Você é feliz no trabalho?

A maioria de nós passa pouco mais de um terço da vida no trabalho, digo isso principalmente para aqueles que possuem algum vínculo empregatício. Desse modo, se considerarmos que um outro terço da vida passamos dormindo, nos sobram ainda um terço para outras atividades, ou para sermos felizes.

Nesse sentido, se estamos infelizes no trabalho, quer dizer que a infelicidade estará presente em um terço de nossas vidas. Façamos os cálculos. Segundo o Banco Mundial, em 2017, a expectativa de vida do brasileiro era em torno de 75 anos. Dividindo-se esse número por três, teremos 25 anos. Lembrando que passaremos outros 25 anos dormindo, só nos restarão apenas 25 anos para sermos felizes. É muito pouco não acham?

Outrossim, se só começamos a ser felizes na sexta-feira, porque não trabalharemos no sábado nem no domingo, a situação também é grave, pois dos sete dias da semana, passaremos cinco sendo infelizes e apenas dois usufruindo de bons momentos. É também muito pouco para quem acredita que a felicidade está no destino e não na viagem.

No entanto, a situação não é tão simples como possa aparentar. Nem sempre vamos fazer o que gostamos, mas necessitamos gostar daquilo que fazemos. E se ainda assim não for possível, precisamos mudar…de chefe, de setor, ou mesmo de emprego. Porque quando estamos infelizes, contagiamos os outros, e o pior, carregamos a tristeza conosco por onde passamos, principalmente para o nosso lar.

Existe uma saída? Sim. Talvez até mais de uma. A primeira delas é compreender que há pessoas boas e ruins nas empresas, e que cabe a nós adaptarmos a elas, afinal, a mudança deve partir de dentro pra fora. Mas se temos a crença de que todos os trabalhos não nos satisfazem, existe também a possibilidade de abrirmos o próprio negócio. Porém, para quem não gosta muito de trabalhar, ser empreendedor implica em dedicação, esforço e riscos, que muitos não estão dispostos a correr.

Outra possibilidade é a busca do autoconhecimento. Se nos conhecemos interiormente, sabemos as nossas motivações, daquilo que gostamos ou daquilo que não temos muito habilidade em fazer, enfim, temos a oportunidade de realizar algo que nos traga paz, tranquilidade e prazer, pois, como já dito, esse trabalho vai consumir uma grande parte do nosso tempo, e de nossas vidas também.

Nessa perspectiva, três pontos devem ser salientados, se quisermos entender um pouco mais de felicidade. O primeiro é que ela não necessariamente estará atrelada ao dinheiro. É enganosa a ideia de que as pessoas só trabalham por uma recompensa financeira. A segunda é que a felicidade vem antes de qualquer coisa, trabalho, família, lazer ou sucesso. Quem está feliz irradia felicidade por onde passa. A terceira trata da felicidade no tempo presente. É no agora que precisamos estar felizes e não no futuro, na dependência de que algum evento ocorra ou não. Nem tampouco no passado. Quando a felicidade está no passado, ela muda de nome e se chama saudade.

Que possamos então estar felizes – hoje, amanhã e sempre. E que essa felicidade seja onipresente!

Qual é o contexto?

Uma das minhas respostas preferidas quando alguém me questiona algo é a seguinte: “Depende”. Depende de que? Do contexto, das circunstâncias.

Você é de direita ou de esquerda? Depende. Há pontos positivos em ambas as direções, e negativos também. Se formos falar de algo relacionado à economia, precisamos entender o contexto da pergunta, porque corremos o risco de que a resposta seja retirada do contexto correto, e aí o que era apenas uma simples opinião se torna algo polêmico.

Vejamos outros exemplos. Seu filho chega em casa e diz que tirou uma nota 10 na prova de Matemática. Você certamente ficará feliz. Mas quanto valeu a prova? Se valeu 10, excelente! Se valeu 100, foi uma péssima nota. O que vale então? O contexto. É assim que vemos pessoas, parte da imprensa, algumas empresas, pseudos pesquisadores, repassarem informações que, se forem analisadas em determinados contextos, podem ser consideradas boas ou ruins.

As circunstâncias em que o fato ocorreu, importam bastante quando buscamos a verdade. O que pode ser bom para mim, pode não ser para você. Outro fator importante e que acontece no nosso dia a dia é a generalização. Todos nós já passamos por isso, e em algum momento ouvimos frases do tipo: “A maioria dos políticos é desonesta”. O que é a maioria? Cinquenta por cento e mais um? Como podemos contabilizar isso?

E assim vamos generalizando, e acreditando em discursos calorosos, em números fantasiosos, em falas demagogas, que até nos encantam, mas nos enganam, porque se quisermos conhecer a realidade, necessitaremos do esforço da leitura, da determinação dos estudos e da busca pelo conhecimento, para conseguirmos compreender que as frases e números fazem parte de outro contexto, que visa ludibriar e persuadir os ouvintes e leitores.

Esse deveria ser o principal motivo para que sentíssemos prazer em estudar: Saber. Entrar numa loja e saber calcular os juros de um eletrodoméstico quando a compra for a prazo. Quem garante que os juros praticados são os mesmos da propaganda? Saber que algumas pesquisas científicas são patrocinadas por grandes organizações empresariais, que já determinam de antemão os resultados delas. Saber que os produtos mais caros do supermercado ficam nas prateleiras à altura dos nossos olhos. Saber que pensamentos positivos não necessariamente atraem coisas positivas, a não ser em alguns livros de autoajuda.  Saber que empresas precisam vender e farão de tudo para alcançar seus objetivos, até mesmo aproveitar de nossa falta de conhecimento para adquirir seus produtos.

Saber é importante, ainda que não saibamos quase nada da vida. Quando buscamos o saber, saberemos entender o poder do contexto, conheceremos as falácias dos discursos, as intenções dos números, a ênfase em determinadas palavras, a publicidade de algumas pesquisas.

Porque quando alguém lhe fizer uma pergunta, não responda sem saber, pense antes de fazê-lo, pois a sua resposta vai sempre depender de algo, especialmente daquilo que você sabe sobre o assunto. Por isso, alerto que nem sempre o contexto estará presente no texto ou naquilo que alguém nos fala. E quando isso acontece, sabem o que faço? Eu contesto!

Quando você será o protagonista?

Todos nós queremos ser protagonistas na vida, tanto na pessoal como na profissional. No entanto, ser protagonista nos exige algumas atitudes que nem sempre vamos estar dispostos a tomá-las.

No dicionário, protagonista é o personagem principal de uma narrativa. É quem mais aparece, não porque queira aparece, mas isso acontece de forma natural, afinal, quem protagoniza algo é o principal agente das ações. Ele escolhe agir, assumindo os riscos, mas também as possibilidades de êxito.

Muitos de nós escondemos atrás de atitudes ou também de nossas inações, tornando-nos antagonistas, ou seja, criando em nossas mentes adversários que não existem, o que nos impede de sermos protagonistas. Explico. Quando tomamos uma atitude que vai ao contrário daquilo que pensamos ou acreditamos, nos tornamos refém do sistema. Qual o sistema? O da padronização, o de fazer o que os outros querem. Se você opta por mudar, porque essa mudança vai lhe trazer benefícios, mesmo que acarrete em críticas de pessoas que você não ama, estará agindo em conformidade com o que pensa ou acredita, permitindo assim protagonizar algo que lhe é ou será importante, assumindo as responsabilidades pelas consequências, porém, tendo a certeza que o fez sem se importar com a opinião alheia.

Da mesma forma, quando falamos de inação, percebemos que o não agir é também uma escolha. Se temos a oportunidade de agir, de optar, de escolher, e abdicamos disso, deixando que o medo ou o tempo façam as escolhas, nos tornamos antagonistas, permitindo que o antagonismo dos fatores externos se apresente como protagonista de nossas vidas.

Parece difícil de entender, mas não é. Quando as decisões de sua vida partem mais do externo que do interno, ou seja, quando tudo o que acontece no seu dia depende mais dos outros que de você mesmo, é porque você consentiu perder seu protagonismo, afirmando que outras oportunidades sempre vão aparecer. Sim, concordo. Elas vão aparecer, mas parece que o tempo está passando, e a cada dia essas possibilidades vão reduzindo, não porque você não mereça, mas porque postergar se torna cômodo e essa comodidade vai nos trazendo a sensação de que a qualquer hora, num estalar de dedos, vamos mudar de vida, nos tornando protagonistas.

Protagonizar é agir, é não só tomar as decisões, mas fazer, realizar, construir, executar, ou como se costuma dizer no mercado de trabalho, ter proatividade. Podemos simplesmente tomar a decisão, mas não fazer nada com ela. Há pessoas que se tornam admiradoras das outras pelo protagonismo que elas assumem, e abrem mão de ser o astro principal de suas vidas.

Esperar é o verbo preferido dos que procrastinam, dos inativos por opção, daqueles que aguardam uma intervenção divina, ou que alguém faça algo por eles. E aí quando você chega ao final da vida ou mesmo deste texto, esperando também uma resposta que alivie sua dúvida, ou seja, por que até hoje você não assumiu o protagonismo de sua vida, eu te respondo: Agora!

Quem quer ser pobre?

Acredito que ninguém queira ser pobre. Todavia, há muita gente se dizendo pobre por aí. Eu disse “dizendo”, porque o discurso é um, mas a realidade é bem diferente.

Pobre que é pobre não se vangloria de ser pobre. Ele não enaltece sua pobreza, contando a todos como é ou está a sua situação econômica. Sabem por quê? Porque o verdadeiro pobre tem vergonha de sua condição. Ele não gostaria de sê-lo, mas é.

Mas se ninguém quer ser pobre, por que alguém se diz ser? Porque o discurso agrada. Reparem que, geralmente, quem tem uma boa condição financeira é aquele que se intitula pobre, mesmo não desejando a pobreza. Na realidade, algumas pessoas procuram desculpas para não tomar decisões, e se justificam dizendo ser pobres. Não praticam atividades físicas numa academia, não compram um computador, não matriculam o filho numa escolha melhor, não viajam a lazer, não cursam uma faculdade, não trocam de carro, enfim, não tomam nenhuma atitude porque lhe faltam dinheiro, ou melhor, porque são pobres. Vocês conhecem alguém que tem piscina em casa e se diz pobre?

Pois é. Algumas dessas pessoas têm o péssimo hábito de desmerecer tudo aquilo que o outro conquistou a duras penas. São praticantes do discurso: “eu bem que gostaria, mas não posso, porque sou pobre”. Elas se passam por vítimas, praticando o conhecido coitadismo.

É sempre bom lembrar que pobre, na acepção da palavra, não tem carro, não viaja a turismo, não tem piscina em casa, aliás, ele nem casa tem. O pobre real é desprovido de diversos recursos, como alimentação, vestuário, cuidados de saúde, segurança, internet, lazer etc.

Por isso, quando alguém lhe disser que é pobre, corrija-o ou alerte-o para o significado da palavra “pobre”. Certamente, para aqueles que não a usam com segundas intenções, vale a pena chamar a atenção, pois talvez eles não tenham a dimensão do que é ser pobre, especialmente num país tão desigual socialmente como é o nosso.

Quanto àqueles que usam a palavra “pobre” nos seus discursos, utilizando-se desse artifício para ludibriar os outros, fica um alerta maior ainda. Reparem que essas mesmas pessoas usam outras palavras para se autodefinirem, visando distorcê-las, deixando a entender que são coitadas e que por isso merecem seu apreço. Há pessoas que se dizem negras sem ser, mormente quando se trata do ingresso em universidades públicas via sistema de cotas raciais. Tem gente se dizendo pobre para conseguir auxílios governamentais, bolsas de estudo e outros tantos benefícios.

São essas e outras tantas pessoas, praticantes do coitadismo, para receber algum tipo de vantagem. Na realidade, elas não querem estar no lugar dos pobres, negros, homossexuais, idosos, doentes, ou quaisquer outros tipos de pessoas que sofrem algum tipo de preconceito. O que elas desejam é conquistar a compaixão e a confiança dos outros, visando conseguir algo para si, que será usado em benefício próprio.

Repito. Ninguém quer ser pobre! Se conhecer alguém que queira ser, desconfie e questione, pois tenha a certeza de que o discurso é muito bonito, mas a intenção não é.

Quando vamos tirar as máscaras?

Um dia a pandemia do corona vírus vai terminar e enfim retiraremos nossas máscaras de forma definitiva. A vacina nos trará de volta a liberdade e a sensação de alívio por não termos mais que usá-las. Será mesmo?

As máscaras nos protegem dos outros, mas também de nós mesmos. Muitos continuarão usando máscaras, porque elas já eram usadas antes mesmo do covid-19. Escondemos dentro de nós alguém que não existe mais, que não mostra o seu rosto e que prefere camuflar sentimentos, fingir boas ações e que nunca permite ser descoberto, porque opta por desmerecer o sucesso alheio, em vez de buscar o seu próprio brilho.

Precisamos tirar as máscaras para respirar um pouco de ar puro e enxergar que a vida não é feita só de problemas, de contingências. Ao olhar um jardim verde, com flores e espinhos, muitos de nós preferimos acreditar que o mundo todo conspira contra o que pensamos e fazemos. Mas sabemos no fundo que não é verdade, mas também não temos coragem para buscar as mudanças e viver uma vida mais digna.

Quando usamos máscaras a nossa voz se torna diferente, muitas vezes irreconhecível, porém, nossos ouvidos continuam abertos, e são eles que precisam ser usados para ouvir mais o outro, para entendê-lo e compreendê-lo. As pessoas necessitam de nós e nós também precisamos delas. A máscara nos proporciona escutar mais e falar menos. Não é à toa que nascemos com dois ouvidos e uma boca.

 No entanto, continuamos a acreditar que as máscaras nunca cairão, porque se caírem a nossa verdadeira face será exposta e então descobrirão quem realmente somos. Aliás, talvez nem nós mesmos saibamos quem realmente somos e por isso preferimos utilizar as máscaras. A dúvida nos traz o alívio de que talvez não sejamos tão maus assim, nos permitindo colocar a culpa dos nossos erros em outras pessoas ou mesmo em Deus. A certeza pode trazer à tona verdades que serão mais bem administradas utilizando-se a máscara.

Quando a pandemia acabar, certamente muitas coisas estarão diferentes, na política, na economia, na saúde, na educação, mas e em nós? O que terá mudado? Talvez quase nada, principalmente para aqueles que já usavam máscaras, e que assim como um camaleão, vão se adaptando às novas realidades. Daqui mais um tempo tudo voltará ao normal, e aos poucos vamos nos esquecendo de tudo que aconteceu…

E algumas pessoas não abrirão mão de usar suas máscaras – hoje, amanhã e sempre – porque mesmo com o fim da pandemia, elas continuarão doentes.

Por que os nossos sonhos mudam?

Era uma vez um menino, que na sua infância, sonhava em ser jogador de futebol. Não pensava no dinheiro, e sim porque amava jogar bola. Naquela época, jogador de futebol não era tão famoso, nem recebi os altos salários de hoje. A oportunidade não apareceu ou se apareceu ninguém contou pra ele ou deu importância para o seu sonho. Certo é que o tempo passou…

O menino cresceu e ainda na adolescência sonhava em morar fora, não precisava ser fora do país, mas num lugar diferente da sua cidade. Ele queria crescer, ser um profissional excelente (no início ele queria ser advogado, depois publicitário), ganhar muito dinheiro, ter uma bela casa e um carro do ano. Quis o destino que ele se formasse em Administração, mesmo ele tendo dúvidas se ia ao baile de formatura de um amigo na véspera da prova do vestibular, e depois de largar o curso de Educação Física e não passar no vestibular para Comunicação Social em Belo Horizonte.

Já na graduação em Administração ele sonhava em ser um grande executivo, CEO de alguma multinacional ou mesmo um grande empreendedor em qualquer lugar. Nunca foi! Andou por caminhos diferentes, sendo que um deles foi trancar a matrícula do curso e tentar novamente o curso de Direito. Não teve êxito! Mas também sem estudar, difícil alguém ter, não acham? Na época ele não pensava assim, mas seus sonhos nunca se realizavam, talvez porque eles não fossem levados a sério nem mesmo por ele, ou quem sabe porque aqueles sonhos não fossem tão importantes como achava que fossem.

Outros concursos vieram e ele passou em alguns, mas na maioria fracassou. Descobriu que são os fracassos que pavimentam os caminhos do sucesso, e que perder faz parte da vida, desde que se aprenda com os erros. Ele nunca quis casar, talvez porque tenha vivido experiências negativas na própria família. Era do tipo que acreditava que se fosse para entrar na vida de alguém, seria para melhorar a vida da outra pessoa, para fazê-la feliz e não para trazer problemas.

Por coincidência, hoje encontrei aquele jovem, que hoje não chega a ser um velho, mas que podemos chamar de senhor, e perguntei a ele o que tinha aprendido com a vida. Ele disse que hoje não mora na casa dos seus sonhos, não tem o melhor carro, não é rico e nem fez de sua vida profissional um caso de sucesso. Mas que era feliz assim mesmo, porque tinha uma casa própria e confortável, um bom carro (já quitado) e um casamento muito feliz.

Então perguntei a ele, antes de me despedir, “e os seus sonhos”? Ele respondeu: “Uma das coisas de que mais me orgulho é não ficar olhando para trás e pensando: E se tivesse sido diferente? E se meus sonhos tivessem sido realizados? Descobri que jamais vou saber a resposta e nem quero, porque o ‘se’ não existe e nunca vai existir, e porque quanto mais vivemos no passado menos aproveitamos o presente. E a felicidade está no presente, no agora! Você concorda”?

Disse ‘sim’ me olhando em frente ao espelho…

Por que praticar o desapego?

Se “a única constante é a mudança”, conforme previa Heráclito de Éfeso, por que nos apegarmos tanto a algo ou a alguém?

Quando somos muito jovens nos apegamos sobremaneira a coisas e pessoas, que num breve espaço de tempo já não nos são mais interessantes. Os colegas de escola se mudam e seguem a vida assim como nós. Objetos como brinquedos, roupas e livros perdem o valor porque mudamos e aprendemos a nos desapegar deles, porque eles não possuem mais a importância que tinham.

Assim deveria continuar por toda a vida, mas alguns bens e pessoas parecem despertar em nós um interesse maior e quando percebemos já estamos tão apegados que não conseguimos imaginar a vida sem eles. Como objeto o dinheiro parece ser o que mais temos dificuldades em desapegar. Por quê? Porque é o dinheiro que nos garante a sobrevivência. Mas de quanto dinheiro precisamos para sobreviver? Com certeza bem menos do que acreditamos.

O dinheiro nos proporciona momentos de felicidade e pode trazer-nos a tranquilidade que precisamos para realizar os nossos projetos de vida. No entanto, talvez de forma inconsciente, abrimos mão também de uma vida mais tranquila, ainda que com menos dinheiro, para ter uma vida atribulada com mais dinheiro. Quando nos apegamos a ele, o caminho parece não ter fim, como se caminhássemos no deserto. Fazemos contas, adquirimos bens, compramos algo para melhorar nossa autoestima, e quando percebemos o dinheiro não foi suficiente, e no mês seguinte temos que trabalhar mais, porque o dinheiro nunca sobra, sempre falta.

Ao transferir o dinheiro para os bens, nos apegamos também aos objetos. A caneta que fiz minha primeira prova na faculdade, a carta de amor da primeira namorada, a roupa de quadrilha da filha que já casou e tem seus filhos, o conjunto de chá empoeirado na sala esperando uma visita importante, o cartão postal do amigo que viajou à Europa e te mandou de lembrança, o livro que você não gosta, mas que ganhou de alguém que já se foi, a camisa já puída e sem uso que ganhou da amiga que foi a Porto Seguro com o famoso dizer “Estive na Bahia e lembrei de você”.

São tantos bens, coisas e objetos que fazemos questão de manter em casa, entulhando as gavetas e a nossa vida, que nem nos damos conta que eles mostram quem nós somos: pessoas que acumulam, que não desapegam. Tem gente que diz que não é apegada, que não tem muitas coisas, mas se fosse mudar de casa, certamente precisaria de uns dois caminhões para transportar tantos objetos, a maioria deles inútil.

Há pessoas que se apegam a pessoas. É o ex-namorado, a ex-esposa, aquele namoro que poderia ter dado certo, aquela pessoa que não tive coragem de me declarar, enfim, nos apegamos ao que já passou e que não tem mais volta. Apegamos também ao futuro, como se ele tivesse data certa para acontecer. Não tem! O melhor a fazer é viver o presente, sem se preocupar em conquistar bens, afinal de contas, como diz um amigo meu: “Caixão não tem gaveta”, então não vamos levar nada dessa vida.

Aprendi que o desapego é a melhor forma de se viver a vida. Quem é desapegado sofre menos, porque aproveita aquilo tem, sem se preocupar com aquilo que não tem. Tem gente que se apega a tudo – bens, beleza, juventude, lugares – e quando percebe que nada é para sempre, vive em sofrimento, o sofrer por tudo aquilo que já foi um dia.

Dizem que a quantidade de chaves que carregamos nos bolsos é inversamente proporcional à nossa felicidade. Descobri no desapego então a fonte da felicidade. Compreendi que menos é mais. Quanto mais eu tenho, mais me preocupo em manter o que tenho. Do mesmo modo, quanto menos eu possuo, menos tempo perco desperdiçando em tentar garantir o que tenho.

Por fim, duas coisas importantes devem ser ditas. A primeira é que quando formos embora, não seremos nós que vamos escolher a nossa roupa de viagem, pois assim como chegamos, vamos partir. A segunda nos mostra que pessoas e, especialmente sentimentos, são mais importantes que objetos, porque como disse a raposa ao Pequeno Príncipe, “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

E quando chegar o fim?

Assim como num filme nossa vida tem começo, meio e fim. Contudo, diferente dos filmes, lembramos um pouco do começo, preocupamos muito com o meio e quase sempre nos esquecemos do fim…da vida.

Nos filmes ficamos ansiosos pelo fim, na vida fazemos questão de esquecê-lo. Se o gênio da lâmpada nos aparecesse, certamente três pedidos comuns seriam: a felicidade, a riqueza e a imortalidade. E passamos o período da vida chamado “meio”, buscando esses três desejos.

Primeiramente queremos ser ricos, porque sendo ricos seremos felizes. Ledo engano! É impossível definir a felicidade, porque ela é de cada um, individual, e o meu ser feliz é diferente do seu ser feliz. Posso ser feliz tomando uma cerveja barata no pior boteco do mundo. Posso ser feliz tomando a cerveja mais cara no melhor restaurante do planeta. Onde está a diferença? Está na companhia. Se estou rodeado de pessoas que amo, a felicidade não tem preço, não tem marketing, não tem objetivo.

“Dinheiro não traz felicidade”. Acredito que a frase é dita principalmente por quem tem dinheiro. Porém, não acho que dinheiro traga felicidade sempre, mas propicia, e muito, momentos prazerosos e de tranquilidade. Ter uma casa confortável, um bom veículo, plano de saúde, poder viajar sempre que possível, conhecer outros lugares e pessoas, são regalias que o dinheiro lhe permite. Momentos de prazer e alegria podem ser proporcionados pela riqueza, mas eles sempre darão lugar, em algum instante, à tristeza, à dor e à tristeza. E isso ocorre, em grande medida, ao fato de nos apegarmos muito ao que é ruim, em vez de enaltecer as coisas boas que nos acontecem na vida.

Falamos de riqueza e de felicidade, e poderíamos pensar que isso nos basta. Ser ricos e felizes nos tornariam seres humanos completos, afinal, não é isso que todos querem? Certamente não. Queremos ser imortais, porque estar feliz ou rico não nos anima, se quando olhamos para o futuro enxergamos a morte, que será o nosso último fracasso. E quem quer fracassar?

Passamos então a acumular bens e dinheiro, fazemos atividade física, vamos ao médico mais vezes, passamos por tratamentos e cirurgias que parecem nos garantir vida longa, beleza, o regresso à juventude que se foi. Não satisfeitos, e sabedores que somos do fim que nos espera, procriamos, escrevemos livros, plantamos árvores, construímos prédios, enfim, agimos de modo que alguma obra fique, para que não caiamos no esquecimento e que algum legado possamos deixar.

Felicidade, riqueza e imortalidade nos perseguirão todos os dias de nossas vidas. Serão nossos objetos de consumo, porque os desejamos avidamente, pois sabemos que só desejamos aquilo que não temos, aquilo que nos falta. Devemos então sofrer por isso? Não, porque o sofrimento, assim como a felicidade, é uma opção individual. O ter ou não ter é uma escolha sua. Mas quando chegar o fim, não haverá mais opções. Por isso, viva cada momento de sua vida como se fosse o último, não fazendo dela um martírio, e sim uma possibilidade de se chegar ao fim e poder dizer: “Eu vivi”.

Você é colaborador ou empregado?

Colaborador para o dicionário é aquele que colabora ou que ajuda outrem em suas funções. É quem produz com outros qualquer trabalho ou obra, coautor.

Percebam que quando falamos de colaborar, temos a ideia de cooperação. Colaborar seria ajudar o outro a fazer algo. Mas no ambiente de trabalho nós estamos dispostos a isso? Quem vai receber o mérito pela obra acabada? Eu? Você? Todos? O nosso chefe? A empresa?

Nas empresas e instituições somos lembrados a todo instante que o trabalho é ou deveria ser em equipe, mas nem sempre a equipe é valorizada pelo seu desempenho. No final é a figura do chefe, administrador, gerente, coordenador, diretor, ou mesmo do dono que vai aparecer. Parece que depois da meta alcançada os aplausos são só dele. “É o líder”, alguns vão dizer, mesmo não sendo. “É o grande maestro que conduziu a orquestra”. E o que resta aos empregados? Serem chamados de colaboradores.

“Fulano é meu colaborador há cinco anos”. Não, ele não é! Ele está recebendo um salário (bom ou ruim) para desenvolver determinadas tarefas e atribuições, e se seu desempenho for ruim ou não decidir colaborar, certamente será demitido. Aí não será mais um ex-colaborador e sim um desempregado.

No ambiente organizacional, quem manda está sempre tentando motivar quem obedece. É a realidade. O problema é que, como já disse em outras oportunidades, ninguém motiva ninguém. E então o que fazer? As empresas adotam duas formas de motivação: punição ou recompensa.

No tocante à punição, donos ou chefes ameaçam o empregado dizendo a ele: “Se você não quer o emprego, tem uma fila de gente lá fora querendo”. É como aquele gestor que ao pagar o salário mínimo no final do mês acha que está fazendo um favor para o empregado, e não cumprindo uma obrigação anteriormente acordada.

No que diz respeito à recompensa, bons trabalhos realizados podem ser reconhecidos, ou com um valor a mais na remuneração, com elogios, possibilidade de promoção, e até mesmo uma pizza para a equipe que atingiu a meta (isso mesmo, uma pizza!). Nessas horas fico me perguntando se o sujeito é colaborador ou empregado, porque se ele realmente fosse colaborador, certamente pediriam sua opinião antes de premiá-lo com uma pizza.

O fato é que as empresas buscam de todas as formas descobrir essa tal motivação nos seus empregados, e em vez de perguntarem a eles, preferem tentar adivinhar, oferecendo-lhes exatamente o que eles não querem, demonstrando uma imensa falta de empatia.

Lembrem-se que filhos adulam seus pais quando querem ganhar um presente. E chefes chamam seus subordinados de colaboradores quando querem bater a meta.

Por que gostamos de sofrer?

Há uma frase famosa, atribuída a vários autores, que diz que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Eu vou além, e digo que o ser humano, diante dessa opção, sempre escolhe sofrer.

Mas não seria irracional escolher sofrer? Sim, a escolha pelo sofrimento é emocional, mas quando fazemos nossas opções acreditamos que estamos sendo racionais. Vou tentar explicar.

Imagine que você mora numa casa alugada e vive uma vida tranquila. De repente alguém lhe diz: “Estão financiando algumas casas em determinado bairro. Você não gostaria de ter sua própria casa e sair do aluguel”? Nos abalamos emocionalmente com a pergunta e nos esquecemos de fazer o básico, que é perguntar a nós mesmos se é isso que realmente queremos ou podemos fazer naquele momento. É o que comumente chamamos de autoconhecimento. Se você se conhece, saberá o momento exato de tomar uma decisão tão importante como essa. E quando isso acontecer é você quem fará essa pergunta e não seu vizinho, amigo ou parente.

Sofremos porque ouvimos os outros e não a nós mesmos. Mudar de casa, sair do aluguel, começar uma faculdade, comprar um carro, fazer uma viagem longa, mudar de emprego, pegar um financiamento, casar, ter filhos, mudar de vida, tudo isso requer escolhas que passam por uma única pessoa: você. É você quem vai decidir sua vida e não os outros.

Se você optar por sair do aluguel para comprar sua própria casa, o sofrimento será somente seu. Por isso, é você quem deve escolher o momento correto de iniciar a mudança. Sair do aluguel implica em novas contas, em burocracias, em continuar naquele emprego chato, mas que lhe garante o sustento, na redução de gastos com supérfluos, no convívio com novos vizinhos, na possibilidade de insônia diante do financiamento, enfim, de tudo que é novo, porque o novo traz sofrimento também.

Gostamos de sofrer porque nos alienamos com os sonhos alheios, achando que as pessoas que nos são próximas sempre querem o melhor para nós. Nem sempre isso vai acontecer. Sofremos porque acreditamos que o melhor está fora de nós e não dentro. São os objetos que preciso, mas que não precisava até alguém me dizer que são importantes, até assistir uma propaganda na televisão.

O pior é que vamos continuar sofrendo e reclamando do sofrimento, porque sempre optaremos pela opinião alheia, fazendo escolhas externas, que não nos trarão paz, mas a tranquilidade de que vão agradar aos outros, como se os outros fossem dividir conosco as contas, as dores e os sofrimentos.