Por que vivemos tão estressados?

Os motivos para vivermos estressados são os mais variados. Isso vai depender de como cada um leva sua vida. Além disso, é preciso entender que o estresse pode ser gerado a partir de causas internas ou externas.

Um exemplo bom de causa externa é o trabalho. Se o seu chefe lhe cobra todos os meses o alcance das metas ou coloca prazos para entrega de algumas atividades, como relatórios, planilhas e gráficos, você pode se estressar com as datas, a pressão e o nível de dificuldade da atividade. Não há como você fugir disso, ou tenta organizar melhor o seu tempo, para evitar a ansiedade, ou muda de emprego.

No que diz respeito às causas internas, elas são da mesma forma importantes, porém, como estão dentro de nós, dependem muito mais de nós que do outro. Neste caso, o chefe é você, portanto, terá que mudar algumas atitudes. Um bom exemplo é o trânsito. Conheço gente que estressa quando vê um carro estacionado em local proibido. “É um absurdo”, diz logo a pessoa quando presencia a cena. Pergunto: o carro é seu? A pessoa é sua conhecida? Por que isso tanto te incomoda?

Não estou aqui defendendo o ato ilícito, mas se formos nos preocupar ou estressar com cada atitude que o indivíduo toma em relação a qualquer área ou assunto, não viveremos muito tempo com saúde. A falta de educação, de ética ou até mesmo de bom senso, é algo condenável, mas não temos como mudar o outro, somente a nós mesmos. Por isso, que possamos nos estressar menos com os outros e que os nossos bons exemplos sejam vistos e seguidos.

Nesse sentido, julgamos os outros a todo momento, como se realmente fôssemos juízes de uma verdade absoluta, e que somente nós é que pensamos e agimos de forma correta. É preciso entender que o erro pode ser encarado como um fato comum, às vezes por negligência, outras por desconhecimento das regras, e ainda, o que é condenável, por má fé.

No entanto, a minha e a sua ira diante de uma infração não vai mudar o rumo da história. Para tanto, existem as instituições e suas autoridades que visam, de forma mais ampla e efetiva, estabelecer as normas e definições do que é certo ou errado.

Sendo assim, só posso mudar a mim mesmo e o meu olhar sobre todas as coisas. “Se a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”, vou escolher sofrer menos, e assim viver menos preocupado, menos estressado. E quanto aos outros? Bem, que eles também possam aprender, também através dos erros, e melhorar suas condutas. É o que nos cabe como esperança.

Que possamos assumir as rédeas de nossas mentes a fim de que os nossos atos sejam benéficos à sociedade, e que as ações danosas dos outros nos incomodem menos, não por covardia ou omissão nossa, mas sim por preservarmos o nosso maior bem – a saúde.

O que o seu espelho tem refletido?

Os espelhos só mostram a realidade, nada mais que isso.

Criamos a ilusão de que ao nos colocarmos em frente a ele, veremos outra pessoa. Tem gente que até vê mesmo, mas não é real. É produto de uma mente que vive no futuro, esperando que tudo seja transformado no presente, sem nenhuma ação que promova isso.

Quando um homem de 40 anos se olha no espelho, ele possivelmente enxerga fios brancos na cabeça ou na barba. Percebe que o tempo passou e gosta do que vê. Lembra das viagens, dos amores (correspondidos ou não), dos estudos, dos trabalhos, das loucuras, das responsabilidades, de tudo que viveu até ali.

Esse mesmo homem de 40 anos pode também se olhar no espelho e não enxergar nada além de uma imagem irreal. Cabelos pretos, pele lisa, rosto sem marcas, barba feita. Ele volta no tempo e lembra do que não fez. As viagens só planejadas, a mudança de trabalho que não aconteceu, a moça que não foi conquistada, a faculdade que não terminou e a vida que se foi.

Os espelhos sempre nos mostrarão quem somos no momento real. Eles não mentem, não escondem, não disfarçam, não camuflam. Só refletem aquilo que somos. Verdade nua e crua. A diferença de um espelho para o outro é o seu tamanho. Quanto maior, mais nos vemos por inteiro, quanto menor, menos conseguimos ver quem somos de verdade.

Algumas pessoas preferem não ter espelhos em casa. Fogem da realidade que os assombra. Vêem algo disforme, que não combina com o pensar e o agir, acreditando que o que estão vendo não é real, e por isso, não se preocupam em parar, em silenciar, e enxergar de verdade (se é que a verdade existe) o que estão vendo.

O tempo é fugaz, e muitas vezes não o temos, para ficarmos olhando no espelho aquela pessoa tão boa e inteligente que achamos que somos.  Sim, nos achamos perfeitos pelo simples fato de existirmos, mas nos esquecemos do porquê de estarmos aqui, e por isso sofremos, porque não conseguimos dar sentido à nossa vida.

O espelho, assim como o tempo, nos traz o lume daquilo que somos e não do que achamos que somos, ou do que dizemos que vamos ser. Ele é real, não ideal. O tempo que não podemos enxergar, diferente do espelho que está à nossa frente e que estamos vendo, está passando, inexoravelmente, nos mostrando que o que estamos vendo foi ele quem trouxe, ainda que não quiséssemos. Porque o tempo é cruel, ele passa, vai embora, deixa conosco o que nossa imaginação produziu, mas que nunca existiu.

Se queremos ter uma boa visão no espelho, não será pensando, sonhando ou imaginando, que vamos alcançar o nosso objetivo. Se queremos ver a beleza (se é que ela existe) refletida no espelho, não vai ser cobrando do tempo um tempo a mais ou que ele volte, vai ser fazendo, amando, agindo e vivendo.

Por que o silêncio é importante?

De repente todo mundo começa a falar. Todos ao mesmo tempo. Quem escutar? Quem ignorar? Não sei ao certo, por isso prefiro o silêncio.

Quando alguém diz algo sobre algum assunto, não está buscando uma explicação, e sim expondo sua opinião. Quem fala está querendo mostrar que está certo, tendo ou não bons argumentos. Quem escuta, está tentando aprender algo, mas muitas vezes não consegue, porque cada um fala a sua verdade, mesmo sendo inverdade.

Acreditamos nos jornais, nas revistas, na televisão, no rádio, nas pessoas, porque eles e elas estão sempre falando algo, dando a sua opinião, rasa ou profunda, sobre tudo na vida. Escutamos atentos, outras vezes não. Mas quem fala nunca para, nunca sente sede, fala tanto que até esquece o que estava falando.

Dizem que quando estamos em silêncio é porque estamos conversando com a nossa alma ou nosso coração. Mas se você disser isso a alguém, logo essa pessoa vai tentar te convencer falando que a alma não existe, ou que ela existe e que só o corpo morre, ou que seu coração é do tamanho da sua mão fechada, ou que a atividade física faz bem ao coração.

É por isso que prefiro o silêncio. Porque quando você fala alguma coisa, alguém logo vem despejando em você tudo o que sabe, ou acha que sabe. Se você fala sobre futebol, vem dizer para qual time torce, se você fala sobre educação, vai dizer que conhece alguém que é rico sem ter estudado. Se você fala sobre amor, vai dizer que não acredita ou que ama muito alguém.

Gosto menos dos números que das palavras. Os números estão preocupados em mostrar resultados, já as palavras querem nos convencer de algo, por isso vou sempre escolher o silêncio. Quando estamos quietos, recolhidos com o nosso eu, nos tornamos silenciosos para ouvir o que passa ao nosso redor. Só conseguimos pensar em silêncio, e a reflexão só vai acontecer se ele (o silêncio) estiver presente.

No mercado e na vida todo mundo quer vender algo. Uns querem vender o seu produto, outros querem vender a sua verdade. E como sabemos que a verdade não existe, então o que querem nos vender são as suas crenças.

Quando aprendermos a viver em silêncio, as nossas conquistas serão maiores e melhores, assim como os nossos relacionamentos. Silenciar também indica escutar o outro, quando o outro tem algo importante a dizer. Ao nos silenciarmos, talvez não escutaremos a voz do nosso coração ou da nossa alma, mas certamente compreenderemos que toda conquista, apesar de ser reconhecida externamente,  só pode ser alcançada no silêncio que habita dentro de nós.

Por que não vivemos a nossa vida?

Antes de mais nada lembro que este texto, assim como todos os outros, é uma reflexão. Portanto, não há verdades ou mentiras, só pensamentos, ideias e um pouco de provocação.

De imediato alguém diria: “mas eu vivo a minha vida”! Será? Algumas perguntas nos farão refletir se a afirmativa é verdadeira ou se cabe algumas reflexões.

Primeira pergunta. Para que tiramos fotos em todos os lugares que vamos? Alguns dirão que é para guardar de recordação, mas a maioria, talvez de forma inconsciente, sabe que as fotos são para serem mostradas aos outros. Se estou num bar e a cerveja chegou gelada, tiro uma foto dela e coloco em minhas redes sociais. Qual o objetivo? Mostrar aos outros que eu estou tomando uma cerveja gelada, que estou num belo ambiente, que estou feliz e que nem todos podem participar presencialmente desse momento.

Há pessoas que não curtem o momento do pôr-do-sol, uma viagem especial, uma paisagem bonita, um lugar diferente. Elas precisam antes de curtir, tirar uma foto, para mostrar a alguém o quão estão felizes naquele momento. Será que realmente estão? Curtir o momento ou postar para que os outros curtam?

Segunda pergunta. Por que queremos sempre estar na moda? Porque necessitamos fazer parte. Talvez essa seja a resposta mais sincera. Fazer parte é estar inserido ou inserida. É não estar de fora, não estar à margem. Precisamos ser iguais àqueles que julgamos tão bons ou melhores que nós. Precisamos ser diferentes daqueles que julgamos inferiores a nós. Por isso, fazemos parte de um grupo que segue a moda, que usa o tênis de marca famosa, que compra uma roupa nova ou especial para o Réveillon, que possui uma área gourmet em sua casa, que troca de celular quando o seu grupo de referência também já trocou.

Vivemos a vida do outro quando não fazemos escolhas por nós, mas por eles, por pessoas que julgamos mais importantes, ainda que não assumamos isso. O que somos, o que temos, o que queremos, tudo é em função do outro. Como viveríamos se não pudéssemos mostrar ao vizinho a casa que temos, o nosso jardim, a nossa piscina? Como viveríamos se as pessoas que conhecemos não pudessem ver que estamos felizes comendo uma feijoada num sábado de sol? Ou uma moqueca de peixe com camarão no domingo? Ou um churrasco no feriado?

 Ainda que sejamos independentes, e disso nos orgulhamos sempre, nunca seremos. Dependemos do elogio alheio, da curtida, das palminhas nas redes sociais, da aprovação, do aplauso do outro. Artistas sobem ao palco e esperam ser ovacionados. Nós também agimos assim no dia a dia. Qual cantor ou cantora não quer sentir o aplauso do público? Desejamos o reconhecimento, seja pelo nosso trabalho, pela nossa condição econômica, ou pela nossa felicidade, ainda que ela não seja tão real quanto pareça.

Deveríamos viver a nossa vida em silêncio, mas não conseguimos, temos que contar ao outro, especialmente as coisas boas que nos acontecem, porque as ruins preferimos esquecê-las ou escondê-las. Sempre viveremos a vida do outro e o outro a nossa, porque somos parte do rebanho e por mais que reclamemos, gostamos de viver assim. Felizes são, portanto, aqueles que conseguem se desprender dessa teia, porque eles realmente podem se dizer livres, e quando os encontramos olhamos para eles de forma diferente, e lhes chamamos de loucos.

Onde está o sucesso?

Sucesso. Palavra que significa muito para a grande maioria. O alvo é o sucesso. A meta é o sucesso. O objetivo é o sucesso. Mas por que nos preocupamos tanto assim com o sucesso?

Sucesso tem a ver com passado. Se você conseguiu se formar, ter uma casa, comprar um carro, se o seu empreendimento lhe rendeu altos lucros, se você conseguiu o cargo de gerente na empresa, se escreveu um livro…você é um homem ou uma mulher de sucesso. Pelo menos parece que é isso que a nossa sociedade acredita.

Vejamos o sucesso então por outro lado. Você se formou colando em todas as disciplinas; sua casa foi adquirida de forma ilícita; seu carro tem apenas uma prestação quitada das tantas que o banco financiou; sua empresa teve lucros, pois você sonegou impostos; você só é gerente porque enganou os seus colegas de trabalho; e seu livro é uma ideia roubada de um colega. Pergunto: onde está o sucesso?

A ideia que temos de sucesso é enganosa. Ele devia partir de dentro para fora e não o contrário. Sucesso é pessoal e não coletivo. Não preciso fazer algo para que os outros vejam, devo fazê-lo porque gosto, porque me traz prazer. Se alguém gostar do meu livro, ótimo! Não escrevi querendo agradar a alguém ou a todos. A ideia é não buscar o sucesso, mas deixar que ele venha por si, sem imposições. E se veio, bom, e se não veio, bom também.

As pessoas sofrem querendo o sucesso. Se não tenho mais de mil seguidores, sou um fracasso. Se a minha postagem não deu pelo menos duzentos curtidas, é porque eu falhei em algo. Se eu vendi apenas dez livros, a culpa é minha. Se não fui promovida na empresa, é porque há gente bem melhor que eu na frente.

De fracasso em fracasso pavimentamos o nosso caminho para o sucesso. Mas não que o sucesso seja o objetivo. Ele é apenas o caminhar, diário, pequenas ações que vão fomentando algo maior, que poderá ou não se tornar sucesso. O sucesso deve ser pessoal, porque ele vem de dentro, sem preocupações, sem neuras, sem esperas.

Ter um casamento feliz é sucesso, não porque a sociedade acredita nisso, mas porque você quer, porque ter alguém com quem dividir tudo te traz paz de espírito. Ver os filhos crescerem e se desenvolverem é sucesso, ainda que eles não estudem nas melhores escolas, que tenham os melhores brinquedos, mas poder acompanhá-los de perto é ter sucesso. Ser saudável é ter sucesso. Amar alguém e ser amado é sinônimo de sucesso, ainda que você não esteja postando isso nas redes sociais todos os dias. Não é para os outros, é para você. Isso é sucesso!

Se você chegou ao final deste texto discordando de tudo o que foi escrito, não tem problema. Só te peço que reflita sobre os sentimentos que carrega dentro de si. Felicidade e sucesso, por exemplo, não estão na sociedade, e sim dentro de cada um. Portanto, se desejas ser feliz ou queres o sucesso, saberás onde encontrar as respostas.

O que esperar do Ano Novo?

Todo ano é a mesma coisa. Chega-se ao seu final e espera-se que o próximo seja diferente, repleto de boas notícias. Mas nem sempre isso acontece. Por que será?

“Quem espera sempre alcança”, já diz o ditado enganoso. E talvez porque ficamos sempre esperando é que nada acontece. Não sou um grande adepto da paciência, mas nem por isso costumo agir por impulso. O problema é que tem muita gente que espera demais, ou espera que o outro faça, e muitas vezes nada de novo acontece.

O final do ano é a data do balanço. Colocar os prós e os contras numa balança faz parte de nossa cultura. Podemos chegar ao último dia do ano e dizer: “Realizei a maioria das coisas que planejei” ou posso também reclamar: “Este ano não foi bom, porque não tive sorte”.

Se desconsiderarmos o ano de 2020, por causa da pandemia, o que fizemos de positivo ou de diferente em outros anos? Talvez nada. Talvez também porque ficamos esperando de braços cruzados por uma novidade, por um lance de sorte. E aí chegamos ao final do ano mais uma vez “esperando” que algo de bom aconteça no próximo.

Todo ano novo parece uma segunda-feira, mas não porque seja um dia de trabalho ou de preguiça, e sim porque toda segunda-feira iniciamos novos projetos, ou pelo menos dizemos que vamos iniciá-los. Conheço muita gente que deixa para começar um novo projeto na segunda, porque na quarta já é meio de semana. Assim também pessoas deixam seus sonhos e projetos para o ano seguinte, afinal agosto, setembro ou outubro já não há mais tempo para realizações.

E assim vamos vivendo e fingindo que a sorte não está ao nosso lado, que alguém tomou a nossa vaga no concurso, que o tempo foi escasso, que uma semana doente nos fez desistir, ou que fomos obrigados a adiar os planos.

Em 2021 tudo vai ser diferente. O emprego esperado. O relacionamento perfeito. O casamento. A viagem dos sonhos. O ingresso na faculdade. O mestrado. E assim vamos acreditando que a nossa felicidade está num futuro próximo, e não enxergamos que a cada passo que não damos, o objetivo dá um passo à frente se afastando de nós. Nesse ritmo, nunca o alcançaremos, porque estamos constantemente esperando…

É lógico que as pessoas são diferentes, e precisamos respeitar o ritmo de cada um. Só que o tempo é cruel, ele não espera! Ele caminha a passos largos, corre e até voa, principalmente quando deixamos a vida nos levar.

Portanto, não esperemos que o ano seja novo, mas que nós sejamos a inovação. Que 2021 seja um ano diferente, não porque a pandemia poderá acabar, mas sim porque vamos parar de esperar pelo o que o outro vai fazer, ou quem sabe esperar a chuva parar, o sol sair ou um evento externo acontecer.

Vou fazer uma previsão para 2021! O ano novo vai ser bom, especialmente para aqueles que irão à luta e sabem que nada de novo acontecerá se nada de novo fizerem.

E quando o sonho não foi realizado?

Ouvimos desde muito cedo que os sonhos podem ser realizados. Eu disse “podem” e não “devem”.

Nem sempre vamos conseguir realizar os nossos sonhos. Mas nem por isso precisamos nos tornar pessoas infelizes. Conheço muita gente que carrega consigo grandes mágoas ou um rancor tão grande, que o fardo se torna cada vez mais pesado na medida em que os anos passam.

Se servir de consolo, já tive diversos sonhos abandonados, e nem assim me tornei alguém pior ou com sentimentos ruins. Sonhos vêm e vão, e alguns deles não são mesmos realizáveis, mas só descobrimos isso com o tempo, quando a maturidade chega.

Desejar morar numa mansão, ter um carro importado, ser bem sucedido na profissão, ser famoso, ganhar muito dinheiro, viajar por todo o mundo, enfim, cada um tem o seu sonho e é preciso respeitar isso. No entanto, os sonhos também mudam, de acordo com cada fase da vida.

Os sonhos são como as filas de um supermercado ou banco. À medida que você foi atendido, vai embora e já pensa no próximo compromisso. O problema é que muitas vezes as pessoas são impacientes e não estão dispostas a enfrentar a fila. Desistem, saem da fila e dão o seu lugar a outras pessoas.

Assim como nós, os sonhos também mudam. E o importante é que tenhamos essa consciência. O tempo passa e com ele um ou outro sonho se vai. Admiro as pessoas que têm certeza do que querem e lutam por isso. Eu, particularmente, não sou assim. Mudei de opinião diversas vezes, assim como de sonhos também. Vou caminhando na dúvida e vez ou outra encontro o que eu queria, e assim, me realizo.

Há quem diga que se você não se esforçou por um sonho, é porque não era realmente um sonho, apenas um desejo fugaz. Mas se você tem certeza do que quer, vale a pena lutar, porque acostumar-se com as vitórias é sempre melhor que com as derrotas.

Não quero aqui desanimar ninguém quanto ao alcance ou não dos sonhos; pelo contrário, o que desejo é mostrar aos leitores que viver frustrado por algo não realizado só vai te tornar uma pessoa pior, amargurada. É preciso desamarrar os nós que nos ligam a um passado que não existiu, e ficar ruminando ideias que não saíram do papel ou sonhos que não foram realizados, só nos fará sofrer.

É por isso que sonhos, se são verdadeiros, precisam sair da mente e ir para o papel, para a ação. Um sonho começa com uma ideia, que depois vira projeto, que necessita de pequenos planos e ações, que só se torna realidade quando você se dedica e acredita que ele é importante para você.

Gosto da frase de Buda, “toda caminhada começa com um simples passo”. Que possamos então iniciar a nossa caminhada, na realização de nossos sonhos.

O que esperar do Natal?

Se eu fosse cem por cento pessimista, responderia “nada”. Não espere que o seu Natal seja diferente dos demais, porque não será. Mas como ainda tenho um pouco de otimismo, acredito o Natal será bom, ainda que repleto de egoísmos.

Sabe aquela prima que há exatamente um ano você não vê? Pois é, você a verá novamente no Natal. Passou um ano e você não ligou pra ela e nem ela pra você. Sabe por quê? Porque não há amizade. E aquele primo que mal te cumprimenta quando te encontra na rua? Pois é. Ele também estará na ceia natalina.

Além desses dois personagens, tem o tio que bebe muito, o primo que usa drogas ou está desempregado, a tia que reclama de tudo, da comida, dos doces e principalmente da vida, enfim, como diz Simone em sua música chatíssima: “Então é Natal”.

Alguém vai dizer que sou chato, que o Natal é muito bom! Sim, algumas pessoas curtem a data, se reúnem, se gostam, mas elas não fazem isso só no Natal, e sim durante o ano. O Natal não deveria ser uma data importante, a não ser que você fosse criança e acreditasse em Papai Noel.

Na minha infância ficávamos excitados pela chegada da data, principalmente pelos presentes, é lógico. Com o tempo você vai lembrando e percebendo que os primos mais ricos recebiam presentes melhores que os mais pobres. Que há tios e tias, irmãos, primos e primas, que não se suportam, mas imbuídos do Espírito Natalino, acabam se tolerando, apenas por uma noite.

Com o tempo você também descobre que o bom velhinho que você tanto espera e elogia é o seu pai ou sua mãe, que se sacrificam o ano inteiro por você, e não recebem um elogio sequer. Descobre também que Papai Noel deveria se chamar “Homem Coca-Cola”, porque até as cores da sua roupa lembram a marca da empresa mundialmente famosa. Descobre que o Marketing é quem realmente entra pelas chaminés, televisões, olhos, ouvidos e mentes. Descobre por fim, que o Natal é uma data inventada para que possamos gastar o nosso 13º salário.

Há na vida sim, final de ciclos, o fim de um ano pode representar muitas coisas – boas e ruins. Você pode refletir, rezar, olhar para trás, agradecer, fazer contas, colocar tudo na balança, e em seguida, planejar o próximo ano, outros planos, projetos e ações. Ótimo! Mas você não precisa fazer disso um evento, regado a comida e bebida, e dizer que o fez em nome do Menino Jesus. Não é justo!

Por isso, desejo neste Natal, e nos próximos, que não ganhemos muitos presentes, porque eles podem não significar amor e sim obrigação; que não nos reunamos ou confraternizemos por tradição, e sim por fruição; que gostemos de estar juntos das pessoas, não porque são familiares e sim pelo prazer da presença delas; que não sejamos hipócritas em acreditar num espírito natalino ou coisa do tipo, porque o ano tem 365 dias e não somente uma data.

Que tenhamos um Natal como o das crianças, de esperanças, de pureza, de encontro e brincadeiras; que possamos ter mais empatia, sermos mais verdadeiros, e acreditarmos que o Natal é uma data comum, como outra qualquer, e que na realidade, quem deve ser e agir diferentes somos nós, e não somente no final do ano, mas durante todo ele.

Formei. E agora?

Colar grau. Formar-se. Finalizar o curso superior. Três frases importantes que definem o fim de um ciclo. Tudo é festa e muita alegria. Mas e depois?

Bem, depois é um pouco diferente. Realizar o curso superior durante quatro ou cinco anos não é uma tarefa fácil, especialmente quando o acadêmico leva o curso a sério, estuda, pesquisa, participa de atividades extraclasse, se envolve em projetos e se dedica prioritariamente à faculdade.

Não foi o meu caso, e de tantas outras pessoas, que por motivos diversos, não se dedicaram mais ao período de formação superior. Mas isso tem importância? Até certo ponto sim. E a palavra-chave é “socialização”. Quando você se dedica a algo, costuma ser bom naquilo, torna-se referência, conhece pessoas, ajuda outras, é procurado, indicado, elogiado, e, sabendo enxergar oportunidades, conseguirá pavimentar o seu caminho pós-faculdade.

Pois bem, chegamos ao ponto básico que queria abordar. Estar na faculdade, independente da modalidade, se Educação à distância ou Presencial, não vai fazer do acadêmico um potencial profissional com excelência. Só se dedicar aos estudos, também não, a não ser que o seu foco seja a aprovação num concurso público. Mais que estudar, é preciso relacionar.

Festas, encontros, passeios, gincanas, visitas técnicas, futebol no final de semana, grupos de estudos, tudo isso acaba desembocando num único lugar – relacionamentos. Rede de contatos, networking, grupos, equipes, não importa muito o nome, a diferença de quem quer se dar bem profissionalmente, mormente após o ciclo acadêmico, é conhecer e gostar de pessoas.

É óbvio que, durante os anos em sala de aula, muitos de nós não nos preocupamos com o futuro, pois ele parece bem distante. Além disso, é preciso viver uma fase de cada vez, ou como dizia o procrastinador: “Depois que eu me formar, penso no que vou fazer”. E é aí que mora o perigo.

O primeiro sintoma sentido no pós-formatura é o medo. Por que muitas vezes você se forma, mas não está preparado para isso. Perguntas do tipo: O que eu sei? O que eu aprendi? Por onde começar?; todas elas soam como um alerta a principal delas: E agora?

Quando só se estuda, compromissos podem ser adiados, uma aula pode ser matada, nada de muito grave acontecerá. Quando se trabalha, as coisas mudam. Faltar o trabalho pode ocasionar demissão. O descompromisso pode gerar conflitos. Muitos não estão preparados para os desafios, para o novo ciclo, um ciclo que exigirá maiores responsabilidades; afinal de contas, deixamos de ser estudantes para nos tornarmos trabalhadores.

No entanto, não há fórmulas ou receita de bolo para se ter sucesso profissionalmente após um longo período de estudos. O que fazer então? A dica vem de Yuval Harari, autor do famoso livro Sapiens: uma breve história da humanidade. A chave para o sucesso da humanidade foi – e continua sendo – a cooperação entre as pessoas. E ser cooperativo é importante não só durante o período acadêmico, mas por toda a vida.

Dúvidas ou certezas?

Você tem certeza de alguma coisa na vida?

Muitas pessoas afirmam que a única certeza que se tem é a da morte. Ela chegará inexoravelmente para todos nós. Mas será que não temos outras certezas?

Deus existe? Sua família é tudo? Amizade é a coisa mais importante? O amor é o maior dos sentimentos? Somos todos iguais? Estou feliz profissionalmente? Somos livres?

Essas perguntas, muitas sem respostas, nos incomodam em determinados momentos da vida. Talvez porque busquemos a certeza, e não a encontramos, talvez porque não estejamos procurando nos lugares adequados, talvez porque elas não existam ou nunca vão existir.

Não conseguimos ter a convicção de que Deus existe? Sim. Ele existe. Mas e quando nos acomete uma tragédia ou uma grande perda? Acreditamos Nele? Ou questionamos a sua existência? Se somos todos iguais, por que não temos as mesmas oportunidades? Alguém escolheria sofrer? Escolheríamos uma vida de pobreza, sem oportunidades, sem desejos?

E são justamente eles, os desejos, que nos movem, mas que também nos paralisam. Porque nunca vamos satisfazer todos os nossos desejos. Eles nos serão infinitos. Tudo bem, são eles que nos farão caminhar, no entanto, são eles que nos farão parar e perguntar: Onde eu quero chegar? O que eu preciso para ter uma vida boa?

Sem dúvidas, a resposta está no caminhar, no dia a dia, na vida presente, nas atitudes ou na falta delas em relação a tudo. Quero um melhor emprego, um melhor salário, para ter o que eu desejo, mas e depois? O que vou querer mais? Conseguiremos ter a certeza de qual será o limite dos desejos?

Disseram-me certa vez que a “família é tudo”. Eu acreditei. E depois de um tempo descobri que não era. Tive a crença de que todos devem se ajudar, especialmente dentro da família. Não é bem assim. Desacreditei no que eu acreditava e passei a ver que a família é importante, não porque deveria ser, mas porque poderia ser. A família é o suporte que todos precisamos, mas que nem todos têm. Deixei as crenças de lado e mudei de opinião. Família é sim uma instituição valiosa, mas nem sempre estaremos em uma que vale a pena. Não tenho certeza! Talvez a dúvida é que me faça caminhar, tomar atitudes…

Admiro quem tem certeza de tudo, porque quando “quebra a cara”, muda de opinião, e segue vivendo. Isso já aconteceu comigo, quando eu tinha algumas certezas. Hoje, porém, não tenho mais tantas certezas, talvez algumas poucas, que vão durar até o momento da decepção.

Alguma dica no final? Viver a dúvida ou viver a certeza? Prefiro a dúvida, pois é no caminhar que ela vai se desfazendo. A certeza pode ser boa, até encontrar-se com as contingências. A dúvida nos leva à busca, às respostas, nos tira do comodismo. A certeza nos frustra, porque nem sempre vamos estar preparados para a verdade. Qual a sua escolha?