Quando será o seu velório?

Muitos de nós fugimos dessa pergunta, ou porque nos consideramos novos demais para pensar na morte, ou pelo simples fato de que falar de morte não é um assunto interessante.

A nossa finitude não é um tema no qual temos apreço em discutir ou mesmo pensar. Por isso adiamos sempre, a não ser quando alguém que nos é próximo falece ou também quando enfrentamos alguma doença mais grave. Mas é certo que um dia estaremos mortos e não teremos consciência disso.

No entanto, a pergunta insiste em minha mente, e outras surgem em forma de diálogo:

“Quando vou morrer”? “Não sei, mas espero que demore muito”.

“Por que”? “Porque quero viver muito e aproveitar a vida”.

“E você tem aproveitado muito a sua vida”? Eis o silêncio…

Há pessoas que não querem falar da morte, não querem saber o dia do seu velório, mas já estão mortas há muito tempo. Vivem infelizes e insatisfeitas com tudo na vida. Algumas reclamam o tempo inteiro, outras vivem buscando culpados pela vida desgraçada que levam. E mais um tanto de gente fica acomodada, esperando que algo mude, quando quem deveria mudar é a própria pessoa.

Podemos refazer a pergunta, trocando o tempo. “Quando você morreu”? Mudar o verbo faz com que reflitamos sobre a nossa vida e não sobre a morte. Vive-se uma vez somente, e é preciso que tenhamos consciência disso. A morte chegará a todos, mas quando chegar vamos pensar na vida, nos sonhos que não realizamos, nas atitudes que não tomamos, nos desejos que abandonamos, na vida que não vivemos. Parece triste, e é…

Desejo muito que a data de minha morte se prolongue, porém, enquanto isso não acontece, eu preciso viver. Viver o presente e tentar ter a certeza, ou pelo menos a sabedoria em compreender que a morte vai chegar, inexoravelmente, mas que nesse ínterim eu tenha vivido plenamente, afinal, como dizia Rubem Alves: “A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente”.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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