O que é ter empatia?

Palavra da moda, empatia é algo difícil de ser alcançado. Colocar-se no lugar do outro. Compreender as emoções do outro. Entender o que o outro está sentindo, buscando para tanto ter os mesmos sentimentos que ele ou ela. Ou como diziam e dizem os mais velhos: “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”.

Falar é sempre mais fácil que agir. É bonito você dizer que tem empatia, que você se coloca no lugar do outro, mas é muito difícil isso ser transportado para a vida real. No mundo ideal dizemos que estamos sofrendo com o sofrimento do outro, que imaginamos o quão ruim é estar passando por aquela situação. No mundo real não acontece da mesma forma, e isso se deve ao fato de que não pensamos no outro quando agimos.

Vejamos o exemplo no trabalho. Você odeia que o seu chefe envie mensagens no whatsapp após o horário de expediente. Mas quando você é o chefe, age da mesma forma.  A sensação sentida por você foi ruim, mas quando você teve a oportunidade de se colocar no lugar do outro, porque também já havia passado por aquela situação, não conseguiu fazê-lo. Por isso repito, dizer que tem empatia é diferente de ter empatia.

Ninguém sabe o que o outro está pensando ou sentindo, até que alguém pergunte. Ainda assim, nunca vamos ter a certeza de que a resposta é a correta. Alguns fingem, outros nem mesmo conseguem definir o que estão sentindo, e poucos terão a coragem de dizer o que realmente estão sentindo. Por isso, ter empatia não é como ligar um interruptor. Eu aperto e me torno empático.

A empatia exige-nos duas qualidades importantes, e que muitas vezes não as temos ou não nos importamos em tê-las. A primeira diz respeito à sociabilidade, ou seja, pessoas que são mais sociáveis, ou o que costumo chamar de “gostar de gente”. São esses os que apresentam maior probabilidade em ser empáticos. Gostam de gente, gostam de andar em grupos, estão sempre preocupados com os outros, amam socializar a vida.

A segunda característica é o que costumeiramente chamam de “feeling”. É a percepção que algumas pessoas têm sobre pessoas e situações. É um sentimento ou uma sensibilidade aguçada, que torna a pessoa capaz de compreender a outra. Geralmente essas pessoas são observadoras. Observam o ambiente, as pessoas, as atitudes, as falas, e conseguem agir de modo a entender o que o outro quis dizer ou fazer. É importante pontuar que essas pessoas gostam de estudar o ser humano e decifrar os muitos mistérios que existem nas relações pessoais.

Convém salientar que, mesmo que não tenhamos essas duas relevantes características, ainda assim podemos ser empáticos. A empatia passa necessariamente por um processo de mudança, no qual mudamos apenas uma atitude – o olhar. Por isso, gosto e repito sempre a frase de Wayne Dyer: “Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão”.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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