Por que desistimos?

Alguém pode dizer que desistir é para os fracos. E eu não vou concordar. Porque quando falamos de renúncias, precisamos compreender o contexto no qual cada um vive. E isso não é muito simples.

Quando um palestrante ou um autor de livros motivacionais dizem que somente os fracos desistem, talvez ele mesmo tenha esquecido que desistir de algo é uma prática comum, e que isso não é condenável em muitas situações.

Desistir é renunciar, é abdicar-se de algo, que pode ser um desejo, uma vontade ou uma relação. Nem sempre conquistaremos tudo aquilo que desejamos e ter essa compreensão nos ajuda em nossa saúde mental, porque nem tudo pode ser nosso. Querer nem sempre será poder.

Mudar de opinião é uma possibilidade bastante real, principalmente quando a vida lhe mostra o contrário daquilo que você deseja, ou lhe dá sinais de que existem outros caminhos, outras oportunidades.

Desistir de um curso superior porque perdeu o emprego não fará de você um fracassado, mas alguém com responsabilidade, que honra seus compromissos financeiros, que consegue entender que um passo para trás pode significar dois para frente no futuro.

Mudar de ideia ou simplesmente desistir denota uma característica importante em você, flexibilidade. Mas alguém pode dizer: “Você precisa ser resiliente”! Sim, todos necessitamos ser. Concordo que é preciso enfrentar os obstáculos, mas entendo também que se for possível desviar de alguns, você poderá ganhar tempo. Isso é sinal de inteligência, pois pular o muro talvez seja menos doloroso que quebrá-lo com uma marreta.

O caminho é longo e você pode continuar nele, mas nada te impede de alterá-lo, correr em alguns momentos, parar em outros, conhecer pessoas interessantes, dar um tempo, curtir bons momentos, sorrir, brincar, trabalhar, estudar, tudo é possível numa mesma caminhada, dependendo sempre de como você percebe a vida. Afinal, a vida é um caminho, que em algum momento será encerrado.

Por isso, se você já desistiu de algo e se arrependeu, volte atrás, se for possível. Peça desculpas, ou perdoe quem também já desistiu de você algum dia. Vivemos momentos, fases, e nem sempre vamos pensar e agir da mesma forma durante a nossa caminhada.

Lembre-se que mudar de ideia, de opinião ou de objetivo não vai definir que você é um derrotado ou que você não termina nada que começa. Mudar significa transformar. Sendo assim, se a sua vida está ruim ou está boa, se está monótona ou agitada, se está triste ou feliz, é você quem pode transformá-la, continuando ou desistindo, mas sempre mudando!

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

Um comentário em “Por que desistimos?

  1. Às vezes as pessoas desistem de algo não porque querem tudo do seu jeito, mas porque não possuem uma visão ampla da situação e acabam duvidando da própria capacidade. Porque talvez uma outra pessoa que possua papel decisivo para obtenção daquilo que ela deseja, esteja, consciente ou inconscientemente, emitindo sinais dúbios. Pense em um amigo que se encontra contigo em uma rua e, sendo diretor de uma empresa em que você deseja muito trabalhar parece se dispor a ajudá-lo de alguma forma e o convida a ir até a citada empresa para conhecê-la. Se você for e, ao chegar, a porta mal se abrir para você, esse amigo te atender ao portão, de cara te disser que nutrir expectativas pode ser ruim e agir de forma fria e impessoal, você vai pensar em voltar? Para quem já anda meio sem fé na vida e está tentando se reerguer, será que valerá a pena insistir com esse amigo ou será melhor seguir seu caminho e procurar outros empregos? Talvez você saia de lá até se culpando e pensando se o convite não foi pura convenção social do tipo “passa lá em casa qualquer dia” e se não foi você quem foi ingênuo e entendeu errado. Quantos mal entendidos teriam sido evitados em nossas vidas se aprendêssemos que uma comunicação clara é a base de tudo.

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