, porque há uma boa vontade no olhar em superar os obstáculos. Segundo, por necessidade. É quando o que eu vejo já não mais me agrada ou satisfaz. Preciso ampliar meu horizonte, e isso só se dará com outro olhar.

A vida para ser bem vivida pede-nos que olhemos para todos os lados, porque em cada um deles, a paisagem será diferente. Temos que sair de nossas cavernas, pois só veremos a luz quando entendermos que estamos na escuridão.