Por que não dizemos ‘não’?

Talvez a maior dificuldade do ser humano é dizer ‘não’ a alguém. Uma palavra tão pequena, mas com um significado tão grande, principalmente quando traduz tranquilidade, paz de espírito, saúde mental e outros tantos benefícios.

Todos nós queremos um ‘sim’, não importa que ele seja no altar, numa vaga de emprego, num pedido de aumento de salário ou num convite qualquer. Estamos sempre dispostos a ouvir um ‘sim’, e quando é o ‘não’ que aparece, ficamos desolados, como se o mundo tivesse conspirado contra nós.

O ‘sim’, muitas vezes, quer dizer um ‘não’. E isso acontece porque temos vergonha em contrariar o outro. “Não quero”, “Não posso”, “Não vou”; para quem ouve é ruim, mas para quem diz pode ser libertador. O convite para participar de um evento no final de semana, justamente naquele que você programou passar com a família, pode ser negado. Pode mesmo?

Sentimos um medo muito grande em desapontar os outros, principalmente se eles nos são próximos: parentes, amigos, colegas, vizinhos. Por vivermos em sociedade, pensamos da seguinte forma: “Se eu digo não, ele ou ela vai ficar com raiva e depois nunca mais vai me convidar para nada”. E daí? Pessoas vêm e vão em nossas vidas, ainda que sejam importantes. Quem realmente gosta de você e te admira, vai entender o seu ‘não’, ainda que não fique satisfeito.

Outro aspecto importante em dizer ‘não’ é que muitas pessoas colocam o dinheiro no primeiro plano. Se enxergam a oportunidade de ter uma renda extra, dizem um sonoro ‘sim’ e depois se arrependem, porque perderam noites de sono, finais de semana trabalhando, viajando ou fazendo alguma atividade por obrigação.

O ‘não’ deve ser dito com cautela, educação e respeito. Se decidimos passar o nosso final de semana dentro de casa, lendo um livro, assistindo filmes, cuidando do jardim, ou simplesmente fazendo nada, os outros precisam entender que a nossa decisão deve ser respeitada, sejam quais forem os motivos que nos fizeram tomá-la.

Digo sempre que boas amizades começam com respeito – respeitar o tempo do outro. Há dias que queremos socializar, ir a um barzinho, almoçar num restaurante, confraternizar com os amigos; há dias que não queremos sair de casa, que ler um bom livro se torna tão excitante quanto ir a uma festa. Amigos de verdade entendem isso, e veem o ‘não’ com empatia.

Alguém pode dizer que não deseja magoar o outro ao dizer um ‘não’, mas esquece de que é ele ou ela quem vai ficar magoado ou enraivecido por ter dito um ‘sim’. Precisamos sim ter mais empatia ao nos relacionarmos, no entanto, necessitamos muito de autoconhecimento, para discernimos o que nos fará bem em momentos distintos de nossas vidas.

Portanto, tente encarar o ‘não’ pelos dois lados. O lado de quem o recebeu e o lado de quem ofereceu. Assim, se colocando no lugar do outros e principalmente no seu, a melhor decisão será tomada. Porque no final das contas, o que vale mesmo é a sua saúde mental.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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