Por que nos decepcionamos?

Desapontamento, desilusão, frustração. Todos os significados nos informam que a decepção é um sentimento criado ou sentido por nós, e não pelos outros, como muitos acreditam. Portanto, decepcionar é um ato que podemos evitar, ainda que seja uma árdua tarefa.

Epicteto, filósofo grego, dizia em seu O Manual para a Vida, que “As coisas se dividem em duas: as que dependem de nós e as que não dependem de nós”. Nesse sentido, se não depende de nós a atitude que é do outro, porque esperar que o outro faça sempre o bem, ou que o outro aja conforme desejamos? A resposta parece simples. Porque acreditamos no ser humano e a partir dessa crença, criamos expectativas em relação aos outros.

O sujeito candidata-se a uma vaga de emprego. O currículo dele é extenso, com muitas experiências, cursos, conhecimentos e diversas qualidades. O que se espera desse sujeito? Que ele seja um ótimo empregado, que produza, que trabalhe em equipe, que seja motivado. Expectativa diferente da realidade. Ele não produz, não gosta de trabalhar, não consegue trabalhar em equipe, não se sente motivado, não gosta do salário que recebe. Resultado: decepção do chefe ou de quem contratou.

Estamos em todos os instantes de nossas vidas criando expectativas. É sobre o novo emprego, o novo relacionamento, a nova roupa. Por que sempre o novo na frente? Porque acreditamos que tudo o que é novo é bom, e então esquecemos do velho, daquilo que na nossa visão já foi bom, e agora não é mais.

Precisamos refletir sobre o que queremos. A partir disso, visualizar possibilidades que podem acontecer ou não. Estudar de forma intensa para um concurso não significa que seremos aprovados, mas é o caminho mais curto para se ter êxito. O problema é quando criamos as expectativas. E se algo sai em desacordo ao que esperávamos, vem a frustração, a decepção.

Todos nós, em algum momento da vida, nos decepcionamos. Seja com um produto adquirido numa loja ou comprado virtualmente, um serviço prestado de forma ruim, até a pior delas, uma pessoa que gostávamos e admirávamos. Esperamos muito do outro, seja quem for o outro – um familiar, um colega de trabalho, um amigo, um namorado. E quando acontece, a frase clichê é: “Eu nunca esperava isso dele ou dela”.

No entanto, é relevante pontuar que não criar expectativas é uma ação complicada de ser realizada. Acreditamos sempre que o outro é bom, que não nos abandonará, que estará sempre ao lado, e por isso, em certa medida, confiamos cegamente nas pessoas, até que a nossa crença desabe.

O que fazer então? Rezar? Não se relacionar com ninguém? Não comprar mais nada na internet? Infelizmente a inação se mostra pior que a ação de esperar ou de criar expectativas. O segredo talvez seja aceitar que as nossas vidas acontecem em meio a contingências, sejam elas boas ou ruins, e que o sofrimento deve ser encarado de forma comum, uma peça integrante do nosso cotidiano. Pensar nessas horas não vai te trazer tantos benefícios, mas viver sim. Por isso, viva cada momento e tente não esperar nada de ninguém, afinal o ser humano nunca foi perfeito e nem será.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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