E quando chegar o fim?

Assim como num filme nossa vida tem começo, meio e fim. Contudo, diferente dos filmes, lembramos um pouco do começo, preocupamos muito com o meio e quase sempre nos esquecemos do fim…da vida.

Nos filmes ficamos ansiosos pelo fim, na vida fazemos questão de esquecê-lo. Se o gênio da lâmpada nos aparecesse, certamente três pedidos comuns seriam: a felicidade, a riqueza e a imortalidade. E passamos o período da vida chamado “meio”, buscando esses três desejos.

Primeiramente queremos ser ricos, porque sendo ricos seremos felizes. Ledo engano! É impossível definir a felicidade, porque ela é de cada um, individual, e o meu ser feliz é diferente do seu ser feliz. Posso ser feliz tomando uma cerveja barata no pior boteco do mundo. Posso ser feliz tomando a cerveja mais cara no melhor restaurante do planeta. Onde está a diferença? Está na companhia. Se estou rodeado de pessoas que amo, a felicidade não tem preço, não tem marketing, não tem objetivo.

“Dinheiro não traz felicidade”. Acredito que a frase é dita principalmente por quem tem dinheiro. Porém, não acho que dinheiro traga felicidade sempre, mas propicia, e muito, momentos prazerosos e de tranquilidade. Ter uma casa confortável, um bom veículo, plano de saúde, poder viajar sempre que possível, conhecer outros lugares e pessoas, são regalias que o dinheiro lhe permite. Momentos de prazer e alegria podem ser proporcionados pela riqueza, mas eles sempre darão lugar, em algum instante, à tristeza, à dor e à tristeza. E isso ocorre, em grande medida, ao fato de nos apegarmos muito ao que é ruim, em vez de enaltecer as coisas boas que nos acontecem na vida.

Falamos de riqueza e de felicidade, e poderíamos pensar que isso nos basta. Ser ricos e felizes nos tornariam seres humanos completos, afinal, não é isso que todos querem? Certamente não. Queremos ser imortais, porque estar feliz ou rico não nos anima, se quando olhamos para o futuro enxergamos a morte, que será o nosso último fracasso. E quem quer fracassar?

Passamos então a acumular bens e dinheiro, fazemos atividade física, vamos ao médico mais vezes, passamos por tratamentos e cirurgias que parecem nos garantir vida longa, beleza, o regresso à juventude que se foi. Não satisfeitos, e sabedores que somos do fim que nos espera, procriamos, escrevemos livros, plantamos árvores, construímos prédios, enfim, agimos de modo que alguma obra fique, para que não caiamos no esquecimento e que algum legado possamos deixar.

Felicidade, riqueza e imortalidade nos perseguirão todos os dias de nossas vidas. Serão nossos objetos de consumo, porque os desejamos avidamente, pois sabemos que só desejamos aquilo que não temos, aquilo que nos falta. Devemos então sofrer por isso? Não, porque o sofrimento, assim como a felicidade, é uma opção individual. O ter ou não ter é uma escolha sua. Mas quando chegar o fim, não haverá mais opções. Por isso, viva cada momento de sua vida como se fosse o último, não fazendo dela um martírio, e sim uma possibilidade de se chegar ao fim e poder dizer: “Eu vivi”.

Você é colaborador ou empregado?

Colaborador para o dicionário é aquele que colabora ou que ajuda outrem em suas funções. É quem produz com outros qualquer trabalho ou obra, coautor.

Percebam que quando falamos de colaborar, temos a ideia de cooperação. Colaborar seria ajudar o outro a fazer algo. Mas no ambiente de trabalho nós estamos dispostos a isso? Quem vai receber o mérito pela obra acabada? Eu? Você? Todos? O nosso chefe? A empresa?

Nas empresas e instituições somos lembrados a todo instante que o trabalho é ou deveria ser em equipe, mas nem sempre a equipe é valorizada pelo seu desempenho. No final é a figura do chefe, administrador, gerente, coordenador, diretor, ou mesmo do dono que vai aparecer. Parece que depois da meta alcançada os aplausos são só dele. “É o líder”, alguns vão dizer, mesmo não sendo. “É o grande maestro que conduziu a orquestra”. E o que resta aos empregados? Serem chamados de colaboradores.

“Fulano é meu colaborador há cinco anos”. Não, ele não é! Ele está recebendo um salário (bom ou ruim) para desenvolver determinadas tarefas e atribuições, e se seu desempenho for ruim ou não decidir colaborar, certamente será demitido. Aí não será mais um ex-colaborador e sim um desempregado.

No ambiente organizacional, quem manda está sempre tentando motivar quem obedece. É a realidade. O problema é que, como já disse em outras oportunidades, ninguém motiva ninguém. E então o que fazer? As empresas adotam duas formas de motivação: punição ou recompensa.

No tocante à punição, donos ou chefes ameaçam o empregado dizendo a ele: “Se você não quer o emprego, tem uma fila de gente lá fora querendo”. É como aquele gestor que ao pagar o salário mínimo no final do mês acha que está fazendo um favor para o empregado, e não cumprindo uma obrigação anteriormente acordada.

No que diz respeito à recompensa, bons trabalhos realizados podem ser reconhecidos, ou com um valor a mais na remuneração, com elogios, possibilidade de promoção, e até mesmo uma pizza para a equipe que atingiu a meta (isso mesmo, uma pizza!). Nessas horas fico me perguntando se o sujeito é colaborador ou empregado, porque se ele realmente fosse colaborador, certamente pediriam sua opinião antes de premiá-lo com uma pizza.

O fato é que as empresas buscam de todas as formas descobrir essa tal motivação nos seus empregados, e em vez de perguntarem a eles, preferem tentar adivinhar, oferecendo-lhes exatamente o que eles não querem, demonstrando uma imensa falta de empatia.

Lembrem-se que filhos adulam seus pais quando querem ganhar um presente. E chefes chamam seus subordinados de colaboradores quando querem bater a meta.

Por que gostamos de sofrer?

Há uma frase famosa, atribuída a vários autores, que diz que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Eu vou além, e digo que o ser humano, diante dessa opção, sempre escolhe sofrer.

Mas não seria irracional escolher sofrer? Sim, a escolha pelo sofrimento é emocional, mas quando fazemos nossas opções acreditamos que estamos sendo racionais. Vou tentar explicar.

Imagine que você mora numa casa alugada e vive uma vida tranquila. De repente alguém lhe diz: “Estão financiando algumas casas em determinado bairro. Você não gostaria de ter sua própria casa e sair do aluguel”? Nos abalamos emocionalmente com a pergunta e nos esquecemos de fazer o básico, que é perguntar a nós mesmos se é isso que realmente queremos ou podemos fazer naquele momento. É o que comumente chamamos de autoconhecimento. Se você se conhece, saberá o momento exato de tomar uma decisão tão importante como essa. E quando isso acontecer é você quem fará essa pergunta e não seu vizinho, amigo ou parente.

Sofremos porque ouvimos os outros e não a nós mesmos. Mudar de casa, sair do aluguel, começar uma faculdade, comprar um carro, fazer uma viagem longa, mudar de emprego, pegar um financiamento, casar, ter filhos, mudar de vida, tudo isso requer escolhas que passam por uma única pessoa: você. É você quem vai decidir sua vida e não os outros.

Se você optar por sair do aluguel para comprar sua própria casa, o sofrimento será somente seu. Por isso, é você quem deve escolher o momento correto de iniciar a mudança. Sair do aluguel implica em novas contas, em burocracias, em continuar naquele emprego chato, mas que lhe garante o sustento, na redução de gastos com supérfluos, no convívio com novos vizinhos, na possibilidade de insônia diante do financiamento, enfim, de tudo que é novo, porque o novo traz sofrimento também.

Gostamos de sofrer porque nos alienamos com os sonhos alheios, achando que as pessoas que nos são próximas sempre querem o melhor para nós. Nem sempre isso vai acontecer. Sofremos porque acreditamos que o melhor está fora de nós e não dentro. São os objetos que preciso, mas que não precisava até alguém me dizer que são importantes, até assistir uma propaganda na televisão.

O pior é que vamos continuar sofrendo e reclamando do sofrimento, porque sempre optaremos pela opinião alheia, fazendo escolhas externas, que não nos trarão paz, mas a tranquilidade de que vão agradar aos outros, como se os outros fossem dividir conosco as contas, as dores e os sofrimentos.

Qual caminho seguir?

Esta é, sem dúvidas, uma das maiores dúvidas do ser humano.  Qual caminho seguir?

Ao me fazer essa pergunta, a impressão que tenho é a de que existem vários caminhos disponíveis e, sendo assim, basta que eu escolha o melhor. Mas qual é o melhor caminho? Como escolhê-lo? Não há resposta única. E o problema é que muitas vezes os caminhos simplesmente não existem, ou seja, somos nós quem vamos construí-los.

Alguém pode dizer que a escolha de um bom caminho passa obrigatoriamente pela racionalidade. Sendo racional farei sempre a melhor escolha, afinal, quem escolheria sofrer fazendo uma escolha ruim? A grande questão é ter essa certeza. Temos caminhos já pavimentados, não por nós, mas pelos outros, como nossos pais e familiares, colegas e amigos. Quer ver um deles? Estudar, formar-se num curso superior, trabalhar, namorar, casar, ter filhos, ter uma casa própria e um bom carro. São esses seus objetivos? Se sim, o seu caminho já está pronto, falta apenas percorrê-lo.É um bom caminho? Não sei. A resposta é sua.

Mas é preciso sempre lembrar algo importante: somos todos diferentes! Muitos não querem seguir esse caminho. Nesse caso, o trabalho virá antes dos estudos, pois a questão financeira tem um peso maior. Outros não vão querer casar, muitos não querem ter filhos, assim como não ter uma casa própria ou um bom carro pode não ser o sonho de outros tantos. Lembrem-se: não há um único caminho!

É preciso entender que alguns caminhos já existem claramente e outros ainda não, mas, diante dessas possibilidades, é você quem deve escolher entre um e outro, assumindo o seu livre-arbítrio, a sua liberdade de escolha. Como? No dia a dia, no viver, no caminhar, na compreensão de que cada dia deve ser vivido intensamente, não pelos outros, mas por você.

Resumindo: importante mesmo é compreender que não existem caminhos certos ou errados, e que é você o responsável pelo caminhar. Quando isso vai acontecer? Quando você decidir dar o primeiro passo.

Você é de direita ou de esquerda?

Perguntas como essa são bastante comuns nos nossos dias. Mas por que temos que definir o lado? Simplesmente porque as pessoas querem separar. Ou você torce para o time A ou você torce para o time B. E se você não quiser escolher? E se buscarmos uma terceira opção? E se quisermos ficar em cima do muro? 

Parece muito estranho ter que definir, e é. As pessoas buscam respostas definitivas, sempre dicotômicas, é sim ou não, feio ou belo, gordo ou magro, homossexual ou heterossexual, preto ou branco. Por que isso? Porque quando você se define, o outro sabe com quem está lidando e pode decidir, se te segue ou se afasta de ti.

Se me defino de esquerda, os de direita me odiarão, e deixarão pra trás as minhas qualidades, esquecerão minhas boas ações, colocando-me no rol dos excluídos. Minha opinião não mais valerá, ainda que com embasamentos. Da mesma forma, se me proclamo de direita, os de esquerda se afastarão, como se eu tivesse uma doença contagiosa, e minhas virtudes serão trancafiadas num baú velho, esquecidas num quarto escuro.

Como disse antes, dividir é o objetivo. Quando divido, coloco em lados opostos, desuno, separo. E o que ganhamos com isso? Nada. Talvez a liberdade em fazer uma escolha, ainda que ela seja inútil, sem propósito. Escolher um lado parece ser mais relevante que tentar entender os dois. E quando fazemos a escolha, nada mais enxergamos, só aquilo que definimos como certo. A isso damos o nome de fanatismo.

Fanáticos são aqueles que fecham os olhos para os erros e os problemas daqueles de quem gostam e, especialmente, atacam aqueles que pensam de modo diferente deles. Certa vez escutei a seguinte frase: “Ou Fulano é meu amigo ou é meu inimigo”. Mas não existe o meio termo? Uma régua só tem extremos? Onde estão os meios? Cadê o equilíbrio?

Difícil se manter no meio, principalmente quando as extremidades da corda são agitadas de tão modo, que o medo de cair te faz pender para um lado. Mas sabemos que o medo é mais da imaginação que da realidade, e ele só poderá ser vencido com o hábito. Neste caso, habituo-me a ler, não só por fruição, mas por obrigação de conhecer os dois lados (se é que não existem mais). Conheço tipos socialistas que nunca leram Karl Marx, assim como liberais que desconhecem Adam Smith. Como então propor um diálogo, se não sei o que estamos discutindo?

No final, descubro que não consigo resolver as dicotomias do mundo, porque elas nunca serão resolvidas. E isso é a parte boa! Porque se fôssemos todos iguais, graça nenhuma haveria em poder conhecer o outro e tentar entendê-lo. Por isso, quando alguém me pergunta qual o lado vou escolher, eu respondo: “O lado de dentro”.

O que é preciso para ser um bom professor?

A profissão de professor é uma das mais belas, e talvez um dos grandes motivos para tal seja que ele (o professor), à semelhança de um deus onipresente, esteja em todos os lugares. Na escola particular, na pública, com giz, pincel ou projetor de multimídia, na saliva, no gestual, no quadro verde ou de vidro, na sala com porcelanato ou no chão batido, ele sempre vai estar presente.

Questionamentos podem surgir quanto ao profissional, isso é óbvio. Lembro que em todas as áreas temos bons e maus profissionais. Mas neste texto vamos ver o copo meio cheio, pois é do bom professor que vamos falar. Aquele que se torna exemplo, quando ninguém da família consegue ser. O que instrui, indica, insiste, que não se preocupa tanto com a nota, que não vê o aluno como número e sim como gente, aquele que fornece o principal alimento – o saber.

O bom professor é igual ao bom aluno: gosta de aprender. É curioso, pergunta, muda, aceita novas possibilidades, discute, é aberto ao diálogo, acredita sempre, mesmo com um pé atrás. Aliás, por falar em curiosidade, essa é uma qualidade que tem faltado a nós, que somos ou que já fomos professores, e também aos alunos. Porque ser curioso é buscar conhecimento, é procurar a fonte, é perguntar “por quê”? E um porque sim nunca será aceito, porque queremos sair da caverna.

O que mais admiro no professor é a sua qualidade em aprender, e não em ensinar. Se ele está disposto a aprender, estará a ensinar, porque o processo de aprendizagem é assim, uma via de mão dupla. Aprender é buscar respostas, ainda que elas não estejam todas disponíveis. Ensinar também é importante, porque tem a ver com empatia. Quando tento ensinar me coloco no lugar do outro, e procuro em todos os caminhos possíveis aquele que vai despertar o interesse, a atenção e o desejo, não só do aprender, mas principalmente do apreender, tomando posse do conhecimento e buscando sua compreensão.

O bom professor sempre será lembrado. Alguém disse que um exemplo vale mais que mil palavras. E é verdade. O exemplo é o espelho para o qual olhamos e desejamos ser. Por isso, a responsabilidade em ser professor é grandiosa e torna a quem o é modelo, não modelo como verdade, mas um molde no qual, com as devidas adaptações, vou me formando.

De todos os professores que tive, os melhores foram aqueles que me corrigiram, não com o intuito de se mostrarem certos, mas com o objetivo de me fazer pensar. O que importa não é saber que dois mais dois são quatro, mas porque são quatro e como chegamos a essa resposta. O que vale a pena é a metodologia e não o resultado. Não é chegar ao final, e sim poder caminhar. Assim deve ser, ou pelo menos deveria ser. É como dizia Rubem Alves: “Educar não é ensinar respostas. Educar é ensinar a pensar”.

Você faz o que gosta?

Fazer o que gosta é sempre difícil, porque dificilmente conseguimos definir do que gostamos. Para tanto, precisamos nos autoconhecermos, e quem sabe assim, conseguirmos agir conforme os nossos gostos.

É preciso pontuar que fazer o que gosta não está só relacionado ao trabalho. Sabemos que o trabalho é importante, mas que ele ocupa (ou deveria ocupar) apenas um terço do nosso tempo. Além do lado profissional, é válido ressaltar, precisamos também fazer coisas ou agir de acordo com aquilo em que acreditamos e sentimos satisfação.

Na vida pessoal, fazer o que gosta tem a ver com ouvir as músicas que te emocionam, ler livros de assuntos que lhe dão prazer, assistir filmes que o fazem refletir ou simplesmente que te façam sorrir. Por que digo isso? Porque temos uma forte tendência a querer agradar os outros e esquecemos, ou deixamos de lado, as nossas preferências, os nossos gostos.

Prefiro escrever sobre temas que tratam situações ou sentimentos vividos, e não sobre pessoas de modo específico. Nesse sentido, fazer o que gosto demonstra mais sobre minha personalidade que tentar entender ou criticar a dos outros. Muitas vezes deixamos de expor o que pensamos ou sentimos, por temer a reação dos outros, e acabo me preocupando demasiadamente com a opinião alheia. Exemplificando, se você gosta de ler livros de autoajuda, não tenha vergonha de dizê-lo, é um gosto seu, que diz respeito a você e ninguém tem a nada a ver com isso. Fazer o que se gosta é mais importante!

Cozinhar, costurar, escrever, dançar, pintar, bordar, cantar, maquiar, tocar um instrumento musical, enfim, tudo é arte, e se você acredita, talvez seja porque sua autoestima anda muito baixa. Fazer arte é fazer o que gosta. Você o faz porque lhe dá prazer e não porque queira impressionar alguém, ou que tente impor às pessoas o seu gosto ou modo de enxergar a vida.

Por isso, leia o que quiser, chore quando sentir vontade, abrace alguém e diga-lhe o quanto o considera importante, e escute no volume que desejar a sua música preferida, porque é isso que nos trará paz de espírito, proporcionando-nos o entendimento que fazer o que gosta tem mais a ver com emoção que com razão. Por isso, se o mundo te chamar de irracional, sorria, e seja feliz fazendo o que gosta.

E quando o fracasso bater à sua porta?

Fracassar é um verbo proibido na nossa sociedade. Ser reprovado, não bater a meta, não atingir os objetivos, perder…Tudo isso reflete numa única palavra: Fracasso.

No entanto, inevitavelmente o fracasso vai bater à sua porta algum dia, seja profissional ou pessoalmente. Afinal de contas, fracassar parece ser bem mais fácil que vencer, que triunfar. O xis da questão é saber como nos reagiremos diante dele.

Quando praticamos algum esporte, temos a consciência de que a derrota faz parte do jogo. Perder ou ganhar é então uma conseqüência. Então focamos sempre nisso, ou seja, no resultado. Existem duas formas para analisarmos uma derrota ou um fracasso, já que quando ganhamos geralmente não pensamos nisso, somente em comemorar. A primeira delas é se julgar inferior e reconhecer que o adversário ou que as circunstâncias tiveram um forte peso na disputa. A segunda é reconhecer que algumas coisas precisam ser mudadas e elas só acontecerão por uma via: Atitude!

Ao falarmos de uma partida de futebol, por exemplo, sabemos quem são os nossos adversários. Já quando o assunto é a nossa vida, objetivos pessoais e profissionais, os nossos adversários podem ser muitos, incontáveis, e principalmente imaginários. Quer um exemplo? O medo. Ele não existe fora de nós, não é palpável, não o enxergamos, mas sabemos que ele existe, que está bem próximo. É coisa da nossa imaginação, mas existe!

Perder dói! E a dor é muitas vezes insuportável. Mas pior que a dor, é encontrar culpados para ela. Quando você fica gripado, sempre acha um culpado. Foi o sereno, foi a chuva, foi o ar-condicionado, foi Fulano que “te passou a gripe”. É preciso mudar o olhar! E olhando para dentro, talvez possamos descobrir a causa da dor. Falta de vitaminas no organismo, vida desregrada, alimentação ruim, baixa imunidade etc.

Os fracassos, as derrotas, as dores, podem também serem chamadas de contingências, ou seja, em algum momento, de forma inesperada, surgirão em nossas vidas, nós querendo ou não! Muitas vezes não nos preocupamos com o fracasso, porque estamos sempre vencendo e comemorando, fazendo com que ele se torne invisível para nós. E isso é salutar…até certo ponto.

Mas se ele um dia bater à sua porta, lembre-se que ao abri-la você precisa ter um olhar diferente para ele. Primeiro você vai olhar para dentro e em seguida pra fora.

O que é o amor?

Será que conseguimos definir o que é o amor? Acho difícil, mas vamos tentar.

Quando mais novos, confundimos amor com paixão, dizendo a todo instante ao outro “eu te amo”. Descobrimos com o tempo que falar é mais fácil que sentir. Como costumo dizer: “A paixão vem cedo, mas o amor só chega mais tarde”. E é a maturidade que nos faz perceber que amar envolve muito mais sentimentos e ações que apaixonar. A paixão é fugaz, efêmera, passageira. O amor é tenaz, forte, duradouro.

Amamos não só na presença do outro, mas principalmente na sua ausência. Se viajo, penso: “Ela gostaria de estar aqui vendo essa paisagem ou visitando aquela loja”. Se ela sai, pensa, “vou compartilhar com ele o que vivi na sua ausência”. Amar rima com abdicar, abir mão, renunciar, mas não sofrer com a atitude tomada, e sim fazê-lo de boa vontade, em função do outro. Nesse sentido, amar é sempre uma troca, na qual o que vale mais é a felicidade do outro: “Se você está feliz, eu também estou”.

Contudo, vivemos num mundo cada vez mais líquido e individualista, e assim sendo não é simples encontrar alguém que troque sua felicidade pela do outro, porque a própria palavra diz “troca”, ou seja, os dois dão, mas também recebem. É por isso que repito que casamento tem mais a ver com parceria que com amor. Porque quando amamos, penso muito mais na minha parceira que em mim e vice-versa. E se pensamos assim, o principal objetivo que temos em comum será alcançado – estar juntos e felizes.

Como se pode ver, é complicado explicar o amor, mais difícil ainda é limitá-lo, talvez porque ele não seja racional, padronizado ou possua uma fórmula que possamos sempre utilizar.

Pra mim, a frase que melhor define ou que se aproxima do conceito de amor é “quem ama cuida”.

Vivemos num mundo padronizado?

“Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental” disse o poeta Vinícius de Moraes. Mas pergunto: O que é o feio? E o que é o belo? Alguém pode definir? Por que os cabelos crespos são chamados de ruins? Por que tantos sorrisos nas fotos? Ser feliz é um padrão de vida?

Vivemos num mundo padronizado, seja pela moda, seja pelas tendências; a ideia do que é belo passa pelo artificial, pela montagem, por definições que não condizem com o todo, mas pela maioria. Uma maioria que aponta, que escolhe e define a vida de tantos. O que é bom não passa mais pelo nosso crivo e sim dos outros, dos especialistas, dos estudiosos, dos famosos. São eles que sabem dizer o que é bom e o que é ruim, pra eles e também pra nós.

Guiados pelas mídias que dizem seguir as tendências, passamos dessa forma a optar pelo padrão. Corpo escultural, sorriso brilhante, cabelos lisos, olhos claros, barriga definida ou negativa. Está aí o padrão de beleza. Definido por quem? Por mim? Por você? Ou pelos outros?

Sofremos demasiadamente com os padrões, sejam físicos ou comportamentais. Mas mesmo assim queremos segui-los. Não fazemos mais escolhas pelo que gostamos, e sim por aquilo que nos oferecem como padrão. Trocamos o café pelo chá, porque o chá ajuda no emagrecimento. A esteira da academia toma o lugar da caminhada ao ar livre, porque não basta fazer atividade física, é preciso que todos vejam que eu estou pagando.

Padronizamos os afetos sem nos dar conta disso. Dia das mães. Dia dos pais. Dia dos namorados. Dia internacional da mulher. Se esquecemos de parabenizar alguém nessas datas, somos desumanos, não gostamos mais quanto antes, e seremos durante muito tempo julgados. Dar presentes no Natal, reunir a família, dizer que ela é importante, demonstrar carinho pelas crianças, casar, ter filhos, ter uma profissão, postar que é ou está feliz…tudo isso é sinônimo de vida – uma vida padronizada.

Ninguém quer amar o feio, porque ele é diferente. O feio não perde tempo fazendo selfies. Ele não posta suas felicidades, ainda que poucas e reais. A vida dele não é interessante, porque não interessa a ninguém o seu corpo disforme ou a sua felicidade em comer um pote de doce ou se embriagar num dia de semana. Os padronizados gritam: “Desse jeito você vai morrer”! Como se os belos e magros fossem viver para sempre. Devemos desejar ter saúde, mas para viver, não para mostrar aos outros. E lembre-se: o corpo ideal sempre vai ser o seu.

Competimos o tempo inteiro, porque a competição é também padronizada. Competir é importante e vencer é mais ainda. As vitórias são sempre merecidas. Elas têm mérito. Guardem essa palavra: “mérito”. Existe mérito quando as oportunidades são diferentes? Não vale mais competir, o que vale mesmo agora é ganhar. A medalha de segundo colocado não serve, jogamos ela fora.

Para não me alongar, termino com um ditado africano que diz “até o leão aprender a escrever, a história exaltará a versão do caçador”. Assim continuamos reverenciando o caçador, nos curvando à maioria, achando que o mais importante é ser o melhor, é ser o mais belo. Talvez um dia, quando aprendermos a olhar pra dentro, descobriremos que a beleza interior vale muito mais que qualquer estereótipo.