A vida começa aos 40?

Esse texto deve aguçar a curiosidade de quem passou dos trinta ou quem já está nos quarenta. Para os mais jovens, chegar nessa idade não tem tanta importância, porque quando estamos longe de um objeto, não prestamos muito atenção a ele, e o mesmo só vai ganhando forma quando vamos nos aproximando. É como a aposentadoria. Ninguém pensa nela com vinte anos de idade, mas depois dos quarenta, ela vai se tornando mais real.

Mas falar de aposentadoria e dizer que a vida começa aos quarenta parece contraditório. Uma representa o fim, a outra o início. Para tentar entender, é preciso boa vontade. Se achamos que a vida tem dia e hora para começar, estamos vivemos no mundo ideal. A vida é sim um eterno recomeço, ainda que muitos não pensem assim. Sair do emprego, trocar de relacionamento, constituir uma família, mudar de carreira…Tudo isso requer transformação, recomeço, mudança. Portanto, a vida pode começar aos 40, 50, 60, 20, 30, depende do nosso olhar e de nossas atitudes.

A vida de um jogador de futebol termina aos quarenta, e em muitos casos, bem antes disso. A vida de um empresário pode começar aos quarenta, quando ele decide que trabalhar para ele é mais interessante que trabalhar para os outros. O que realmente importa é chegar aos quarenta sabendo que não se tem mais o vigor dos vinte anos, mas a experiência e a maturidade de quem passa a enxergar a vida de outro modo.

No entanto, o pensar e o agir aos quarenta não são padronizados. Há pessoas com quarenta, que agem como se tivessem vinte; outros com trinta pensam como pessoas de sessenta. Não é o tempo a razão disso, mas o que cada um viveu desde o seu nascimento.

Quando chegamos aos quarenta é possível pensar de duas formas. A primeira é de dever cumprido. Estudei, trabalhei, adquiri alguns bens e perdi outros, conheci pessoas e desconheci outras, vivi em lugares bons e ruins, enfim, posso dizer que conjuguei o verbo viver, no seu sentido mais pleno. A segunda forma de pensar é pela insatisfação. Não fiz o que eu queria, porque vivi a vida dos outros, não estudei o que eu queria, não trabalhei onde desejava, não me relacionei por medo de apaixonar, não tomei atitudes, enfim, deixei tudo para o futuro, e ele chegou, jogando em minha cara tudo aquilo que eu disse que ia fazer um dia.

Portanto, a grande diferença entre chegar aos quarenta acreditando que sua vida está começando ou não, está exatamente naquilo que você viveu ou deixou de viver. Prefiro acreditar que a vida não começa aos quarenta, e isso não é pessimismo; mas que ela começou quando nasci e vai até o último dia da minha existência. Isso parece óbvio? Sim. Porém, algumas pessoas parecem não acreditar nisso. A vida vai existir aos 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80…A forma como você vai encará-la e desfrutá-la é que será o grande diferencial entre todos nós.

Começar a vida aos quarenta pode até ser um combustível extra para os otimistas ou para aqueles que até o momento não conseguiram viver plenamente. Mas é bom ficar alerta, porque começar, recomeçar, caminhar ou simplesmente viver não vai depender da sua idade e sim de como você pensa e age em relação a esse curto espaço de tempo que chamamos de vida.

Por que somos incoerentes?

Recorrendo ao dicionário mais uma vez, descobrimos que a incoerência é algo desprovido de lógica, desordenado, sem nexo e desarmônico. Nesse sentido, tudo aquilo que não tem coesão, é porque está fragmentado, sem conexões.

Para melhor entendimento, os exemplos sempre nos salvam. Em seu discurso, alguém diz que é uma pessoa diferente das demais, que não segue padrões, mas na prática, só usa roupas da moda. Estar na moda contradiz o ser diferente, concordam? Afinal, a moda impõe regras e padrões, nos quais a maioria se enquadra, exceto os diferentes.

A incoerência sempre surge no limite entre a teoria e a prática. Se você afirma que é ou que faz algo, é preciso que isso seja real, verdadeiro, tanto no falar quanto no fazer, caso contrário, poderá ser tachado de incoerente, ou pior, de mentiroso.

Muitas vezes nos contradizemos sem mesmo ter a exata noção de que o fazemos. Pode ser falta de leitura, conhecimento, ou mesmo uma desconexão daquilo que achamos que somos ou pensamos, distintamente da forma que agimos. Imaginemos uma pessoa que se diz ideologicamente de direita, mas que estudou em escolas públicas, prestou concursos públicos, seus filhos estudam em faculdades públicas. Podemos dizer que essa pessoa é incoerente? Talvez sim, pois quem é “direitista” defende o Estado mínimo, ou seja, a menor participação do Estado na vida das pessoas.

Do outro lado, temos alguns esquerdistas, que demonizam o capitalismo, mas não conseguem deixar de viver a maior razão de ser do capitalismo, o consumismo. Estão sempre trocando de carro, celular e de outros bens, porque o que vale, na visão delas, é o discurso e não a prática. Não há para onde fugirmos, em algum momento fomos ou seremos incoerentes, e o pior, por vezes nos achando os senhores da razão.

Acredito ser praticamente impossível sermos cem por cento coerentes, porque a harmonia necessita de um estado perfeito de sons. E os sons que muitas vezes emitimos não passam de ruídos, que incomodam os ouvidos alheios por saberem que o discurso difere totalmente da prática.

Por isso, se você gosta de fazer algo, assuma esse gosto, para que não caia na tentação de dizer “eu não gosto”, para impressionar alguém, quando na realidade sua ação retrata o contrário daquilo que foi dito. Ler livros de autoajuda não é algo vergonhoso, mas as pessoas escondem isso, se tornando incoerentes. Lêem os livros e depois esquecem de que anteriormente os havia criticado.

O grande segredo da coerência é você viver a sua vida, sem se importar muito com a opinião alheia. Ninguém é obrigado a saber sobre todos os assuntos e ter opinião formada sobre tudo. Não necessitamos sempre escolher um lado, seja ele o da esquerda ou da direita. Precisamos sim, é ter a compreensão de que a vida é muito curta, e que a grande harmonia presente nela, é sermos exatamente quem somos.

Você conhece a sua história?

As estórias sempre nos encantam, porque nos levam a dimensões nunca imaginadas. Ler um livro de ficção, por exemplo, faz com que viajemos por outros mundos, que não vamos conhecer, mas que eternizam alguns sentimentos. Já a História, estudada na escola, nos leva a uma dimensão real, que hoje não existe mais, mas que ficou marcada por acontecimentos e pessoas. Estudar a história do país, por exemplo, é tentar compreendê-lo hoje, a partir de situações passadas. Mas e a sua história? Você a conhece?

Não gosto muito de falar no passado, porque acho que algumas pessoas se prendem muito a ele. Mas entender o que nele aconteceu, pode nos ajudar, e muito, a decifrar mistérios e compreender porque somos e agimos de determinadas formas.

Você já se perguntou por que vai à igreja todos os domingos? Acredita mesmo em Deus? Ou frequenta a mesma igreja porque os seus pais assim o faziam e o ensinaram? Vai à missa ou ao culto por que gosta e participa efetivamente, ou é só para cumprir uma atividade de rotina? Não estou aqui como o advogado do diabo, mas penso ser importante refletirmos sobre o que fizemos não pensando em nós, mas nos outros.

Você tem muito medo de algo? Se sim, já se voltou à sua história e tentou descobrir as razões para esse medo? Foram amigos de infância que o impuseram ou foram seus pais que sempre fizeram questão de te alertar para os efeitos negativos de tudo em sua vida? Como por exemplo, viajar, dirigir, conhecer novas pessoas que não fossem as de sua família etc.

Você acredita hoje que estudar não é tão importante, afinal de contas, é do trabalho que vai tirar o seu sustento e o de sua família. Quem te ensinou isso? Seus colegas de trabalho? Seus vizinhos acomodados? Ou foram seus pais que, por pertencerem a outra geração, pensavam assim?

Esses três exemplos que citei mostram um pouco da nossa história, que é muito maior e abrangente que nossas crenças religiosas, nosso pensamento em relação ao trabalho, educação e à forma como encaramos a vida na atualidade. Mas quando chegamos à fase adulta, muitas vezes nos incomoda a forma como agimos em algumas situações, e o medo de olhar para trás pode nos tirar o prazer de conhecer algo novo, que diz respeito a nós mesmos e que talvez não tínhamos ideia que existia em nossa vida.

Do mesmo modo, a intenção aqui não é fazer críticas aos pais, parentes, vizinhos, colegas e amigos, que em alguns momentos de nossas vidas nos indicaram caminhos que eles acreditavam serem os melhores. O que gostaria que ficasse claro é que a viagem ao passado pode nos fazer compreender que esta viagem que fazemos agora (no presente) pode ficar mais suave e prazerosa, se a rota puder ser corrigida, trazendo-nos a satisfação do autoconhecimento.

Ainda hoje nossas ações e sentimentos parecem estar vinculados ao nosso passado, mas não nos damos conta disso, porque temos receio de olhar pra trás e fazer questionamentos. Essas indagações poderão até não nos fazer mais felizes, mas certamente nos mostrarão que existe um caminho lógico que nos torna ou nos tornou do jeito que somos hoje. Se você está feliz, ótimo! Continue assim! Mas se ainda busca respostas, talvez necessite conhecer um pouco mais da sua própria história.

Precisamos ter mais ousadia?

Ousadia no dicionário aparece com alguns significados: coragem, arrojo, imprudência e temeridade. Percebam que os dois primeiros referem-se a virtudes e os dois últimos a defeitos.

Ser ousado, no sentido de ter coragem, faz com que nos sintamos mais fortes, destemidos e dispostos a agir. Mas agir aqui não no sentido de fazer algo por impulso, e sim, de pensar, refletir, tomar a decisão, e por fim, o ato. É a coragem que nos impelirá ao alcance dos objetivos, ao resultado do projeto, a consecução de algo que estava só na mente e que de repente virou realidade. É o sonho realizado.

Enquanto o medo nos paralisa, a coragem nos põe em movimento. Não é que não possamos ter medo, mas quando ele é bem maior que a coragem, não saímos do lugar. A nossa inação gritará enquanto a ação se encolherá diante de alguma situação. Ser ousado é arriscar, um risco calculado, pensado, mas que precisa ser testado, realizado.

Ousado é muitas vezes o sujeito que tenta, mesmo sem ter a certeza. É aquele aluno que quando o professor faz uma pergunta, ele desconfia da resposta e levanta a mão dizendo-a. Ele pode errar, mas pelo menos tentou. O medroso ou o receoso sabe a resposta, mas não levanta a mão, com medo de errar. Sua resposta estava certa, mas ele perdeu a oportunidade de acertar, e depois se arrependeu.

O problema da ousadia está justamente no seu excesso. Quanto mais coragem, maiores também as chances de cometer um ato imprudente. É o risco de errar, de quebrar a cara, de dizer uma besteira ou fazer uma. A temeridade nos torna cegos, especialmente quando temos a certeza, aliás, certeza é uma palavra capciosa, pois confunde os sentimentos. Sabe aquela menina ou aquele rapaz na balada que não para de te olhar? Pois é, você achou que estava te paquerando, mas não era. Era alguém atrás de você. A ousadia exige equilíbrio, como qualquer outro sentimento em nossas vidas.

Alguma dica ou regra que pudéssemos seguir além do equilíbrio nas ações? Pensei no preparo, no treino, no planejamento. Quando pensamos antes de agir, costumamos tomar as melhores decisões. O preparo ou o treino é a tentativa de antever o problema e conseguir superá-lo. Imagina que você decida participar de um processo seletivo para um mestrado. Seria ousadia de sua parte? Não, desde que você realize um bom planejamento. Busque informações sobre o programa de mestrado que deseja, tais como: corpo docente, linhas de pesquisa disponíveis, os últimos editais lançados, possíveis leituras; e talvez o mais importante, a elaboração de um bom projeto.

As pessoas ousadas não são mais corajosas que as outras, porque nasceram assim, com esse “dom” ou com essas características. Algumas até podem ser que sim, mas a maioria vai se desenvolvendo durante a vida, aprendendo que o segredo para as realizações passa primeiro pelo preparo, pelo esforço, pela dedicação e em seguida para a recompensa. Ser ousado, mais que ser corajoso ou imprudente, é acreditar mais nos seus sonhos e ações. É pensar que se alguém conseguiu, você também pode.

Quando as pessoas mudam?

Não vamos perder tempo neste texto perguntando se as pessoas mudam ou não, porque sabemos que a resposta é “sim”. Não vamos também perguntar se alguém consegue mudar o outro, porque sabemos que a resposta é “não”. Então o melhor é tentarmos entender quando as pessoas mudam.

A resposta mais simples seria dizer que as pessoas mudam quando elas desejam mudar. E é verdade. Alguém pode te dizer que você está gordo e que precisa de uma dieta. Você até concorda que tem a necessidade de emagrecer, mas irá tomar alguma atitude? Não sei. O que sei é que quando isso passar a ser um incômodo, você possivelmente tomará a decisão e agirá.

As mudanças vêm e vão em nossas vidas e às vezes nem damos conta disso. Quer ver um exemplo? O sujeito sempre criticava os colegas de trabalho porque esses chegavam atrasados na empresa, sempre no turno vespertino, e o motivo era o mesmo: a tarefa de deixar os filhos pequenos na escola. Esse mesmo sujeito virou pai e como tal, também passou a ter o mesmo problema com o horário. Será que ele vai mudar sua postura quanto às críticas? A resposta é “sim”.

Mudar realmente não é fácil, mas as mudanças virão sempre que as acharmos convenientes. Subordinados que criticam seus chefes, geralmente mudam de opinião quando ocupam cargos superiores. Da mesma forma, chefes que muitas vezes reclamam da morosidade do empregado em realizar alguma tarefa, quando precisam fazê-la, descobrem que o feitio dela não era tão simples como parecia. É preciso, portanto, empatia, colocar-se no lugar do outro. Assim a mudança virá.

O interesse e a determinação em mudar serão sempre individuais. Cada um sabe ou acha que sabe o momento certo para a mudança. E precisamos respeitar isso. Em muitas situações, desejamos realizar a mudança na vida das pessoas e nos frustramos, porque elas não mudaram. Criamos expectativas e nos decepcionamos, mas esquecemos que o agente da mudança será sempre a própria pessoa.

As pessoas vão mudar quando sentirem o real desejo da transformação. Se analisarmos friamente, por toda a nossa vida as mudanças se deram assim. No trabalho, por exemplo, em algum momento você sentiu necessidade de receber um salário maior. Quais as alternativas? Estudar foi, certamente, uma delas, se não a principal. Ou você foi cursar uma faculdade, ou decidiu estudar para um concurso público.

Na vida pessoal também acontece ou aconteceu da mesma forma. Cansamos de uma fase e mudamos para outra. Talvez alguém tenha aconselhado a mudança, outros tenham até insistido no assunto, mas o importante é que a decisão de mudar foi sua. Pode ter sido a saída da casa dos pais, o fim de um relacionamento ou o início de outro, o casamento, ter filhos, mudar de casa, todas elas só foram possíveis através da sua ação.

Poderíamos terminar perguntando se há um momento especial para as mudanças? Eu diria que não. Mas é importante sempre ressaltar que somos nós os condutores de nossas vidas, por isso, a decisão sempre será nossa. Isso é bom? Para muitos, talvez não!

Sua vida é um conto de fadas?

Você nasceu numa família estruturada, que te deu condições para crescer e desenvolver-se pessoal e profissionalmente.

Sempre estudou em boas escolas e ao ingressar na faculdade pôde escolher, entre uma pública e outras privadas. Montou república, teve sempre dinheiro para gastar nas festas universitárias, além de comprar livros e viajar com os colegas em passeios ou excursões para visitas técnicas.

Formou-se e o seu desejo era o de entrar no mercado de trabalho. Concorreu a algumas vagas para trainee em grandes empresas, podendo escolher a melhor, afinal você sempre dominava o idioma inglês, além de ter realizado intercâmbios em outros países. Fez sua escolha e começou a juntar dinheiro, comprou seu carro, mas continuou a morar com os pais. Anos depois financiou um apartamento.

Um belo dia resolveu largar tudo, porque o trabalho não lhe dava o mesmo prazer, afinal de contas você queria ter qualidade de vida. Tomou a decisão de sair do emprego. Comunicou a escolha aos seus pais, que concordaram. Matriculou-se num cursinho preparatório para concurso público. O investimento era alto, mas ia valer a pena.

Aprovado, passou a receber um salário menor que o da empresa, mas conseguia gozar férias quando quisesse, tinha estabilidade e, principalmente, hora para chegar em casa. Numa dessas férias conheceu uma moça por quem se apaixonou e anos mais tarde casou. De presente dos pais ganhou uma casa, enquanto dos sogros todos os móveis, além de uma viagem de lua de mel para um lugar bem especial.

Os filhos vieram, estudaram em boas escolas, ingressaram na faculdade, conseguiram bons empregos e a vida da família seguiu assim por muitas e muitas décadas.

Essa história parece um conto de fadas, mas não é. Ela é real e acontece com muitas pessoas, que talvez não conheçamos ou nem vamos conhecer, porque não pertencem ao nosso mundo, pois o mundo no qual vivemos é o real e não o ideal. Mas devo confessar que gostaria muito que esse mundo ideal existisse, não exclusivamente para algumas pessoas, mas para todos que não tiveram as mesmas oportunidades na vida.

Qual é o seu problema?

Todos temos problemas. Isso é algo inquestionável. A complexidade do problema está no olhar de quem vive a adversidade.  Nesse raciocínio, o meu problema sempre vai ter um grau menor de resolubilidade que o do outro, ou seja, as chances dele ser resolvido num curto espaço de tempo são menores.

Há pessoas que conseguem resolver bem os seus problemas, principalmente porque assumem que eles são seus. Outras nem tanto. Aquele velho costume de dizer que o problema é seu, mas que foi criado pelo outro, é bastante comum nesse tipo de pessoa. O vitimismo ou o coitadismo é prática comum para eles.

As empresas nos pagam para resolver seus problemas. Bons empregados resolvem os problemas da empresa em momentos específicos. Ótimos empregados encontram soluções duradouras ou até mesmo fazem com que o problema não aconteça mais. Excelentes empregados não deixam que os problemas aconteçam, porque usam efetivamente as ferramentas de planejamento.

Achar que somente o outro tem problema, é também um problema, porque você deixa de viver a sua vida, para viver a vida do outro. A máxima que a grama do vizinho é mais verde é um bom exemplo. Se a grama dele é mais verde, pode ser um sinal de que ele cuida melhor da grama, resolvendo o seu problema.

O problema maior de se resolver um problema é quando nós mesmos o criamos em nossa mente. Não receber um alto salário no mês não é um problema, quando você tem a consciência de que você não está ganhando pouco e sim gastando muito. É comum criarmos problemas para nós mesmos, como por exemplo, viver a nossa vida no passado ou no futuro. Não sei se o amanhã me espera e tampouco não conseguirei corrigir os erros do passado. Portanto, o que nos resta é viver o presente.

O autoconhecimento nos ensina que ao olharmos para dentro descobriremos o nosso verdadeiro eu. E se eu sei que eu não gosto de trabalhar naquela empresa ou estudar naquela faculdade, porque não me identifico nem com o trabalho nem com o curso que faço, estou arranjando um grande problema para mim. De que gosto? O que me traz alegria ou paz de espírito? O que tenho facilidade em fazer? Encontrar essas respostas nos ajudará a imaginar o caminho que deverá ser percorrido.

Problemas todos nós vamos ter, do início ao fim da vida. A questão crucial é como vamos lidar com eles. Se virarmos as costas, ele vai continuar lá e um dia nos chamará. Se fingirmos que ele não existe, pode aumentar de tamanho e depois se tornará de difícil resolução. A saída é enfrentá-lo. Primeiro entendendo que o problema é seu ou da sua mente. Segundo, que a resolução deles é o que comumente chamamos de experiência.

Por que não caminhamos sozinhos?

Desde a pré-história somos seres que utilizam a cooperação como forma de sobrevivência. Dessa forma, cooperar não é só uma ação positiva, no sentido de ajudar o próximo, mas de ajudar a si mesmo, especialmente quando o desejo é sobreviver.

 Nessa mesma esteira, é possível crer que não caminhamos sozinhos, ainda que, em muitas situações, acreditamos que isso aconteça, especialmente quando estamos numa posição de destaque, nas conquistas e nas vitórias.

Caminhar sozinho pode até ser um sonho, mas que talvez nunca seja realizado. O que isso quer dizer? Que você pode até ser independente, emocional ou financeiramente, mas ainda assim não caminhará sozinho. Somos seres dependentes e necessitamos de cooperação.

Um técnico de futebol só é considerado bom e vencedor, quando consegue que a sua equipe seja unida e alcance juntos os troféus disputados. Do mesmo modo é o gerente de uma empresa, que através da sua equipe, atinge as metas estabelecidas. Numa família é a mesma coisa. Famílias cujos membros interagem mais e cooperam são mais felizes e também conseguem, de alguma forma, resolver melhor os problemas pelos quais todas as família passam.

Parece que estou dizendo o óbvio, mas é. A cooperação entre funcionários, amigos, familiares, vizinhos, moradores de um mesmo bairro, ou ainda numa cidade, tornam as ações mais efetivas, os sonhos mais possíveis, a vida mais fácil. Quando você não sabe, o outro te ensina; quando o outro tem dificuldades, você estende o braço; quando o desespero aparece, surge sempre uma esperança. É assim na vida.

Podemos até não concordar muito com essa visão, mas é ela que nos mostra que não existe o caminhar sozinho. Alguém diz: “Eu sou autodidata”. Ótimo! Você aprendeu sozinho, mas não sem a ajuda de um livro, e esse livro foi escrito por alguém, então, o mérito não pode ser só seu, ele precisa ser dividido. E talvez aí esteja o xis da questão. Muitos não querem dividir. E não falo aqui de dinheiro, e sim de amor, afeto, atenção e como não poderia deixar de ser – de cooperação.

Não nascemos sozinhos, precisamos sempre de alguém, da concepção até a morte. Não caminhamos sozinhos, alguém nos acompanha, seja família, amigos, colegas, vizinhos, Deus. Não podemos aceitar a ideia de que somos vitoriosos sem pensar naqueles que nos acompanham. Ninguém escreve um livro sozinho. Ninguém chega ao topo sozinho. Ninguém chega ao poder sozinho. Tem sempre mais gente ao nosso lado do que possamos imaginar. Aliás, tem gente que nem estava perto, ao lado, mas que de longe rezava por nós.

Nunca caminharemos sozinhos, porque somos providos de amor. E quem ama, sempre pensa no outro.

O que esperar das eleições?

Uma certeza que tenho a cada período eleitoral é a de que o meu voto é mais importante do que eu. Além dela, a de que as ruas estarão mais sujas e barulhentas.

Ninguém está interessado naquilo que você pensa, em ideias, projetos ou experiências que poderiam ajudar a gestão do município. Ninguém está pensando em você como cidadão, com direitos e deveres, e desejoso de ver a sua cidade melhorar, promovendo tanto desenvolvimento econômico quanto social.

A partir dessa visão, entendo que o que vale mesmo é um simples apertar de teclas. Se você apertou e confirmou, pronto! A sua voz volta a ser calada durante os próximos quatro anos. É como se você não existisse, ou sendo um pouco mais otimista, você será mais um número.

Quando você lê obras como Utopia, de Thomas More, A Cidade do Sol, de Tommaso Campanela, A Política, de Aristóteles, e outros tantos livros que de alguma forma apontam para um modelo perfeito de política, onde o bem-estar de todos é o objetivo a ser alcançado, me vejo desolado por saber que essas histórias pertencem somente aos livros, ao mundo ideal.

Mas mesmo assim sonho com o dia no qual as eleições ocorrerão sem sujeira e barulho. Nada de santinhos enfiados em caixas de correios e espalhados pelas ruas. Nada de música ou som elevado nos carros, gritando os nomes dos candidatos. Nada de promessas e palavras ditas ao vento, para tentar convencer o eleitorado a votar em Fulano ou Beltrano.

Sonho ainda com o dia em que vereadores receberão apenas um salário simbólico para cumprir seus papéis de legislar e fiscalizar o Executivo. E mais, que secretários municipais, diretores, coordenadores e todos os ocupantes de cargos superiores possam ser escolhidos por critérios técnicos e não políticos. Que se possa comprovar, para todos que ocupem cargos públicos como contratados, a experiência e o conhecimento em Administração Pública, através de exames ou análise curricular.

Que a cidade pudesse ser organizada por regiões ou bairros, onde cada um deles teria o seu representante, informando com frequência as demandas mais importantes dos seus moradores. Que a democracia representativa fosse realmente possível, através de pessoas eleitas visando esse fim – representar o povo.

Gostaria que todo gasto público fosse efetivamente demonstrado de forma transparente, e que as obras mais relevantes fossem escolhidas ou definidas por aqueles que realmente vivem o dia a dia do município, sendo essas escolhas realizadas via plebiscito, audiências públicas ou qualquer outro meio onde a maioria pudesse optar.

Quem sabe um dia, escolhamos nossos candidatos de forma silenciosa, tendo a certeza de que qualquer das opções disponíveis esteja em conformidade com a ética, honestidade, competência e idoneidade, preceitos previamente definidos por toda a sociedade.

Enquanto isso não acontece ou nem mesmo tenhamos um filete de esperança que algo nesse sentido ocorra, o que então esperar das eleições? Que elas passem o mais rápido possível, e que carreguem com elas o barulho e a sujeira que tanto nos incomoda.

O que é o tédio?

Você acordou cedo. O dia lá fora está cinzento. Uma chuva fina caiu durante toda a noite. Você abre um pouco as persianas e vê que não há motivos para que seu dia seja bom.

Volta para cama e descobre uma imensa preguiça tomando conta do seu corpo. A sua mente está ativa. Ela pensa coisas do tipo: “o que vai ser da minha vida daqui um ano”?; “por que estou sozinho?”; “quando eu morrer, para onde vou”?

Nenhuma resposta aparece. Você vira de lado e olha para a parede suja do seu quarto. É preciso pintá-la. Mas quando? E pra que? Ela vai sujar novamente. Assim é a vida. Você estuda, trabalha, vive relacionamentos, sai do trabalho, encerra os estudos, termina os relacionamentos, e o ciclo retorna. Não há nada de novo. Qual o sentido da vida?

Vem então à mente a lembrança de que o dia só está começando. É preciso levantar, tomar banho, pentear o cabelo, vestir uma roupa, tomar café, ligar o carro, e ir ao trabalho. Trabalhar para que, se posso morrer daqui a pouco? É o que você se pergunta, mas também não encontra resposta.

A ilusão de que o dia vai passar rapidamente e que tudo irá melhorar se desvanece. No trabalho você encontra pessoas tristes que fingem estar felizes e insistem em te dar um “bom dia”. Não que o dia vá ser bom ou que os seus colegas realmente te desejam isso. É tudo no automático. Nunca vamos saber se o “bom dia” é ritualístico ou se é efetivamente desejado.

Seu chefe lhe chama na sala e te passa uma tarefa com data “para ontem”. Em dias normais, você ficaria enfurecido, mas hoje é diferente. Você nada sente. Somente o desejo de sumir, desaparecer, de preferência sem dar notícias.

O dia passa arrastado e ao chegar em casa você compreende que a segunda-feira findou. Que alívio! Mas por que você está aliviado? Amanhã começa tudo de novo. A tristeza toma conta da sua alma. Por que estou triste, se tenho um emprego, uma casa, uma família, um carro? Novamente sem respostas.

A noite chega mansa e você está em frente à TV, pensando se vai ligá-la ou não. Assistir a que? Filme? Programa esportivo? Novela? Noticiário? O que esses programas vão alterar a sua vida? Possivelmente nada. Você pega um livro, folheia, mas não consegue iniciar a leitura. Fica paralisado. Olha para a janela e vê que a chuva recomeçou. Ela demora a vir, mas quando vem não quer ir embora. Você a desejou tanto, mas agora lamenta-se por sua persistência.

É hora de dormir. Mas tem hora certa para dormir? Não. Mas você quer dormir para esquecer que o dia existiu. Como seria bom deitar, fechar os olhos e nunca mais acordar. Os problemas cessariam, a mente pararia de pensar coisas inúteis, a ansiedade findaria.

Você apaga a luz e no meio da escuridão olha para o teto, sem nada ver. O silêncio é a paz que toca o seu coração. Ele dispara ao pensar que amanhã tudo recomeça. Você se lembra de uma oração e a lê mentalmente. O sono chega e dissipa o tédio. Sua mente descansa e espera pelo dia seguinte. Será que o amanhã vai ser melhor? Ninguém sabe a resposta…