Você se importa com os detalhes?

Detalhe é algo simples, pequeno, uma particularidade que muitas vezes não damos o valor devido. E ele geralmente aparece ou se torna importante quando menos esperamos.

Você está assistindo a uma aula e sai antes que ela termine. Naqueles últimos quinze minutos o professor explica uma parte do conteúdo que estará presente na próxima avaliação. O aluno perde média exatamente porque não assistiu à explicação e acabou não indo tão bem na prova como esperava.

Paulo não foi aprovado no concurso por causa de uma questão. Essa questão tinha peso três e se tivesse acertado hoje seria servidor público. Karine candidatou-se a uma vaga de emprego na empresa X e chegou atrasada dois minutos para a entrevista marcada para as 15 horas. Resultado? Foi desclassificada.

Fernando saiu cedo de casa para participar de uma entrevista de emprego. Tomou banho, aparou a barba, escovou os dentes, colocou a melhor camisa e foi. Tudo parecia tranquilo até o seu celular tocar durante a entrevista. Resultado? Não foi aprovado.

Detalhes são importantes porque podem definir as nossas vidas – profissional e pessoal. Uma resposta mais ríspida de alguém pode nos indicar o temperamento daquela pessoa com a qual gostaríamos de relacionar. Um inseto na cozinha do restaurante pode significar falta de higiene no estabelecimento. Um minuto, dez centímetros ou uma questão marcada como certa ou errada podem salvar uma vida ou ajudar a destruí-la, levar alguém ao fracasso ou ao sucesso. Infelizmente é assim, é no detalhe que estão as vitórias, e as derrotas também.

Preocupamos demasiadamente com o resultado, mas muitas vezes deixamos o detalhe de lado. Focamos em bater a meta, fazendo de tudo para alcançá-la, mas esquecemos que ao lado tem um colega que não conseguiu e vibramos mesmo assim, porque a derrota dele é apenas um detalhe. O que conta mesmo é a nossa vitória.

Como se pode ver, os detalhes são importantes tanto nas conquistas quanto nos reveses. Olhamos sempre para o centro e esquecemos da periferia. Lemos todo o conteúdo, mas não nos apegamos aos detalhes; limpamos os quartos e as salas e esquecemos a poeira em cima dos móveis, por quê? Talvez porque ninguém esteja vendo, além de nós. É o que achamos, mas pode não ser assim.

Estamos sempre sendo avaliados a todo instante e é nos detalhes que vão escolher entre você e o outro. Uma frase mal colocada, um furo na camisa, um cadarço desamarrado, um piscar malicioso de olho, um toque indevido, uma lágrima ou um sorriso, tudo pode fazer uma grande diferença. O erro e o acerto estão bem próximos, sendo distintos por algo muitas vezes imperceptível – o detalhe.

Por que buscamos definições?

Definir é delimitar. É estabelecer limites. E quando estabelecemos limites, nos tornamos mais tranquilos, pois sabemos que não haverá mudanças e o que precisa ser conhecido, já está estabelecido, visualmente ou mentalmente.

Quando você compra um terreno e constrói muros em seus quatro lados, está delimitando, mostrando o que é seu e o que não é. É mais ou menos assim que definimos as coisas, e também as pessoas.

Falando das pessoas, gostamos de defini-las para entendê-las e assim saber conviver com elas ou, de outro modo, afastar-se delas. Se você posta em suas redes sociais que é politicamente de esquerda, algumas pessoas que são de direita deixarão de segui-lo, porque você não serve para elas. E vice-versa.

Se você vai a uma loja de calçados e por qualquer motivo sai de lá insatisfeito, com o atendimento ou com a estrutura física, define que o estabelecimento é péssimo e que, portanto, não mais o frequentará. De certa forma seu cérebro gastará menos energia, porque todas as vezes que você se decidir a sair de casa para ir a uma loja de calçados, automaticamente terá menos opções, afinal de contas, você não voltará àquele lugar, correto?

As pessoas gostam de definições, tanto para o bem quanto para o mal. Nas eleições, por exemplo, escolhemos um candidato e o definimos como o melhor. Mas mesmo ele não demonstrando ser tão bom após os primeiros dois anos de mandato, insistimos em nossa escolha, porque mudar de ideia, voltar atrás, reconhecer o erro, pedir desculpas, dar o braço a torcer, é sempre mais difícil que assumir a possibilidade de que a nossa definição estava incorreta.

O problema de definir é que também rotulamos. Você discute com o garçom e decide que nunca mais volta àquele bar. Rotula-o como mal educado e o local como ruim e ainda conta a história para todas as pessoas com quem convive. Mas na discussão quem estava certo? Quem estava errado? É possível definir isso?

Quando definimos que algo é ruim ou bom para nós, estamos criando crenças. Acreditamos que o nossa religião é melhor que a do outro. Acreditamos que as pessoas da nossa família são as mais confiáveis. Acreditamos que o nosso entendimento político é o mais correto. Acreditamos que as pessoas que se vestem bem são mais bem sucedidas. E por aí vai…

Repito: definir é colocar limites. Se você conhece a palavra manga como sendo um fruto, esse é o seu limite. Você o definiu. No entanto, quando você pesquisa a mesma palavra na internet ou num dicionário, verá que ela tem mais de quatro significados. O que isso quer dizer? Que precisamos pesquisar e conhecer a fundo tudo aquilo que nos cerca, sejam objetos, sejam pessoas. Que definir alguém por um ato ou por um pensamento ou mesmo modo de vida, pode ser arriscado, porque fatalmente perderemos a oportunidade de compreender que todos somos humanos, e como tal, temos defeitos, mas também virtudes.

O que é respeito?

No dicionário, respeito é o “sentimento que leva alguém a tratar as outras pessoas com grande atenção e profunda deferência, consideração ou reverência”.

Ainda na infância aprendemos a ter respeito pelos nossos pais. Chamá-los de “senhor” e “senhora”, pedir a benção, perguntar se pode ou não realizar determinada ação. Enfim, o respeito passa ou passava pelo “sim” ou “não” daqueles que nos educavam.

Na sala de aula também aprendemos a respeitar o professor. É ele quem manda. E nós obedecemos! Porque o professor é o mestre, ele sabe tudo, ele é a autoridade, e ao entrar ou sair da sala, pedimos permissão. Respeitamos ainda o docente, pois ele é mais velho que nós, e como tal devemos seguir as regras por ele impostas.

Na adolescência começamos então a nos tornar rebeldes, e perdemos um pouco, para outros muito, do respeito que adquirimos até então. Nos descobrimos “os donos da verdade” e cheios de razão passamos a questionar tudo e todos, ainda que a relação de dependência continue existindo entre pais e filhos.

Quando saímos da casa dos pais ou nos tornamos adultos é que a grande mudança acontece. Agora somos nós que mandamos em nossas casas e, sendo assim, quem dita as regras não é mais o professor, quem diz “sim” ou “não” não são os nossos pais. O comando mudou de mãos e o respeito parece mudar de significado.

Alguns descobrem com o tempo que chamar o pai ou a mãe de senhor e senhora não é tão importante, mas a forma como tratá-los sim. Outros descobrem que o respeito ao professor não deve ou não devia ser pelo seu cargo de docente ou autoridade em sala de aula, e sim por ser um profissional exemplar. Descobrimos ainda que o respeito não está na fala, no gesto ou na formalidade dos cargos, e sim no comportamento das pessoas, e a isso damos o nome de exemplo.

Sempre que falamos de respeito, precisamos entender que o ato de respeitar passa pelo exemplo que tivemos em casa, na sala de aula, na igreja, ou em qualquer outro lugar. Se não respeito a minha posição numa fila de supermercado, é porque em algum momento vi meus pais ou parentes fazendo a mesma coisa. Se não respeito a placa de proibido estacionar, é porque presenciei alguém que me cobrava respeito fazendo o mesmo. O que eu fiz? Segui o exemplo.

Que possamos ter o cuidado e a coerência de não exigirmos respeito aos outros, e agirmos de forma contraditória ao que pregamos em nosso discurso. Respeitar tem a ver com ação, com exemplo, com o real e não com o que idealizamos. Que mesmo não sendo pais ou professores, possamos ser exemplos silenciosos para os outros, seja cedendo o lugar a um idoso numa fila, seja parando antes das faixas para pedestres, seja seguindo as normas da empresa, enfim, que ao cometimento de qualquer ato ético em relação aos outros, possamos deixar clara a mensagem que respeitar o seu semelhante é como dizer a ele: “Você é importante pra mim”!

O que é pseudofelicidade?

O que é pseudo é falso, enganoso. Então, se digo que a felicidade é falsa, fomos enganados? Se não, onde está a verdadeira felicidade?

Quando uma pessoa posta em suas redes sociais uma foto, na qual está sorrindo, rodeada por amigos e familiares, subentende-se que ela esteja feliz. Certo? Errado. Para início de conversa, a percepção de quem vê a foto é uma e a da pessoa que postou pode ser outra, ou pode ser a mesma que a sua, mas somente ela sabe a resposta.

No momento em que alguém diz pra você, vou tirar uma foto ou vamos fazer uma selfie, sua primeira reação é sorrir, correto? Você faz cara de paisagem, dá uma forçada no sorriso e finaliza com uma pose. Pronto! Foto tirada, você já pode voltar ao seu normal, que pode ser o de uma pessoa feliz ou infeliz.

Ao acessar seu Instagram, por exemplo, você vê uma foto de alguém e pensa: “Que legal! Todo mundo feliz! Queria ser assim também…”. Aí bate uma certa tristeza, que pode estar acompanhada da inveja, ou seja, a tristeza em ver alguém feliz, ou simplesmente um rápido estado de melancolia, que em casos mais graves e longos pode virar uma depressão.

Mas por que essa cena incomodou ou incomoda tanto no dia a dia? Será que todos nós sofremos do mal da inveja? Por que queremos estar no lugar do outro? Será que a vida do outro é tão boa assim?

Para essas e outras tantas perguntas, existe uma única resposta. “Porque eu preciso me conhecer”. No momento em que eu busco essas e outras respostas dentro de mim, as explicações começam a se tornar cristalinas. Se estou infeliz, o motivo só eu sei, mas talvez não queira aceitá-lo. A culpa, se é que há culpados, não é da pessoa que está publicando seus momentos, não é do mundo que está confabulando contra mim, ela é minha, porque estou fugindo de mim mesmo, escondendo-me atrás dos meus medos e angústias.

Nem sempre o que está na internet é real. E não importa que seja, porque as coisas e as pessoas só vão se tornar interessantes ou belas a partir do nosso olhar. Se eu vejo uma foto com o olhar positivo, encontrarei significados belos nela. No entanto, se a visão for negativa, vou achar aquela imagem agressiva, interpretando-a a partir do meu olhar de tristeza.

Por isso temos que ter muito cuidado ao acessar redes sociais e notícias na internet. Quem escreve ou posta uma foto pode estar fazendo com a intenção de mostrar exatamente o contrário do que ela pensa ou está sentindo. Infelizmente, a pseudo felicidade de uns traz a infelicidade aos outros. E o problema nunca está no outro, porque ele você não pode mudar, já você…

Por que estudar Administração?

Décadas atrás estudar Administração era uma das poucas opções que tínhamos, especialmente em faculdades e universidades que estivessem próximas ao nosso local de moradia. Com o avanço da Educação à distância tudo mudou, não só na quantidade de instituições, mas principalmente nas várias opções de cursos.

Na minha época de faculdade, diziam que Administração era o curso ideal para quem não sabia o que queria cursar e eu concordava. Sem vocação para a área da saúde, muito menos para as Engenharias, o que restava era aprender a arte de administrar. Ademais, a sinceridade da família era deveras importante, pois sempre se dizia em casa: “se quiser fazer um curso superior, ou você paga ou passa numa pública”. Fiquei com a segunda opção.

Quem estuda Administração não pode querer ser rico, ainda que possa ser um dia. Apesar de muitos executivos receberem altos salários, o que eleva a média das remunerações, grande parte ganha pouco e o mercado não está bom ou pelo menos não é atrativo, afinal de contas, a preferência das empresas é sempre por assistentes administrativos e não Administradores. Para grande parte delas, é tudo a mesma coisa!

Mas vamos falar da parte boa da Administração, que são suas possibilidades e conteúdos. Ainda que você não queira ser um executivo, gerente, supervisor, coordenador ou ocupar algum cargo do tipo, terá a opção de empreender, abrindo seu próprio negócio ou trabalhando como consultor. E isso é possível pela quantidade de opções que a grade do curso oferece. Os conteúdos são realmente bons e podem ser aplicados principalmente no seu dia a dia.

Os chamados quatro pilares da Administração servem como norteadores do Administrador dentro das organizações, mas também em casa, ao administrar sua vida e o seu cotidiano. O primeiro trata do planejamento, base para tudo nessa vida. Estabelecer objetivos, metas, fazer escolhas e tomar decisões, pensando no hoje, mas com um olho no amanhã. O segundo é a organização. Trabalhar de forma holística, ou seja, pensar no todo e não somente nas partes; delimitar o que precisa e como deve ser feito é essencial na arte de administrar. O terceiro é a liderança ou direção, ou seja, para onde vamos, quem irá conosco, definir objetivos comuns. O bom líder é modelo e inspiração para os demais. O quarto refere-se ao controle. É a execução do planejamento através do seu acompanhamento. É controlar para que os desvios sejam bem administrados. Você tem controle sobre suas finanças? Monitora oportunidades no mercado? Está atento às mudanças? Pois é, ter controle é muito importante.

Além disso, estudamos disciplinas como Marketing, Custos, Agronegócio, Empreendedorismo, Qualidade, Contabilidade, Economia e Gestão de Pessoas, sendo esta última muito útil para quem quer aprender a lidar com pessoas, pois temas como Liderança, Motivação, Conflitos, Comportamento, Cultura organizacional, Qualidade de Vida, dentre outros tantos, nos mostram a necessidade que temos em conhecer o outro, afinal de contas, independente de você ser médico, advogado, dentista ou engenheiro, sempre trabalhará com pessoas dentro de espaços organizacionais.

Por fim, se você quer fazer um curso para ter conhecimento e que lhe sirva para a vida pessoal também, indico o estudo da Administração. Mas se seu foco é apenas ter um diploma, o cardápio é bem variado. Boa sorte!

Quem é racista?

O racismo está em moda novamente, e infelizmente. Digo moda, porque ele vem e vai, sempre que algum novo acontecimento surge. Casos de racismo vão florescendo aqui e ali, e com o destaque da mídia, vão se tornando conhecidos e também nos causando repulsa; mas ao mesmo tempo vão sendo divulgados, mostrando quem são os racistas, como eles agem e porque o fazem. Uso também a palavra “infelizmente” porque se ele aparece é sinal de que não findou, não morreu, e por vezes surge com mais vigor.

O problema do racismo, se é que existe só um, é que o racista nunca assume que é, usando em seu favor argumentos esdrúxulos do tipo: “tenho amigos negros”, “trabalho com pessoas negras”. Como se isso bastasse. Para não ficar aqui enumerando os tipos de racismo indico dois bons livros – Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro; e Racismo Recreativo, de Adilson Moreira. Enquanto os leitores não leem os livros, vamos a uma pequena história:

‘Era segunda-feira. Pedro acordou cedo. Ao abrir o portão de casa, ouviu o vizinho dar um bom dia e dizer que estava cedo, ao que Pedro respondeu: “Hoje é segunda, Antônio, dia de preto”.

Chegando ao trabalho, o porteiro da empresa mal respondeu o ‘bom dia’ de Pedro e quando este questionou, o outro respondeu: “Trabalhei que nem um preto escravo nesse final de semana. Fiz uns reparos em casa e ainda limpei o quintal todo”. “E por que não contratou alguém”? – perguntou Pedro. “Porque a situação tá preta, Pedro”.

Já no seu setor, Pedro percebeu que faltava alguém. Era Carla, que logo em seguida chegava atrasada e reclamando de tudo. “O que houve, Carla”? – Pedro perguntou. “O de sempre, Pedro. Esse cabelo que nem na chapinha queria alisar. Também quem mandou ter cabelo ruim né”? – respondeu sorrindo. Pedro também sorriu e disse que o dia não tinha começado bem pra ele. No caminho para a empresa quase atropelara um gato preto. “Já não tenho muita sorte, imagina matar um gato preto”.

O dia passou e Pedro já estava saindo quando o seu celular tocou. Era sua esposa pedindo a ele que passasse na padaria e comprasse pães e um bolo. Ao ver o celular que era novo, Fabrício comentou: “Celular novo, chefe? Muito bonito. Onde comprou? Quero um também. Pode ficar tranquilo que eu não quero o seu, só um igual, tô com uma inveja branca”. Pedro riu da brincadeira e disse que comprou o celular no mercado negro, por um preço bem menor que o usual. “Vou te passar o contato, Fabrício, mas não conta pra ninguém, pois não quero ser difamado por comprar produtos ilegais. Não quero saber de ninguém denegrindo minha imagem”.

Ao chegar em casa, Pedro foi recebido pelo seu filho pequeno, que com um caderno na mão, foi logo dizendo que a professora havia passado uma pesquisa para fazer com os pais sobre o tema racismo. “Qual é a pergunta, filhão”?

“- Pai, você é racista”?

“- Claro que não, filho. Deus me livre”!

Por que transformar desejos em necessidades?

De imediato precisamos entender o que é um desejo e o que é uma necessidade. Desejar é querer algo, podendo ser um objeto ou não. Posso desejar um carro, uma casa, um celular ou ocupar um cargo, obter o título de mestre ou doutor, até quem sabe ser o prefeito da minha cidade. Desejos mudam com o tempo, ou seja, o que eu desejava há cinco anos, talvez não tenha mais vontade em ter hoje.

Já quando falamos em necessidade, pensamos em algo mais sério e que não podemos evitar. É realmente necessário! Dormir, alimentar-se, ter um lugar como moradia, ter saúde, tudo isso é imprescindível. A necessidade nos faz mover, movimentar, caminhar em busca de algo que necessitamos.

Para quem já estudou Marketing, compreender os conceitos de desejo e necessidade, é primordial para o entendimento da disciplina. Mas mesmo quem nunca estudou consegue entender o que significam. Um dos exemplos mais utilizados é a sede. Estou com sede, tenho necessidade de ingerir algum líquido. Se é necessidade, posso tomar um copo com água, se é desejo, posso tomar um refrigerante. Posso sentir fome e saciá-la comendo um pão (necessidade) ou posso matá-la com um pedaço de pizza (desejo).

Diante do exposto, por que precisamos então transformar nossos desejos em necessidades? Sócrates dizia a Agaton, no Banquete de Platão, que o amor é o desejo e que “todos aqueles que experimentam desejo, o experimentam por algo que não está disponibilizado ou presente”. Sendo assim, só desejamos o que não temos ou o que não somos. Caso contrário, não desejaríamos. Dessa forma, sempre vamos desejar algo, porque nunca vamos ter ou ser tudo.

Nesse sentido, o desejo é fugaz, efêmero, porque pode mudar, como dito antes. E a necessidade? A necessidade é mais forte, duradoura e precisamos dela para seguir vivendo. A ideia do Marketing é atender a todos, tanto quem necessita quanto quem deseja. Porém, transformar o desejo em necessidade é um dos grandes objetivos do Marketing, se não o maior. Por que o Marketing faz isso? Porque o desejo passa, mas a necessidade não. Matar a sede com um copo de água é mais barato que matá-la com um copo de refrigerante ou qualquer outra bebida, concordam? No entanto, o Marketing nos mostra o contrário, que comprar o refrigerante pode ser mais importante ou prazeroso que beber a água.

Na vida, também precisamos agir como o Marketing, ou seja, transformar desejos em necessidades. O desejo de cursar uma faculdade pode ser momentâneo, mas se transformarmos em necessidade, ele tomará forma, se tornará um projeto, um objetivo e nos moveremos com mais empenho para alcançá-lo. Imaginemos um sujeito que foi aprovado no vestibular em uma faculdade particular e vendeu seu único computador para poder pagar a matrícula. Em seguida, participou do processo seletivo para conseguir o FIES e obteve êxito. Hoje está formado e advogando. Essa pessoa encarou o curso superior como desejo ou necessidade? Certamente o curso era necessário para ele, porque se fosse um desejo talvez tivesse mudado de opinião ou ideia.

Trocar o desejo por necessidade vai fazer com que foquemos mais no objetivo, que levemos ele mais a sério, simplesmente pelo fato de que a nossa motivação se tornará um combustível mais poderoso para o alcance do desejo, agora não mais desejo, e sim necessidade. Que nossos sonhos possam se tornar realidades, ao transformarmos desejos em necessidades!

O que é estudar?

Para início de conversa, precisamos entender que o objetivo em estudar deve ser o de adquirir conhecimentos ou habilidades. Sendo assim, uma das ações prioritárias nos estudos é ler. E quem não gosta de ler, geralmente tem dificuldades em estudar. Há ainda quem prefira estudar com áudios ou vídeos, mas a principal modalidade continua sendo a leitura.

Ler um livro literário é mais prazeroso que ler um livro didático. Pensando assim, ler por fruição nos dá a sensação de que estamos no comando de nossas vidas, porque fazemos o que queremos. Ler por obrigação, por sua vez, nos remete à ideia oposta, ou seja, que estamos realizando algo sem vontade, por isso, com sacrifício, com dor e sem nenhuma alegria.

No entanto, nem sempre vamos poder ler por prazer, especialmente se o seu objetivo é estudar. Durante grande parte de nossa vida estudamos por obrigação. Aprendemos conceitos e conteúdos de Biologia, Química, Matemática e Física, dentre outros, que nunca vamos aplicar, mas que poderão ser necessários em algum momento de nossas vidas. Da mesma forma, quem estuda para concurso o faz por dever e não por prazer. Ler uma apostila de raciocínio lógico não é o mesmo que ler um livro de Machado de Assis ou Dostoiévski, mas deve ser feito com a mesma intensidade, caso contrário, o leitor não vai conseguir reter nenhum conhecimento.

Voltando ao primeiro parágrafo, dizemos que estudar é adquirir habilidade. E a principal habilidade a ser adquirida é a leitura. Ler é muitas vezes hábito. Ler um pouco todos os dias, não importando muito o horário. Que você coloque como meta ler cinco páginas e verá que, com o tempo, estará lendo sem muito esforço. Com os estudos acontece assim, você destina uma, duas ou mais horas por dia, e verá que o hábito vai te cobrar isso todos os dias, tornando-o um leitor ou estudioso assíduo.

Outro fator importante é deixar de lado os mitos. O principal deles é de que algumas pessoas nasceram para estudar. Ninguém nasce com esse objetivo ou com esse dom. Você aprende treinando todos os dias e isso passa a ser um gosto, e quando percebe virou um hábito, e como pratica todos os dias, possivelmente isso se torna mais fácil ou menos pesaroso. Para quem quer saber um pouco mais sobre o tema, indico O Poder do Hábito, do autor Charles Duhigg. Que tal começar os seus estudos ou uma boa leitura por um livro que te ensina a importância do hábito?

Nosso cérebro é treinado para não gastar energia. Quanto menos atividades proporcionarmos a ele, mais feliz ele estará, porque gosta de rotina. Chegar do trabalho, fazer um lanche, sentar no sofá e ligar a TV, mais tarde tomar um banho e dormir. Isso é tudo que o cérebro gosta. Mas se você mudar essa rotina, e ao chegar em casa tomar um banho, fizer um lanche e partir para os estudos ou mesmo realizar uma leitura, vai fazer seu cérebro se mexer. Você vai sentir um incômodo no início, mas com o hábito, ele vai se acostumando e criando uma nova rotina. Mas a rotina não é ruim? Nem sempre. Você praticar atividades físicas, estudar ou mesmo realizar uma leitura no seu dia a dia é bem melhor que ter uma rotina sedentária. Além disso, vai descobrir com o tempo que a mudança de hábitos não é só positiva, mas te proporcionará um protagonismo na vida que jamais imaginava. Você descobrirá que o grande motivador de sua vida é você mesmo.

O que há em comum entre a academia e o salão de beleza?

Nos últimos anos, é notório o crescimento tanto de academias quanto de salões de beleza; além deles há também os centros de estética e o aumento no número de cirurgias plásticas realizadas em nosso país. O que todos eles têm em comum?

O leitor mais apressado vai dizer: a beleza. Todos nós buscamos a beleza, ainda que não consigamos defini-la, e isso ocorre porque o seu conceito é individual, mesmo que a mídia ou a sociedade tente nos impor um padrão. O que é belo para mim pode não ser para meu leitor. Uma mulher pode considerar um homem baixo e forte como belo, assim como outra pode considerar um homem alto e magro também bonito. O gosto é individual, por isso a beleza também é.

Alguém pode dizer que o que há em comum entre a academia e o salão de beleza é a saúde, afinal de contas praticar atividades físicas e cuidar da beleza têm fortes relações com o bem-estar do corpo. Os hormônios que são produzidos ou estimulados durante uma atividade física, em especial a endorfina, trazem ótimas sensações ao ser humano, tanto físicas quanto mentais. No salão de beleza não há atividade física, mas o sentimento de que algo está mudando, e para melhor, traz também a sensação de transformação, que assim como a saúde, indica que corpo e mente podem e devem trabalhar em conjunto, pois um não vive sem o outro.

O incremento nas atividades físicas, através de academias cada vez mais sofisticadas, com novos aparelhos e recursos, tornaram uma antiga tendência em realidade. Cuidar do corpo passou a ser obrigação, e o pagamento da mensalidade da academia entrou para o rol de custos fixos das pessoas, assim como água, energia, alimentação, aluguel etc.

Com os salões de beleza não foi diferente. Ainda que a atividade tenha se tornado popular apenas no século XX, geralmente só as mulheres ricas os frequentavam. Hoje, especialmente com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, que também era uma tendência e virou realidade, todas podem ir ao salão de beleza. Além delas, eles também têm ido, pois cuidar da saúde e da beleza, tornou-se um padrão universal e unissex.

Mas afinal de contas, o que pode haver de mais comum entre um salão de beleza e uma academia, que não sejam a beleza ou a saúde? Pessoas que frequentam ambos os lugares, ou mesmo um ou outro, buscam uma sensação de prazer, de alegria, de evolução, de transformação, de algo mais, que pode gerar nelas um sentimento de felicidade; de que viver vale a pena e de que precisamos não só da saúde física, mas também da saúde mental, e que ambas devem atuar em conjunto para que a vida possa ter sentido e assim, que tudo isso possa desaguar num sentimento maior, o qual denominamos amor-próprio.

Que a partir de agora, quando falarmos em academias e salões de beleza, não lembremos somente dos aparelhos, dos equipamentos, do dinheiro gasto, da beleza ou da vaidade nos espelhos, e sim de algo que pode nos tornar seres humanos melhores, porque nos dará autoconfiança e nos sentiremos valorizados. Porque ao sairmos de uma academia ou de um salão de beleza, a transformação que desejamos, e que talvez nem mesmo saibamos, não é somente a do corpo ou do rosto, e sim da mente. O que buscamos é elevar a autoestima!

A culpa é de quem?

No dicionário, o substantivo feminino ‘culpa’ significa responsabilidade por dano, mal ou desastre causado a outrem. Aparece também como falta, delito ou crime. Mas o que realmente queremos saber é de quem é a culpa.

Se falamos de culpa, falamos também de responsabilidade. E pelo o quê somos responsáveis? Se decidimos ter um filho, plantar uma árvore ou criar um cachorro, seremos automaticamente responsáveis por eles, concordam? Sendo assim, a responsabilidade é nossa pelos cuidados que devemos ter com as plantas, animais e principalmente com os filhos. Portanto, terceirizar é passar a responsabilidade para os outros. E é o que acontece com certa frequência no nosso dia a dia.

Há pais (homens) que terceirizam os cuidados dos filhos, quando deixam eles sob a responsabilidade da mãe. Há pais (casal) que terceirizam os filhos, deixando os avós os educarem. E por aí vai…Mas e a culpa? A culpa é de quem foge de suas responsabilidades e em vez de assimilar as consequências da vida, procura um culpado para os seus problemas e angústias.

Quando a pessoa diz que não estudou porque teve filhos muito cedo, a culpa recai nos filhos. Mas quem participou do ato sexual no qual foram gerados os filhos? Não foram os filhos, com certeza. Quando a pessoa diz que os seus relacionamentos nunca dão certo, deixa transparecer a ideia de que é azarada, porque só pessoas ruins lhe aparecem na vida. Será?

O casamento acabou. A demissão aconteceu. O namoro terminou. A avaliação reprovou. O concurso não aprovou. A formatura nunca chegou. A culpa é de quem? É sempre do outro. E em todas as situações, ou somos vítimas ou somos juízes. Julgamos a todo instante que por culpa de alguém ou até mesmo do destino, as coisas não aconteceram como deveriam. Praticamos o coitadismo e nos colocamos na posição de vítimas, dizendo a todo momento que as oportunidades não apareceram.

O substantivo vira verbo quando a culpa se torna uma ação. A ação de culpar os outros pelos nossos infortúnios. E vivemos infelizes, porque não vivemos as nossas vidas e sim as dos outros. Porque se temos o livre-arbítrio para tomar decisões, por que não as tomamos? As consequências acontecerão de qualquer modo, sendo boas ou ruins. A frase atribuída ao poeta chileno Pablo Neruda diz muito sobre decisões: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Mas quando as consequências são boas, o mérito é seu, mas quando são más, a culpa é do outro.

Assumir o protagonismo nas nossas vidas é assumir as culpas, os erros e também os acertos, em tudo o que fizemos e fazemos. Não tem graça dizer “eu venci” quando se sabe que ninguém vence sozinho. Da mesma forma, não é justo dizer “perdi por culpa de Fulano”, porque se você abdicou de fazer escolhas, deixando a responsabilidade para Fulano, a culpa é sua em abrir mão do seu poder de decisão.

Sinceramente, não gosto da palavra culpa. Ela me remete sempre à palavra covardia. E o covarde é aquele não tenta ou se tenta e não consegue, culpa o outro. Que a nossa coragem não seja só a ausência de medo, mas a consciência de que a vida é nossa, e, portanto, somos nós os responsáveis por ela.