Por que buscamos definições?

Definir é delimitar. É estabelecer limites. E quando estabelecemos limites, nos tornamos mais tranquilos, pois sabemos que não haverá mudanças e o que precisa ser conhecido, já está estabelecido, visualmente ou mentalmente.

Quando você compra um terreno e constrói muros em seus quatro lados, está delimitando, mostrando o que é seu e o que não é. É mais ou menos assim que definimos as coisas, e também as pessoas.

Falando das pessoas, gostamos de defini-las para entendê-las e assim saber conviver com elas ou, de outro modo, afastar-se delas. Se você posta em suas redes sociais que é politicamente de esquerda, algumas pessoas que são de direita deixarão de segui-lo, porque você não serve para elas. E vice-versa.

Se você vai a uma loja de calçados e por qualquer motivo sai de lá insatisfeito, com o atendimento ou com a estrutura física, define que o estabelecimento é péssimo e que, portanto, não mais o frequentará. De certa forma seu cérebro gastará menos energia, porque todas as vezes que você se decidir a sair de casa para ir a uma loja de calçados, automaticamente terá menos opções, afinal de contas, você não voltará àquele lugar, correto?

As pessoas gostam de definições, tanto para o bem quanto para o mal. Nas eleições, por exemplo, escolhemos um candidato e o definimos como o melhor. Mas mesmo ele não demonstrando ser tão bom após os primeiros dois anos de mandato, insistimos em nossa escolha, porque mudar de ideia, voltar atrás, reconhecer o erro, pedir desculpas, dar o braço a torcer, é sempre mais difícil que assumir a possibilidade de que a nossa definição estava incorreta.

O problema de definir é que também rotulamos. Você discute com o garçom e decide que nunca mais volta àquele bar. Rotula-o como mal educado e o local como ruim e ainda conta a história para todas as pessoas com quem convive. Mas na discussão quem estava certo? Quem estava errado? É possível definir isso?

Quando definimos que algo é ruim ou bom para nós, estamos criando crenças. Acreditamos que o nossa religião é melhor que a do outro. Acreditamos que as pessoas da nossa família são as mais confiáveis. Acreditamos que o nosso entendimento político é o mais correto. Acreditamos que as pessoas que se vestem bem são mais bem sucedidas. E por aí vai…

Repito: definir é colocar limites. Se você conhece a palavra manga como sendo um fruto, esse é o seu limite. Você o definiu. No entanto, quando você pesquisa a mesma palavra na internet ou num dicionário, verá que ela tem mais de quatro significados. O que isso quer dizer? Que precisamos pesquisar e conhecer a fundo tudo aquilo que nos cerca, sejam objetos, sejam pessoas. Que definir alguém por um ato ou por um pensamento ou mesmo modo de vida, pode ser arriscado, porque fatalmente perderemos a oportunidade de compreender que todos somos humanos, e como tal, temos defeitos, mas também virtudes.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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