Por que é preciso ser diferente?

Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. A frase atribuída a Albert Einstein é perfeita para começarmos este texto, porque a partir de agora precisamos definir o que é ser diferente.

Conheço gente que se diz diferente, mas só anda na moda. Então não é diferente, porque todo mundo (ou a maioria) quer estar na moda. Tem gente que não muda, porque mudar dá trabalho. O melhor então é continuar sendo igual, porque assim ninguém vai questionar a sua diferença.

Ser diferente, no entanto, não diz respeito só à moda, comportamento ou fazer coisas extraordinárias. Pensar diferente precede ser diferente. Porque se todo mundo pensa igual, a tendência é que tudo aconteça sempre da mesma forma. Vejamos então. Se você deseja ser aprovado num concurso público, em algum momento precisará pensar diferente e dessa forma agir também de forma diferente, concorda? Deixar de sair, sair das redes sociais, reservar um horário específico para os estudos, cortar gastos desnecessários para investir em livros, apostilas e outros materiais, enfim, se você agir como a maioria, vai continuar apenas tentando, mas sem êxito.

Outro exemplo que gosto é o do casamento. Se você quer que o seu casamento seja diferente, você precisa também ser diferente. Pensar como a maioria talvez não lhe traga muitos benefícios. Ser diferente no casamento é pensar primeiro no outro e não em você. Acostumamos com a ideia de que “eu preciso ser feliz”, mas e o outro? Pensar diferente é compreender que o ato de casar é precedido de mudanças. Morre o solteiro, nasce o casado. Mas eu tenho minhas individualidades, como faço? Adapte-se! Ninguém lhe obrigou a casar. Ser diferente no casamento é dividir tarefas do lar, é pensar que o outro não é seu empregado ou sua mãe ou seu pai. É quem você escolheu para viver toda a vida. E se não deu certo? É sinal de que você agiu como a maioria, do mesmo modo, ou seja, “se não deu certo então separa”. Porque está na moda dizer isso. É mais fácil dizer que tentar mudar!

Nos comportamos da mesma forma que os outros. Somos seres que imitam, que seguem, que copiam e depois criticamos quando nos deparamos com alguém diferente. Ser autêntico é ser diferente, é ser você mesmo, e pessoas assim deveríamos admirar. Ser quem você é e não o que os outros querem que seja. Gosta de redes sociais? Não. Então não entre. Então saia. Suas roupas e sapatos não são confortáveis, mas são caras e da moda. O que fazer? Mude! Troque! Vista roupas que lhe dão prazer. Não gosta do seu cabelo? Mude-o. Corte-o. Faça um novo penteado. O que os outros vão pensar? Não importa. O que importa é a sua autenticidade. É ser você, ainda que ser você seja ser diferente.

À medida que vamos envelhecemos, preocupamos menos com o que os outros pensam, e vamos nos tornando nós mesmos, porque é assim que deve ser. As nossas conquistas são sempre o resultado de comportamentos diferentes que tivemos. Reparem e vejam. Pessoas bem sucedidas profissionalmente pensaram e agiram de forma diferente em determinados momentos da vida. Os exemplos que carregamos em nossas vidas pessoais são também de indivíduos que tiveram insights e agiram de modo contrário ao que a maioria pensava.

O mundo é dos diferentes, mas se você continuar pensando da mesma maneira que a maioria, ou fazendo as mesmas coisas todos os dias, vai sempre acreditar que a vida dos outros é sempre melhor que a sua, e mais, não vai sair nunca do lugar que está.

O que é ter empatia?

Palavra da moda, empatia é algo difícil de ser alcançado. Colocar-se no lugar do outro. Compreender as emoções do outro. Entender o que o outro está sentindo, buscando para tanto ter os mesmos sentimentos que ele ou ela. Ou como diziam e dizem os mais velhos: “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”.

Falar é sempre mais fácil que agir. É bonito você dizer que tem empatia, que você se coloca no lugar do outro, mas é muito difícil isso ser transportado para a vida real. No mundo ideal dizemos que estamos sofrendo com o sofrimento do outro, que imaginamos o quão ruim é estar passando por aquela situação. No mundo real não acontece da mesma forma, e isso se deve ao fato de que não pensamos no outro quando agimos.

Vejamos o exemplo no trabalho. Você odeia que o seu chefe envie mensagens no whatsapp após o horário de expediente. Mas quando você é o chefe, age da mesma forma.  A sensação sentida por você foi ruim, mas quando você teve a oportunidade de se colocar no lugar do outro, porque também já havia passado por aquela situação, não conseguiu fazê-lo. Por isso repito, dizer que tem empatia é diferente de ter empatia.

Ninguém sabe o que o outro está pensando ou sentindo, até que alguém pergunte. Ainda assim, nunca vamos ter a certeza de que a resposta é a correta. Alguns fingem, outros nem mesmo conseguem definir o que estão sentindo, e poucos terão a coragem de dizer o que realmente estão sentindo. Por isso, ter empatia não é como ligar um interruptor. Eu aperto e me torno empático.

A empatia exige-nos duas qualidades importantes, e que muitas vezes não as temos ou não nos importamos em tê-las. A primeira diz respeito à sociabilidade, ou seja, pessoas que são mais sociáveis, ou o que costumo chamar de “gostar de gente”. São esses os que apresentam maior probabilidade em ser empáticos. Gostam de gente, gostam de andar em grupos, estão sempre preocupados com os outros, amam socializar a vida.

A segunda característica é o que costumeiramente chamam de “feeling”. É a percepção que algumas pessoas têm sobre pessoas e situações. É um sentimento ou uma sensibilidade aguçada, que torna a pessoa capaz de compreender a outra. Geralmente essas pessoas são observadoras. Observam o ambiente, as pessoas, as atitudes, as falas, e conseguem agir de modo a entender o que o outro quis dizer ou fazer. É importante pontuar que essas pessoas gostam de estudar o ser humano e decifrar os muitos mistérios que existem nas relações pessoais.

Convém salientar que, mesmo que não tenhamos essas duas relevantes características, ainda assim podemos ser empáticos. A empatia passa necessariamente por um processo de mudança, no qual mudamos apenas uma atitude – o olhar. Por isso, gosto e repito sempre a frase de Wayne Dyer: “Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão”.

Quando tomar uma decisão?

Decisões são sempre difíceis de serem tomadas. Muitas vezes não sabemos a hora, o dia ou o momento certo para tomá-las. Mas será que esse momento certo existe?

A primeira palavra que me vem à mente quando penso em tomar uma decisão é cansaço. Quando você está cansado da vida que está levando, do emprego que tem, do relacionamento maçante, ou de qualquer outra situação na qual lhe traz insatisfação, a decisão parece estar mais próxima ou ser mais clara.

No entanto, há decisões que são mais importantes que outras, mas que ainda assim nos tomam tempo. Decidir qual roupa usar para ir trabalhar ou para ir a uma festa pode não ser muito relevante, mas a forma como você vai pensar sobre essa decisão é importante. Se escolher a roupa a partir do que você gosta, ótimo. Se escolhê-la pensando na opinião alheia, talvez as consequências da decisão irão te importunar.

Tomar decisões implica obviamente em consequências. E se você as toma sem pensar nelas, pode vir a sofrer. Se decido sair do meu emprego, porque acredito que a empresa vai falir e meses depois ela não quebra, e pelo contrário, se torna uma das melhores organizações no mercado, o meu pensamento será: “tomei a decisão errada”.

Mas existe decisão certa e decisão errada? Acredito que não. O único erro que vejo em decisões é o já citado anteriormente, tomá-las pensando no ambiente externo e não naquilo que você acredita ou sente. Quando decido deixar meu emprego, é porque ele não mais me agrada, sejam as atividades que realizo, seja o ambiente de trabalho, ou ainda, quando verifico que há outras possibilidades ao meu redor, que podem me trazer maior satisfação.

Embora as decisões sejam importantes, muitas pessoas se abdicam delas, e esperam que o ambiente externo ou alguém promovam as mudanças. Em vez de pedir demissão, espero ser demitido. Em vez de terminar o relacionamento, espero que o outro tome a iniciativa. Ainda que seja cômodo para alguns essa inação, ela pode trazer também consequências negativas devido ao fato das mudanças terem acontecido de forma abrupta e sem planejamento. Ouvir um “não” inesperado é desagradável e pode trazer efeitos com os quais você terá dificuldades em lidar.

É imperativo, portanto, que mudemos a nossa forma de pensar em relação à tomada de decisões. Elas sempre nos mostrarão que algo deu certo, mas que algo também deu errado, ou seja, é como uma balança, de um lado os aspectos positivos da decisão, do outro os negativos. Por isso, pensar antes de agir é inevitável. É o que chamamos costumeiramente de prudência. Mas cuidado, pois quando há excesso de prudência, o resultado pode ser a covardia.

Por que temos medo de ser felizes?

O medo nos acompanha desde os primórdios da humanidade. A frase pode até ser clichê, mas ainda assim é verdadeira. Afinal de contas, sentir medo é algo comum à nossa espécie, mesmo que tenhamos evoluído ao ponto de construirmos barreiras que nos protegem dos perigos do ambiente no qual vivemos.

Trocando em miúdos, vamos criando formas de reduzir a possibilidade do sofrimento, porque é isso que pensamos quando sentimos medo – não sofrer. Não saímos de casa, para não sermos assaltados. Não viajamos de carro, porque podemos nos acidentar. Não dizemos ‘eu te amo’, porque podemos nos arrepender. Não assumimos cargos, porque não queremos ser julgados. Não continuamos os estudos, porque talvez não sejamos aprovados. E assim, o medo nos dá a mão e caminha conosco durante toda a vida, lado a lado…

Não somos felizes, primeiro porque não conseguimos definir muito bem o que é felicidade. Mas mesmos quando conseguimos não o somos, porque temos medo da felicidade. Muitos acreditam não serem merecedores daquele momento feliz que estão vivendo. E logo pensam: “É uma fase. Logo vai passar”. Como se, necessariamente, o fato de eu estar feliz implicasse que logo em seguida algo ruim fosse acontecer, para me mostrar que estar infeliz é o normal. E aí, tempos depois, surge aquela frase: “Eu era feliz e não sabia”.

De certo modo, olhamos a felicidade com o olhar do desejo. Se tenho saúde, uma moradia, um veículo e um emprego, por que não posso ser feliz com o que tenho? Por que não posso olhar para dentro e pensar que isso me basta? Se tenho um casamento feliz, amigos fiéis, uma família que me abraça e me quer bem, por que não posso ser feliz assim? O que mais eu preciso para ser feliz?

Talvez seja aí que resida o problema – o olhar para dentro. Costumamos olhar para fora, para o outro, para o futuro. Esquecemos de olhar pra trás, para ver a nossa evolução. Esquecemos de olhar para dentro, e enxergarmos o que nos é essencial na vida. Temos o olhar míope para o outro, como se a vida dele fosse mais interessante e, dessa forma, mais feliz.

Temos medo de ser felizes, porque a felicidade nos traz consequências, assim como qualquer escolha. Ao escolher ser feliz, pessoas próximas me invejarão, e eu temo a inveja; pessoas cobiçarão meus bens e minha felicidade, e eu não estou preparado para isso; pessoas no meu trabalho me farão críticas quanto ao cargo que ocupo; pessoas do meu convívio duvidarão da minha honestidade nos meus relacionamentos. Escolher é fazer uma opção e carregar consigo todas as consequências do ato.

Quando optamos pela inação, pelo comodismo, abdicamos de ser felizes pelo medo de agir, pelo medo do que os outros vão pensar ou falar de nós. Uma coisa é certa: não vamos deixar de sentir medo. Mas outra é muito mais importante: saber lidar com o medo. E para isso, duas coisas são importantes: a coragem e o hábito.

Para que servem as derrotas?

Vencer é sempre bom! No entanto, é nas derrotas que refletimos mais sobre os nossos erros e acertos e até mesmo sobre a maneira como temos conduzido as nossas vidas.

As derrotas costumam ter um sabor amargo, porque nos trazem um sentimento de decepção, já que a expectativa era de vitória. Muitas vezes choramos e até mesmo colocamos a culpa em alguém. Mas quando o tempo passa e nos mostra que a vida só pode ser vivida e compreendida a partir de um olhar duplo – fracasso e sucesso – aprendemos com a experiência negativa, buscando transformá-la em algo positivo a ser utilizado no futuro.

Derrotas não dizem que somos piores que os outros, e sim que algo dentro de nós precisa melhorar. Perder quando o adversário foi melhor não é humilhante. Desonroso é quando perdemos e procuramos culpados, é quando olhamos para fora em vez de olhar para dentro.

Ao perder, necessitamos também olhar para trás. Onde erramos? Em qual ponto falhamos? Faltou treino, dedicação, esforço? Quando você é aprovado num concurso, geralmente não olha pra trás, não se preocupa com aquelas questões que marcou de forma errada, porque o mais importante você conseguiu. O objetivo foi alcançado. Porém, ao ser reprovado, lembramos e até sonhamos com as questões erradas. Falta de atenção, impaciência, preguiça de pensar, calor, tudo isso pode ter influenciado, mas quando o erro foi motivado por sua falta de estudo, chegamos enfim ao culpado: você.

Mas falo em culpa com o desejo de reflexão. Se o erro foi meu, vou assumi-lo e tentar fazer diferente na próxima vez. A assunção da sua culpabilidade nas derrotas demonstra que você está no caminho certo das conquistas, pois quando olhamos para dentro e aprendemos um pouco mais de nós mesmos (autoconhecimento), temos a oportunidade de mudarmos a rota e com mais segurança chegarmos ao topo.

As vitórias, quando acontecem, nos mostram que o esforço e a dedicação valeram muito a pena. As derrotas, por suas vezes, nos servem como norteadores. São elas que indicam não só o melhor caminho para seguirmos em busca do êxito, mas também que o sucesso profissional passa, em grande medida, por ações que realizamos na vida pessoal.

Infelizmente algumas pessoas costumam separar a vida pessoal da vida profissional, como se só pudéssemos alcançar o sucesso em uma delas e, portanto, fosse necessária uma escolha, uma decisão. Penso que pessoas que se autoconhecem, que são determinadas, dedicadas ou motivadas, e que se esforçam para ter também uma vida pessoal de sucesso – seja no casamento, na criação dos filhos ou no cuidado aos pais – acabam se tornando também excelentes profissionais. É difícil conceber o pensamento de que uma mesma pessoa possa ser um ótimo Administrador na empresa e um péssimo Administrador em casa. Geralmente, antes de sermos bons profissionais, necessitamos ser boas pessoas.

Por isso, ao vencer, simplesmente comemore. Mas quando perder, lembre-se de refletir sobre a derrota. Essa reflexão vai oportunizar que você se conheça melhor e que o seu sucesso profissional vai sempre estar atrelado à sua vida pessoal.

Por que mudar o outro?

O ato de mudar é de cada um. Só mudamos quanto sentimos que a mudança é necessária, e mesmo que alguém insista, clame, implore que mudemos, ela (a mudança) só acontecerá quando sentirmos vontade de mudar.

Sônia é a nossa personagem. A sua beleza se contrapunha às suas crenças. Acreditava piamente que a opinião dos outros importava. E vivia sua vida assim. Suas amizades, suas roupas, seu modo de falar e de agir eram em conformidade com o que a “boa sociedade” exigia. Para piorar, seu marido era o oposto. Sujeito simples, de hábitos comuns, adorava conversar fiado, andar de chinelo e bermuda, e não se importava muito com o que os outros pensavam dele, afinal, como ele dizia “ninguém anda pagando minhas contas”.

Relacionamentos que começam assim, entre pessoas muito diferentes, costumam não ir adiante, especialmente quando o comportamento de um incomoda o outro. Essa história de que os opostos se atraem parece mais coisa de novela que de vida real. Voltando ao casal, Sônia se sentia desprestigiada pelo próprio marido, porque sempre comprava roupas novas e caras, mas quando as usava não se sentia feliz, pois o marido não pensava e agia como ela.

Certo dia Sônia cansou e caiu em prantos antes de um compromisso. Vestida de forma impecável, viu o marido sair do quarto com a camisa do seu time de futebol. A decepção no seu rosto ficou clara e mesmo implorando para que o marido trocasse de roupa, não conseguiu dissuadi-lo. Represando todos os sentimentos ruins, não suportou mais e despejou tudo o que sentia contra o marido. Em seguida caiu em prantos, e o evento que fora sonhado também se desfez.

O marido de Sônia, espantado com o que acontecera, decidiu então mudar. Repensou os prós e contras e resolveu que agradaria a esposa, o que certamente fortaleceria seu casamento. Foi à melhor loja da cidade e encheu as sacolas: tênis, sapatos sociais, camisas de marca, meias, calças etc. Quando chegou em casa, a esposa parecia não acreditar e vendo aquele monte de sacolas e roupas, abraçou e o beijou, e até uma pequena lágrima pôde ser vista rolando pelo seu rosto. Enfim, ela havia conseguido mudar o marido.

Então veio um novo evento. Devidamente arrumados saíram felizes para a festa. O marido se sentindo ainda estranho pelas roupas e Sônia segurando a mão do marido como se fosse um troféu. Alguém consegue adivinhar quem foi o centro das atenções na festa? Quem respondeu ‘o marido de Sônia’ acertou. Foram tantos elogios, brincadeiras, olhares audaciosos, que Sônia passou despercebida. Seu marido, até então não muito sociável, pareceu gostar desse no novo modo de viver e passou a se destacar nos eventos, sempre sorrindo, conversando muito e, principalmente, bem vestido. Passou a marcar compromissos e vestir-se de forma impecável passou a ser um hábito.

E Sônia? Bem, Sônia começou a não se importar tanto com o bem vestir, em comprar novas roupas, nem mesmo frequentar tantas festas. Cada vez mais foi desgostando de sair, até adoecer. Aconselhada por amigas e parentes procurou terapia. Aos poucos foi aceitando que cada um tem suas idiossincrasias e que mudar nem sempre é positivo, especialmente quando a mudança se dá de forma abrupta ou desmotivada.

E o marido de Sônia? Bem, não se sabe muito bem o que ele anda fazendo hoje, somente que não continuou a ser fiel à esposa e que, meses depois pediu o divórcio. Morou sozinho por um tempo e voltou a se vestir como antes, de forma bem simples. A vida de festas, as roupas novas e o relacionamento acabaram, mas parece que a sua essência se manteve.

Nas grandes lições que a vida nos traz todos os dias, Sônia precisou estar sozinha para se conhecer melhor e também aos outros. Já o marido dela precisou mudar externamente para entender que a mudança deve vir de dentro. E ambos descobriram que ninguém muda ninguém!

Você se importa com os detalhes?

Detalhe é algo simples, pequeno, uma particularidade que muitas vezes não damos o valor devido. E ele geralmente aparece ou se torna importante quando menos esperamos.

Você está assistindo a uma aula e sai antes que ela termine. Naqueles últimos quinze minutos o professor explica uma parte do conteúdo que estará presente na próxima avaliação. O aluno perde média exatamente porque não assistiu à explicação e acabou não indo tão bem na prova como esperava.

Paulo não foi aprovado no concurso por causa de uma questão. Essa questão tinha peso três e se tivesse acertado hoje seria servidor público. Karine candidatou-se a uma vaga de emprego na empresa X e chegou atrasada dois minutos para a entrevista marcada para as 15 horas. Resultado? Foi desclassificada.

Fernando saiu cedo de casa para participar de uma entrevista de emprego. Tomou banho, aparou a barba, escovou os dentes, colocou a melhor camisa e foi. Tudo parecia tranquilo até o seu celular tocar durante a entrevista. Resultado? Não foi aprovado.

Detalhes são importantes porque podem definir as nossas vidas – profissional e pessoal. Uma resposta mais ríspida de alguém pode nos indicar o temperamento daquela pessoa com a qual gostaríamos de relacionar. Um inseto na cozinha do restaurante pode significar falta de higiene no estabelecimento. Um minuto, dez centímetros ou uma questão marcada como certa ou errada podem salvar uma vida ou ajudar a destruí-la, levar alguém ao fracasso ou ao sucesso. Infelizmente é assim, é no detalhe que estão as vitórias, e as derrotas também.

Preocupamos demasiadamente com o resultado, mas muitas vezes deixamos o detalhe de lado. Focamos em bater a meta, fazendo de tudo para alcançá-la, mas esquecemos que ao lado tem um colega que não conseguiu e vibramos mesmo assim, porque a derrota dele é apenas um detalhe. O que conta mesmo é a nossa vitória.

Como se pode ver, os detalhes são importantes tanto nas conquistas quanto nos reveses. Olhamos sempre para o centro e esquecemos da periferia. Lemos todo o conteúdo, mas não nos apegamos aos detalhes; limpamos os quartos e as salas e esquecemos a poeira em cima dos móveis, por quê? Talvez porque ninguém esteja vendo, além de nós. É o que achamos, mas pode não ser assim.

Estamos sempre sendo avaliados a todo instante e é nos detalhes que vão escolher entre você e o outro. Uma frase mal colocada, um furo na camisa, um cadarço desamarrado, um piscar malicioso de olho, um toque indevido, uma lágrima ou um sorriso, tudo pode fazer uma grande diferença. O erro e o acerto estão bem próximos, sendo distintos por algo muitas vezes imperceptível – o detalhe.

Por que buscamos definições?

Definir é delimitar. É estabelecer limites. E quando estabelecemos limites, nos tornamos mais tranquilos, pois sabemos que não haverá mudanças e o que precisa ser conhecido, já está estabelecido, visualmente ou mentalmente.

Quando você compra um terreno e constrói muros em seus quatro lados, está delimitando, mostrando o que é seu e o que não é. É mais ou menos assim que definimos as coisas, e também as pessoas.

Falando das pessoas, gostamos de defini-las para entendê-las e assim saber conviver com elas ou, de outro modo, afastar-se delas. Se você posta em suas redes sociais que é politicamente de esquerda, algumas pessoas que são de direita deixarão de segui-lo, porque você não serve para elas. E vice-versa.

Se você vai a uma loja de calçados e por qualquer motivo sai de lá insatisfeito, com o atendimento ou com a estrutura física, define que o estabelecimento é péssimo e que, portanto, não mais o frequentará. De certa forma seu cérebro gastará menos energia, porque todas as vezes que você se decidir a sair de casa para ir a uma loja de calçados, automaticamente terá menos opções, afinal de contas, você não voltará àquele lugar, correto?

As pessoas gostam de definições, tanto para o bem quanto para o mal. Nas eleições, por exemplo, escolhemos um candidato e o definimos como o melhor. Mas mesmo ele não demonstrando ser tão bom após os primeiros dois anos de mandato, insistimos em nossa escolha, porque mudar de ideia, voltar atrás, reconhecer o erro, pedir desculpas, dar o braço a torcer, é sempre mais difícil que assumir a possibilidade de que a nossa definição estava incorreta.

O problema de definir é que também rotulamos. Você discute com o garçom e decide que nunca mais volta àquele bar. Rotula-o como mal educado e o local como ruim e ainda conta a história para todas as pessoas com quem convive. Mas na discussão quem estava certo? Quem estava errado? É possível definir isso?

Quando definimos que algo é ruim ou bom para nós, estamos criando crenças. Acreditamos que o nossa religião é melhor que a do outro. Acreditamos que as pessoas da nossa família são as mais confiáveis. Acreditamos que o nosso entendimento político é o mais correto. Acreditamos que as pessoas que se vestem bem são mais bem sucedidas. E por aí vai…

Repito: definir é colocar limites. Se você conhece a palavra manga como sendo um fruto, esse é o seu limite. Você o definiu. No entanto, quando você pesquisa a mesma palavra na internet ou num dicionário, verá que ela tem mais de quatro significados. O que isso quer dizer? Que precisamos pesquisar e conhecer a fundo tudo aquilo que nos cerca, sejam objetos, sejam pessoas. Que definir alguém por um ato ou por um pensamento ou mesmo modo de vida, pode ser arriscado, porque fatalmente perderemos a oportunidade de compreender que todos somos humanos, e como tal, temos defeitos, mas também virtudes.

O que é respeito?

No dicionário, respeito é o “sentimento que leva alguém a tratar as outras pessoas com grande atenção e profunda deferência, consideração ou reverência”.

Ainda na infância aprendemos a ter respeito pelos nossos pais. Chamá-los de “senhor” e “senhora”, pedir a benção, perguntar se pode ou não realizar determinada ação. Enfim, o respeito passa ou passava pelo “sim” ou “não” daqueles que nos educavam.

Na sala de aula também aprendemos a respeitar o professor. É ele quem manda. E nós obedecemos! Porque o professor é o mestre, ele sabe tudo, ele é a autoridade, e ao entrar ou sair da sala, pedimos permissão. Respeitamos ainda o docente, pois ele é mais velho que nós, e como tal devemos seguir as regras por ele impostas.

Na adolescência começamos então a nos tornar rebeldes, e perdemos um pouco, para outros muito, do respeito que adquirimos até então. Nos descobrimos “os donos da verdade” e cheios de razão passamos a questionar tudo e todos, ainda que a relação de dependência continue existindo entre pais e filhos.

Quando saímos da casa dos pais ou nos tornamos adultos é que a grande mudança acontece. Agora somos nós que mandamos em nossas casas e, sendo assim, quem dita as regras não é mais o professor, quem diz “sim” ou “não” não são os nossos pais. O comando mudou de mãos e o respeito parece mudar de significado.

Alguns descobrem com o tempo que chamar o pai ou a mãe de senhor e senhora não é tão importante, mas a forma como tratá-los sim. Outros descobrem que o respeito ao professor não deve ou não devia ser pelo seu cargo de docente ou autoridade em sala de aula, e sim por ser um profissional exemplar. Descobrimos ainda que o respeito não está na fala, no gesto ou na formalidade dos cargos, e sim no comportamento das pessoas, e a isso damos o nome de exemplo.

Sempre que falamos de respeito, precisamos entender que o ato de respeitar passa pelo exemplo que tivemos em casa, na sala de aula, na igreja, ou em qualquer outro lugar. Se não respeito a minha posição numa fila de supermercado, é porque em algum momento vi meus pais ou parentes fazendo a mesma coisa. Se não respeito a placa de proibido estacionar, é porque presenciei alguém que me cobrava respeito fazendo o mesmo. O que eu fiz? Segui o exemplo.

Que possamos ter o cuidado e a coerência de não exigirmos respeito aos outros, e agirmos de forma contraditória ao que pregamos em nosso discurso. Respeitar tem a ver com ação, com exemplo, com o real e não com o que idealizamos. Que mesmo não sendo pais ou professores, possamos ser exemplos silenciosos para os outros, seja cedendo o lugar a um idoso numa fila, seja parando antes das faixas para pedestres, seja seguindo as normas da empresa, enfim, que ao cometimento de qualquer ato ético em relação aos outros, possamos deixar clara a mensagem que respeitar o seu semelhante é como dizer a ele: “Você é importante pra mim”!