Quem é ridículo(a)?

Alguém está andando na rua e de repente vê um homem andando de mãos dadas com uma moça que aparenta ter menos da metade de sua idade. Filha? Neta? Sobrinha? Ou apenas uma namorada? Não importa, a frase que vai soar é: “Vejam que velho ridículo”!

Ridículo no dicionário é aquilo que provoca riso ou quem tem aspecto espalhafatoso ou extravagante. Dentre os diversos sinônimos que essa palavra possui, encontramos “brega, cafona, esquisito e excêntrico”. O que isso quer dizer?

Absolutamente nada. Se temos liberdade para sermos o que quisermos, por que se importar com o que pensam os outros? Se você prefere escutar funk a música clássica, se gosta de se vestir com roupas coloridas ou se acha que é comum namorar alguém bem mais novo(a) que você, o problema é de quem?

Somos muitas vezes criados numa cultura onde ridicularizar o outro é comum. Se é diferente de mim, então é esquisito, é estranho, é vulgar. Todos querem e buscam ser iguais. São as mesmas roupas e marcas, são os mesmos penteados, as mesmas cores da moda, o mesmo projeto de vida, os mesmos medos e angústias. Todo mundo quer ser diferente, mas acaba sendo igual.

O ridículo foge do padrão. Ele ou ela não se importa com o que os outros vão pensar, sentir ou rotular. Vive a sua vida, sem se preocupar com o olhar atento e crítico de pessoas que não significam nada em suas vidas. O ridículo é aquele que escuta a música com a qual se emociona, lê o livro que lhe convém, veste a roupa mais confortável e não se importa com a opinião alheia. Muitas vezes, ele age mais com a emoção que com a razão.

Por isso, quando andamos pelas ruas enxergamos facilmente o que julgamos “ridículo”, porque todos são tão iguais que os diferentes acabam aparecendo e se destacando. O ridículo pode até não entender de moda, mas compreende que não estar na moda é ser livre. Liberdade, portanto, é viver a sua vida, sem olhar muito para os lados, porque a cada palavra negativa, cada olhar de censura, é um dia a menos de vida, especialmente, para quem dá valor ao que o outro acha.

Talvez a Psicologia explique melhor essa sensação que a pessoa tem quando o outro faz algo diferente. Talvez eu me veja no outro, querendo fazer o mesmo, mas com medo das críticas. Gostaria de ser diferente, mas não posso, porque minha família não aprovaria, porque meus amigos se afastariam ou porque alguém em algum lugar me veria como estranho.

Estranho, esquisito, extravagante, excêntrico ou simplesmente ridículo, é aquele ou aquela que tenta se parecer com o outro porque não tem personalidade própria. Porque vive atrás de muros para se proteger da opinião alheia, que frustra os seus sonhos, para viver os projetos de outrem.

Ridículo é deixar de viver a sua vida para viver a vida do outro.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: