Quem são seus inimigos?

A pergunta seria mais fácil se fosse “quem são seus amigos”? Talvez você tivesse alguma dificuldade em enumerá-los, mas certamente três, cinco ou mais surgiriam de imediato em sua mente. Mas e os inimigos?

Certa vez me fizeram uma pergunta parecida: você tem algum inimigo? De imediato respondi: “Que eu saiba não”. Inimigo, na minha visão, sempre foi uma palavra pesada, com um forte significado negativo. Ter inimigos, durante muito tempo, foi para mim uma palavra fora do dicionário, pois sempre acreditei que quem tinha inimigos eram os poderosos, ricos ou políticos. Nunca me enquadrei em nenhum deles até hoje.

Com o passar do tempo você vai descobrindo que diferente de inimizade, o que as pessoas podem sentir por você é inveja, cobiça, ou mesmo indiferença, que não tem, portanto, o mesmo significado de inimigo.

Se fizermos uma reflexão, quem é o amigo? O amigo é aquele que gosta de você, que te ajuda, que te dá conselhos, que se preocupa contigo. No sentido oposto, o inimigo é aquele que te atrapalha, que torce contra os seus projetos, que não te deseja o bem. Você conhece alguém assim? Eu não, felizmente.

No entanto, posso afirmar que temos alguns inimigos invisíveis. Eles não aparecem, não são de carne e osso, mas existem. Um deles, e talvez o principal, é o medo. Medo de errar, medo de fracassar, medo da opinião alheia, medo do futuro. Sem razão aparente, sentimos o medo, ainda que não possamos vê-lo, mas ele está sempre ao nosso lado, ou melhor, dentro de nós, escondido em nosso cérebro.

Outro inimigo comum é a crença. Ela, assim como o medo, tem suas ramificações: crença de que nascemos para sofrer, crença de que sempre há alguém que nos quer mal, crença de que não conquistamos nada por culpa de alguém, crença de que em outra vida tudo será melhor, crença de que esperar é melhor que agir…

Pior do que saber que existe alguém que não goste de você, é descobrir que esse alguém é você. Quando olhamos para dentro de nós, encontramos um ser encolhido, do qual sentimos piedade, e que ao oferecermos a mão, se encolhe ainda mais e recusa a ajuda. Esse ser, que é de carne e osso, que se diz forte, que se projeta poderoso, tem medo de fantasmas, de fantasias, de algo que não existe, pelo menos no mundo real.

Mas falar é fácil, difícil mesmo é enfrentar esses nossos inimigos invisíveis, que parecem tão reais em nossas vidas. Não há conselhos, receita de bolo, nem fórmula mágica que nos afastem deles. O que podemos fazer de positivo, primeiro, é reconhecê-los, tendo a compreensão de quanto mal eles nos fazem; segundo, é procurar ajuda externa, terapia, leituras, estudos, conhecimento, tudo aquilo que possa nos dar base para enfrentar o inimigo. O terceiro é agir. Esperar o ataque do inimigo pode ser fatal. Se não tomarmos as rédeas de nossas vidas, e partirmos para a ação, o inimigo ficará de tocaia, na espreita, talvez um, cinco ou dez anos, ou quem sabe até a vida toda. Como se sabe, esperar, muitas vezes, não é sinônimo de sabedoria, e sim de inércia.  

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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