Por que estudar Administração?

Décadas atrás estudar Administração era uma das poucas opções que tínhamos, especialmente em faculdades e universidades que estivessem próximas ao nosso local de moradia. Com o avanço da Educação à distância tudo mudou, não só na quantidade de instituições, mas principalmente nas várias opções de cursos.

Na minha época de faculdade, diziam que Administração era o curso ideal para quem não sabia o que queria cursar e eu concordava. Sem vocação para a área da saúde, muito menos para as Engenharias, o que restava era aprender a arte de administrar. Ademais, a sinceridade da família era deveras importante, pois sempre se dizia em casa: “se quiser fazer um curso superior, ou você paga ou passa numa pública”. Fiquei com a segunda opção.

Quem estuda Administração não pode querer ser rico, ainda que possa ser um dia. Apesar de muitos executivos receberem altos salários, o que eleva a média das remunerações, grande parte ganha pouco e o mercado não está bom ou pelo menos não é atrativo, afinal de contas, a preferência das empresas é sempre por assistentes administrativos e não Administradores. Para grande parte delas, é tudo a mesma coisa!

Mas vamos falar da parte boa da Administração, que são suas possibilidades e conteúdos. Ainda que você não queira ser um executivo, gerente, supervisor, coordenador ou ocupar algum cargo do tipo, terá a opção de empreender, abrindo seu próprio negócio ou trabalhando como consultor. E isso é possível pela quantidade de opções que a grade do curso oferece. Os conteúdos são realmente bons e podem ser aplicados principalmente no seu dia a dia.

Os chamados quatro pilares da Administração servem como norteadores do Administrador dentro das organizações, mas também em casa, ao administrar sua vida e o seu cotidiano. O primeiro trata do planejamento, base para tudo nessa vida. Estabelecer objetivos, metas, fazer escolhas e tomar decisões, pensando no hoje, mas com um olho no amanhã. O segundo é a organização. Trabalhar de forma holística, ou seja, pensar no todo e não somente nas partes; delimitar o que precisa e como deve ser feito é essencial na arte de administrar. O terceiro é a liderança ou direção, ou seja, para onde vamos, quem irá conosco, definir objetivos comuns. O bom líder é modelo e inspiração para os demais. O quarto refere-se ao controle. É a execução do planejamento através do seu acompanhamento. É controlar para que os desvios sejam bem administrados. Você tem controle sobre suas finanças? Monitora oportunidades no mercado? Está atento às mudanças? Pois é, ter controle é muito importante.

Além disso, estudamos disciplinas como Marketing, Custos, Agronegócio, Empreendedorismo, Qualidade, Contabilidade, Economia e Gestão de Pessoas, sendo esta última muito útil para quem quer aprender a lidar com pessoas, pois temas como Liderança, Motivação, Conflitos, Comportamento, Cultura organizacional, Qualidade de Vida, dentre outros tantos, nos mostram a necessidade que temos em conhecer o outro, afinal de contas, independente de você ser médico, advogado, dentista ou engenheiro, sempre trabalhará com pessoas dentro de espaços organizacionais.

Por fim, se você quer fazer um curso para ter conhecimento e que lhe sirva para a vida pessoal também, indico o estudo da Administração. Mas se seu foco é apenas ter um diploma, o cardápio é bem variado. Boa sorte!

Quem é racista?

O racismo está em moda novamente, e infelizmente. Digo moda, porque ele vem e vai, sempre que algum novo acontecimento surge. Casos de racismo vão florescendo aqui e ali, e com o destaque da mídia, vão se tornando conhecidos e também nos causando repulsa; mas ao mesmo tempo vão sendo divulgados, mostrando quem são os racistas, como eles agem e porque o fazem. Uso também a palavra “infelizmente” porque se ele aparece é sinal de que não findou, não morreu, e por vezes surge com mais vigor.

O problema do racismo, se é que existe só um, é que o racista nunca assume que é, usando em seu favor argumentos esdrúxulos do tipo: “tenho amigos negros”, “trabalho com pessoas negras”. Como se isso bastasse. Para não ficar aqui enumerando os tipos de racismo indico dois bons livros – Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro; e Racismo Recreativo, de Adilson Moreira. Enquanto os leitores não leem os livros, vamos a uma pequena história:

‘Era segunda-feira. Pedro acordou cedo. Ao abrir o portão de casa, ouviu o vizinho dar um bom dia e dizer que estava cedo, ao que Pedro respondeu: “Hoje é segunda, Antônio, dia de preto”.

Chegando ao trabalho, o porteiro da empresa mal respondeu o ‘bom dia’ de Pedro e quando este questionou, o outro respondeu: “Trabalhei que nem um preto escravo nesse final de semana. Fiz uns reparos em casa e ainda limpei o quintal todo”. “E por que não contratou alguém”? – perguntou Pedro. “Porque a situação tá preta, Pedro”.

Já no seu setor, Pedro percebeu que faltava alguém. Era Carla, que logo em seguida chegava atrasada e reclamando de tudo. “O que houve, Carla”? – Pedro perguntou. “O de sempre, Pedro. Esse cabelo que nem na chapinha queria alisar. Também quem mandou ter cabelo ruim né”? – respondeu sorrindo. Pedro também sorriu e disse que o dia não tinha começado bem pra ele. No caminho para a empresa quase atropelara um gato preto. “Já não tenho muita sorte, imagina matar um gato preto”.

O dia passou e Pedro já estava saindo quando o seu celular tocou. Era sua esposa pedindo a ele que passasse na padaria e comprasse pães e um bolo. Ao ver o celular que era novo, Fabrício comentou: “Celular novo, chefe? Muito bonito. Onde comprou? Quero um também. Pode ficar tranquilo que eu não quero o seu, só um igual, tô com uma inveja branca”. Pedro riu da brincadeira e disse que comprou o celular no mercado negro, por um preço bem menor que o usual. “Vou te passar o contato, Fabrício, mas não conta pra ninguém, pois não quero ser difamado por comprar produtos ilegais. Não quero saber de ninguém denegrindo minha imagem”.

Ao chegar em casa, Pedro foi recebido pelo seu filho pequeno, que com um caderno na mão, foi logo dizendo que a professora havia passado uma pesquisa para fazer com os pais sobre o tema racismo. “Qual é a pergunta, filhão”?

“- Pai, você é racista”?

“- Claro que não, filho. Deus me livre”!

Por que transformar desejos em necessidades?

De imediato precisamos entender o que é um desejo e o que é uma necessidade. Desejar é querer algo, podendo ser um objeto ou não. Posso desejar um carro, uma casa, um celular ou ocupar um cargo, obter o título de mestre ou doutor, até quem sabe ser o prefeito da minha cidade. Desejos mudam com o tempo, ou seja, o que eu desejava há cinco anos, talvez não tenha mais vontade em ter hoje.

Já quando falamos em necessidade, pensamos em algo mais sério e que não podemos evitar. É realmente necessário! Dormir, alimentar-se, ter um lugar como moradia, ter saúde, tudo isso é imprescindível. A necessidade nos faz mover, movimentar, caminhar em busca de algo que necessitamos.

Para quem já estudou Marketing, compreender os conceitos de desejo e necessidade, é primordial para o entendimento da disciplina. Mas mesmo quem nunca estudou consegue entender o que significam. Um dos exemplos mais utilizados é a sede. Estou com sede, tenho necessidade de ingerir algum líquido. Se é necessidade, posso tomar um copo com água, se é desejo, posso tomar um refrigerante. Posso sentir fome e saciá-la comendo um pão (necessidade) ou posso matá-la com um pedaço de pizza (desejo).

Diante do exposto, por que precisamos então transformar nossos desejos em necessidades? Sócrates dizia a Agaton, no Banquete de Platão, que o amor é o desejo e que “todos aqueles que experimentam desejo, o experimentam por algo que não está disponibilizado ou presente”. Sendo assim, só desejamos o que não temos ou o que não somos. Caso contrário, não desejaríamos. Dessa forma, sempre vamos desejar algo, porque nunca vamos ter ou ser tudo.

Nesse sentido, o desejo é fugaz, efêmero, porque pode mudar, como dito antes. E a necessidade? A necessidade é mais forte, duradoura e precisamos dela para seguir vivendo. A ideia do Marketing é atender a todos, tanto quem necessita quanto quem deseja. Porém, transformar o desejo em necessidade é um dos grandes objetivos do Marketing, se não o maior. Por que o Marketing faz isso? Porque o desejo passa, mas a necessidade não. Matar a sede com um copo de água é mais barato que matá-la com um copo de refrigerante ou qualquer outra bebida, concordam? No entanto, o Marketing nos mostra o contrário, que comprar o refrigerante pode ser mais importante ou prazeroso que beber a água.

Na vida, também precisamos agir como o Marketing, ou seja, transformar desejos em necessidades. O desejo de cursar uma faculdade pode ser momentâneo, mas se transformarmos em necessidade, ele tomará forma, se tornará um projeto, um objetivo e nos moveremos com mais empenho para alcançá-lo. Imaginemos um sujeito que foi aprovado no vestibular em uma faculdade particular e vendeu seu único computador para poder pagar a matrícula. Em seguida, participou do processo seletivo para conseguir o FIES e obteve êxito. Hoje está formado e advogando. Essa pessoa encarou o curso superior como desejo ou necessidade? Certamente o curso era necessário para ele, porque se fosse um desejo talvez tivesse mudado de opinião ou ideia.

Trocar o desejo por necessidade vai fazer com que foquemos mais no objetivo, que levemos ele mais a sério, simplesmente pelo fato de que a nossa motivação se tornará um combustível mais poderoso para o alcance do desejo, agora não mais desejo, e sim necessidade. Que nossos sonhos possam se tornar realidades, ao transformarmos desejos em necessidades!

O que é estudar?

Para início de conversa, precisamos entender que o objetivo em estudar deve ser o de adquirir conhecimentos ou habilidades. Sendo assim, uma das ações prioritárias nos estudos é ler. E quem não gosta de ler, geralmente tem dificuldades em estudar. Há ainda quem prefira estudar com áudios ou vídeos, mas a principal modalidade continua sendo a leitura.

Ler um livro literário é mais prazeroso que ler um livro didático. Pensando assim, ler por fruição nos dá a sensação de que estamos no comando de nossas vidas, porque fazemos o que queremos. Ler por obrigação, por sua vez, nos remete à ideia oposta, ou seja, que estamos realizando algo sem vontade, por isso, com sacrifício, com dor e sem nenhuma alegria.

No entanto, nem sempre vamos poder ler por prazer, especialmente se o seu objetivo é estudar. Durante grande parte de nossa vida estudamos por obrigação. Aprendemos conceitos e conteúdos de Biologia, Química, Matemática e Física, dentre outros, que nunca vamos aplicar, mas que poderão ser necessários em algum momento de nossas vidas. Da mesma forma, quem estuda para concurso o faz por dever e não por prazer. Ler uma apostila de raciocínio lógico não é o mesmo que ler um livro de Machado de Assis ou Dostoiévski, mas deve ser feito com a mesma intensidade, caso contrário, o leitor não vai conseguir reter nenhum conhecimento.

Voltando ao primeiro parágrafo, dizemos que estudar é adquirir habilidade. E a principal habilidade a ser adquirida é a leitura. Ler é muitas vezes hábito. Ler um pouco todos os dias, não importando muito o horário. Que você coloque como meta ler cinco páginas e verá que, com o tempo, estará lendo sem muito esforço. Com os estudos acontece assim, você destina uma, duas ou mais horas por dia, e verá que o hábito vai te cobrar isso todos os dias, tornando-o um leitor ou estudioso assíduo.

Outro fator importante é deixar de lado os mitos. O principal deles é de que algumas pessoas nasceram para estudar. Ninguém nasce com esse objetivo ou com esse dom. Você aprende treinando todos os dias e isso passa a ser um gosto, e quando percebe virou um hábito, e como pratica todos os dias, possivelmente isso se torna mais fácil ou menos pesaroso. Para quem quer saber um pouco mais sobre o tema, indico O Poder do Hábito, do autor Charles Duhigg. Que tal começar os seus estudos ou uma boa leitura por um livro que te ensina a importância do hábito?

Nosso cérebro é treinado para não gastar energia. Quanto menos atividades proporcionarmos a ele, mais feliz ele estará, porque gosta de rotina. Chegar do trabalho, fazer um lanche, sentar no sofá e ligar a TV, mais tarde tomar um banho e dormir. Isso é tudo que o cérebro gosta. Mas se você mudar essa rotina, e ao chegar em casa tomar um banho, fizer um lanche e partir para os estudos ou mesmo realizar uma leitura, vai fazer seu cérebro se mexer. Você vai sentir um incômodo no início, mas com o hábito, ele vai se acostumando e criando uma nova rotina. Mas a rotina não é ruim? Nem sempre. Você praticar atividades físicas, estudar ou mesmo realizar uma leitura no seu dia a dia é bem melhor que ter uma rotina sedentária. Além disso, vai descobrir com o tempo que a mudança de hábitos não é só positiva, mas te proporcionará um protagonismo na vida que jamais imaginava. Você descobrirá que o grande motivador de sua vida é você mesmo.

O que há em comum entre a academia e o salão de beleza?

Nos últimos anos, é notório o crescimento tanto de academias quanto de salões de beleza; além deles há também os centros de estética e o aumento no número de cirurgias plásticas realizadas em nosso país. O que todos eles têm em comum?

O leitor mais apressado vai dizer: a beleza. Todos nós buscamos a beleza, ainda que não consigamos defini-la, e isso ocorre porque o seu conceito é individual, mesmo que a mídia ou a sociedade tente nos impor um padrão. O que é belo para mim pode não ser para meu leitor. Uma mulher pode considerar um homem baixo e forte como belo, assim como outra pode considerar um homem alto e magro também bonito. O gosto é individual, por isso a beleza também é.

Alguém pode dizer que o que há em comum entre a academia e o salão de beleza é a saúde, afinal de contas praticar atividades físicas e cuidar da beleza têm fortes relações com o bem-estar do corpo. Os hormônios que são produzidos ou estimulados durante uma atividade física, em especial a endorfina, trazem ótimas sensações ao ser humano, tanto físicas quanto mentais. No salão de beleza não há atividade física, mas o sentimento de que algo está mudando, e para melhor, traz também a sensação de transformação, que assim como a saúde, indica que corpo e mente podem e devem trabalhar em conjunto, pois um não vive sem o outro.

O incremento nas atividades físicas, através de academias cada vez mais sofisticadas, com novos aparelhos e recursos, tornaram uma antiga tendência em realidade. Cuidar do corpo passou a ser obrigação, e o pagamento da mensalidade da academia entrou para o rol de custos fixos das pessoas, assim como água, energia, alimentação, aluguel etc.

Com os salões de beleza não foi diferente. Ainda que a atividade tenha se tornado popular apenas no século XX, geralmente só as mulheres ricas os frequentavam. Hoje, especialmente com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, que também era uma tendência e virou realidade, todas podem ir ao salão de beleza. Além delas, eles também têm ido, pois cuidar da saúde e da beleza, tornou-se um padrão universal e unissex.

Mas afinal de contas, o que pode haver de mais comum entre um salão de beleza e uma academia, que não sejam a beleza ou a saúde? Pessoas que frequentam ambos os lugares, ou mesmo um ou outro, buscam uma sensação de prazer, de alegria, de evolução, de transformação, de algo mais, que pode gerar nelas um sentimento de felicidade; de que viver vale a pena e de que precisamos não só da saúde física, mas também da saúde mental, e que ambas devem atuar em conjunto para que a vida possa ter sentido e assim, que tudo isso possa desaguar num sentimento maior, o qual denominamos amor-próprio.

Que a partir de agora, quando falarmos em academias e salões de beleza, não lembremos somente dos aparelhos, dos equipamentos, do dinheiro gasto, da beleza ou da vaidade nos espelhos, e sim de algo que pode nos tornar seres humanos melhores, porque nos dará autoconfiança e nos sentiremos valorizados. Porque ao sairmos de uma academia ou de um salão de beleza, a transformação que desejamos, e que talvez nem mesmo saibamos, não é somente a do corpo ou do rosto, e sim da mente. O que buscamos é elevar a autoestima!

A culpa é de quem?

No dicionário, o substantivo feminino ‘culpa’ significa responsabilidade por dano, mal ou desastre causado a outrem. Aparece também como falta, delito ou crime. Mas o que realmente queremos saber é de quem é a culpa.

Se falamos de culpa, falamos também de responsabilidade. E pelo o quê somos responsáveis? Se decidimos ter um filho, plantar uma árvore ou criar um cachorro, seremos automaticamente responsáveis por eles, concordam? Sendo assim, a responsabilidade é nossa pelos cuidados que devemos ter com as plantas, animais e principalmente com os filhos. Portanto, terceirizar é passar a responsabilidade para os outros. E é o que acontece com certa frequência no nosso dia a dia.

Há pais (homens) que terceirizam os cuidados dos filhos, quando deixam eles sob a responsabilidade da mãe. Há pais (casal) que terceirizam os filhos, deixando os avós os educarem. E por aí vai…Mas e a culpa? A culpa é de quem foge de suas responsabilidades e em vez de assimilar as consequências da vida, procura um culpado para os seus problemas e angústias.

Quando a pessoa diz que não estudou porque teve filhos muito cedo, a culpa recai nos filhos. Mas quem participou do ato sexual no qual foram gerados os filhos? Não foram os filhos, com certeza. Quando a pessoa diz que os seus relacionamentos nunca dão certo, deixa transparecer a ideia de que é azarada, porque só pessoas ruins lhe aparecem na vida. Será?

O casamento acabou. A demissão aconteceu. O namoro terminou. A avaliação reprovou. O concurso não aprovou. A formatura nunca chegou. A culpa é de quem? É sempre do outro. E em todas as situações, ou somos vítimas ou somos juízes. Julgamos a todo instante que por culpa de alguém ou até mesmo do destino, as coisas não aconteceram como deveriam. Praticamos o coitadismo e nos colocamos na posição de vítimas, dizendo a todo momento que as oportunidades não apareceram.

O substantivo vira verbo quando a culpa se torna uma ação. A ação de culpar os outros pelos nossos infortúnios. E vivemos infelizes, porque não vivemos as nossas vidas e sim as dos outros. Porque se temos o livre-arbítrio para tomar decisões, por que não as tomamos? As consequências acontecerão de qualquer modo, sendo boas ou ruins. A frase atribuída ao poeta chileno Pablo Neruda diz muito sobre decisões: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Mas quando as consequências são boas, o mérito é seu, mas quando são más, a culpa é do outro.

Assumir o protagonismo nas nossas vidas é assumir as culpas, os erros e também os acertos, em tudo o que fizemos e fazemos. Não tem graça dizer “eu venci” quando se sabe que ninguém vence sozinho. Da mesma forma, não é justo dizer “perdi por culpa de Fulano”, porque se você abdicou de fazer escolhas, deixando a responsabilidade para Fulano, a culpa é sua em abrir mão do seu poder de decisão.

Sinceramente, não gosto da palavra culpa. Ela me remete sempre à palavra covardia. E o covarde é aquele não tenta ou se tenta e não consegue, culpa o outro. Que a nossa coragem não seja só a ausência de medo, mas a consciência de que a vida é nossa, e, portanto, somos nós os responsáveis por ela. 

O que mudou na pandemia?

Fora o uso da máscara e do álcool em gel, tenho a percepção que nada mudou na pandemia. Na realidade, não pretendo aqui falar sobre as mudanças, mas sobre o que não mudou a partir da chegada do corona vírus.

Quando navegamos pelos sites de notícias, assistimos os telejornais e paramos para ver alguma live, lemos e ouvimos muito sobre mudanças, durante e pós-pandemia. A vida mudou, as pessoas mudaram, o mundo está se transformando. Mas será mesmo?

Repito. Com exceção do álcool em gel, da máscara e de algumas poucas restrições, continuamos vivendo mais do mesmo. Ouço algumas pessoas dizerem que a pandemia mudou a forma de ver a vida. Mas quando estivermos vacinados contra o vírus e tudo voltar ao normal, você vai continuar vendo a vida de forma diferente?

Vejamos então o que não mudou na pandemia. Continuamos a praticar o nosso egoísmo de cada dia. Ninguém está se importando se o outro perdeu o emprego, se foi despejado ou está doente; continuamos vivendo a nossa vida, preocupados com a próxima live do nosso cantor preferido, para onde vamos viajar nas próximas férias, ou na reforma da casa, para poder receber os amigos quando tudo isso passar. Dez, vinte ou cem mil mortos não importa, pois ninguém da minha família morreu. São apenas números e não vidas. Quem se comove? As pessoas vão continuar morrendo, independente se for pelo covid-19, câncer, hipertensão, infarto, homicídio…desde que não seja alguém que eu ame.

Além disso, continuamos não seguindo as regras. Não usamos as máscaras, não deixamos de sair, não deixamos de aglomerar, não nos protegemos e o que é pior, não nos importamos com os outros, porque continuamos vivendo num mundo de faz de contas, esperando que a qualquer momento a vacina venha nos salvar. Mas salvar de quê, se tudo está normal?  

Também nas empresas nada mudou. Algumas se aproveitaram da crise para ganhar mais. Aumentaram os preços dos produtos, reduziram a quantidade de empregados e focaram naquilo que gerava mais lucros. Mas elas estão erradas? Depende. Houve alta nos insumos? Problemas com fornecedores? Redução de receitas? Se sim, ótimo, a mudança é necessária; se não, é sinal de oportunismo, no pior sentido da palavra.

Da mesma forma fica a percepção de algumas empresas já haviam quebrado antes mesmo da pandemia, mas a pandemia virou uma bela desculpa para abaixar as portas. Igualmente, ficou mais fácil agora demitir funcionários, porque a crise chegou. Já queriam demitir antes, mas faltava coragem ou gestão.

Se enganam aqueles que pensam que a pandemia vai mudar o mundo ou o comportamento das pessoas. Continuaremos cada vez mais egoístas e hedonistas, buscando a qualquer custo satisfazer as nossas vontades. Quem não está próximo não existe para nós. Permaneceremos com as mesmas atitudes, os mesmos desejos e mesquinhez,  e torcendo para que tudo dê certo, pelo menos para aqueles que amamos.

Nada mudou e nem vai mudar!

Quem é invejoso(a)?

Imaginemos uma sala de aula, de reunião, ou ainda um auditório, alguém fazendo essa pergunta à plateia. As reações seriam as mais distintas. Uns abaixariam a cabeça, outros olhariam para o celular, alguns verificariam as horas no relógio, outros tantos dariam aquela tosse seca e curta, e ninguém levantaria a mão, com certeza.

Inveja é um sentimento ruim e ninguém gosta de parecer ruim aos outros, ainda que o seja. Numa entrevista de emprego, por exemplo, quando o entrevistador pede para o candidato citar um defeito dele, geralmente o mais usado é “perfeccionista”. Mas perfeccionismo não é uma fraqueza, ainda que possa atrapalhar sua relação com os colegas de trabalho, especialmente se você for o chefe. Ninguém quer assumir os vícios, somente as virtudes.

Por outro lado, há também entre os invejosos aqueles que não se consideram como tal, pois tampouco sabem que o que sentem tem o nome de inveja. É o que chamamos de invejoso tolo. Ele confunde cobiça com inveja. Desejar ter um carro semelhante ao do seu colega de trabalho não é um sentimento negativo, desde que você não queira o carro dele e sim um do mesmo modelo.

Ainda no exemplo do carro, o invejoso é aquele que fica triste com a felicidade dos outros. É ver o carro novo do colega com ar de desdém, como se ele (o colega) não pudesse trocar de carro ou tivesse que pedir a sua opinião antes de adquiri-lo. Outro exemplo claro pode ser visto naqueles que gostam de futebol, e que muitas vezes deixam de torcer pelo seu time, a fim de torcer contra os adversários dele. É trocar a alegria de uma vitória sua pela alegria da tristeza do derrotado. Isso não faz muito sentido, mas as pessoas agem dessa forma. Impressiona também a motivação daquele colega ou amigo que há anos não te liga ou dá notícias, mas lembra de você exatamente no momento em que está mais triste ou zangado devido à derrota no futebol.  Devemos ter atenção em nossas atitudes e mais uma vez buscar entender as razões dos nossos atos, porque o que pode ser uma simples brincadeira para mim, pode revelar mais sobre quem eu sou e meus sentimentos. E isso só vamos descobrindo à medida que buscamos o autoconhecimento.

Invejosos nunca vão assumir que são, porque para alguns deles, esse sentimento, que pode ser natural ou instintivo, muitas vezes aflora sem mesmo perceberem. É como aquele homem que se diz bem-sucedido, feliz e realizado, mas que ao encontrar um ex-colega de trabalho ou de escola, descobre que o outro tem uma condição financeira melhor que a dele. A decepção fica estampada em seu rosto. Da mesma forma, aquela mulher que também se diz feliz e bem resolvida, encontra com uma amiga antiga, que há tempos não via, e frustra-se ao vê-la mais jovial e bela, demonstrando estar muito feliz.

Por fim, saliento que as redes sociais potencializam grandemente a oportunidade para os invejosos agirem. Afinal de contas, é difícil vermos alguém publicando que está infeliz ou que mora numa casa caindo aos pedaços, ou ainda que viajou para um lugar feio ou que está passando por dificuldades financeiras. A rede social não gosta disso, porque não traz engajamento. Talvez por isso é que os invejosos adoram redes sociais, porque quanto mais felizes os outros parecem a eles, mais tristes eles se tornam, e desse modo ativam a sua motivação, que é torcer contra, afinal, invejar dá muito menos trabalho que agir.

Quando será o seu velório?

Muitos de nós fugimos dessa pergunta, ou porque nos consideramos novos demais para pensar na morte, ou pelo simples fato de que falar de morte não é um assunto interessante.

A nossa finitude não é um tema no qual temos apreço em discutir ou mesmo pensar. Por isso adiamos sempre, a não ser quando alguém que nos é próximo falece ou também quando enfrentamos alguma doença mais grave. Mas é certo que um dia estaremos mortos e não teremos consciência disso.

No entanto, a pergunta insiste em minha mente, e outras surgem em forma de diálogo:

“Quando vou morrer”? “Não sei, mas espero que demore muito”.

“Por que”? “Porque quero viver muito e aproveitar a vida”.

“E você tem aproveitado muito a sua vida”? Eis o silêncio…

Há pessoas que não querem falar da morte, não querem saber o dia do seu velório, mas já estão mortas há muito tempo. Vivem infelizes e insatisfeitas com tudo na vida. Algumas reclamam o tempo inteiro, outras vivem buscando culpados pela vida desgraçada que levam. E mais um tanto de gente fica acomodada, esperando que algo mude, quando quem deveria mudar é a própria pessoa.

Podemos refazer a pergunta, trocando o tempo. “Quando você morreu”? Mudar o verbo faz com que reflitamos sobre a nossa vida e não sobre a morte. Vive-se uma vez somente, e é preciso que tenhamos consciência disso. A morte chegará a todos, mas quando chegar vamos pensar na vida, nos sonhos que não realizamos, nas atitudes que não tomamos, nos desejos que abandonamos, na vida que não vivemos. Parece triste, e é…

Desejo muito que a data de minha morte se prolongue, porém, enquanto isso não acontece, eu preciso viver. Viver o presente e tentar ter a certeza, ou pelo menos a sabedoria em compreender que a morte vai chegar, inexoravelmente, mas que nesse ínterim eu tenha vivido plenamente, afinal, como dizia Rubem Alves: “A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente”.

Onde não está a felicidade?

Todo mundo quer ser feliz, mas a maioria não sabe como. Por quê? Porque não sabemos onde está a felicidade. Nem mesmo podemos afirmar se ela existe ou não. Por que então esse tema é tão pesquisado? Por que queremos tanto ser felizes? Onde está a felicidade?

Se fossem fáceis as respostas o tema felicidade não seria tão buscado por todo o mundo. Bem, mas temos que começar de algum ponto. Se ainda não sabemos onde está a felicidade, por qual lugar começar a procurá-la? Dizem os estudiosos que a felicidade está dentro de nós, portanto, é o autoconhecimento que nos proporcionará o encontro com ela. Mas o autoconhecimento não é uma busca simples. Além disso, traz dor, porque ao descobrirmos quem somos, podemos não gostar muito das descobertas.

Outros livros trazem que a felicidade é agora. Não foi ontem, não será amanhã. Está no presente. Ser feliz é ser, individualmente, conhecedor do que lhe traz felicidade. Mais uma vez falamos de autoconhecimento. Se você se conhece, só você sabe exatamente o que lhe faz feliz. Simples? Não. Porque enquanto seres humanos estamos em constante mudança. O que me fazia feliz ontem, não me faz feliz hoje e talvez não o fará amanhã. Exemplo: se na infância esperar pelo dia do Natal me inundava de felicidade, hoje não mais.

Então o que fazer para ser feliz hoje? Bom, como não sei a resposta vou pela negativa dela. O que não devo fazer para alcançar a felicidade hoje? Quando alguém me pergunta o que eu quero da vida, eu respondo: “Eu sei o que eu não quero, mas o que eu quero ainda não sei”. E nessa mesma lógica eu vou tentando ser feliz, mas não que isso seja um desejo ardente, mas um modo de levar a vida.

De acordo com os budistas, focamos em três alvos onde a felicidade aparenta estar, assim como uma miragem. O primeiro trata do aspecto físico. Se acreditamos que a felicidade está na beleza ou na saúde física do nosso corpo, certamente quando envelhecermos ou nos encontrarmos enfermos, seremos infelizes. O segundo aspecto trata da felicidade material. Se cremos que o dinheiro traz felicidade, só seremos felizes quando formos ricos. Colocar a sua felicidade num bem material, como uma casa, um carro ou qualquer outro objeto é arriscado, pois a qualquer momento você pode perdê-lo. Se você chorou porque bateram em seu carro, roubaram o seu celular ou manchou sua camisa preferida, certamente é porque você colocava sua felicidade nesses objetos.

A terceira é a felicidade espiritual ou mental. Ela acontece quando atribuímos a nossa felicidade às pessoas e seus sentimentos. Amores acabam, algumas amizades se mostram efêmeras e colegas de trabalho se mudam. Não podemos colocar a nossa felicidade nas pessoas, porque elas podem ir embora ou porque os seus sentimentos podem não ser tão duradouros quanto os nossos em relação a elas.

A partir dessas três vertentes, podemos compreender que a felicidade não pode ser atribuída às causas externas, simplesmente porque elas não dependem de nós. Sendo assim, precisamos entender que a felicidade é interna e individual, e que ela não estará no trabalho, na família, na igreja, nos objetos ou nas pessoas. A felicidade estará em qualquer lugar por onde passarmos, simplesmente porque ela está dentro de nós.