Por que gosto do Rio de Janeiro?

Prometo não responder dizendo que o Rio é uma cidade maravilhosa, pois todos sabem que é. Mas o Rio de Janeiro tem algo mais que me encanta, além dos seus belos cartões postais, e é isso que eu vou tentar expressar aqui.

O encanto pelo Rio de Janeiro começa antes mesmo da viagem. Quando você diz a algumas pessoas que vai viajar pra lá, chovem os comentários negativos: “Você tá ficando doido”; “Deus me livre viajar para o Rio”; “Toma cuidado, porque lá é muito violento”; “Você não tem medo”? Penso que dois tipos de pessoas fazem esses comentários – as que não conhecem o Rio e os medrosos por natureza.

Não estou negando que o Rio tenha violência, aliás toda capital tem, umas mais outras menos. Se deixarmos de viajar para algum lugar bonito por causa da violência, melhor nem sair de casa. Pois bem, mas vamos falar de coisas boas. A primeira das qualidades do Rio é mostrar às pessoas que mesmo com tantos problemas, há sempre outro lado que é positivo. Todos nós somos assim – bons e ruins. O que precisamos é deixar o lado bom florescer, alimentando-o mais que o ruim. É como aquela flor que nasce no asfalto. Tudo é cinza e de repente surge o verde, para mostrar que nem tudo está perdido.

Além disso, o Rio de Janeiro me encanta pela sua natureza, contrapondo ao humano, que são justamente os prédios, o asfalto, o cinza, o sem vida. A área verde do Rio seduz, seja com os seus morros, suas árvores, sua vida. Sem falar nas praias, e em todas as suas belezas naturais.

Quando vou ao Rio, aprecio com muito prazer os botecos, o jeito descontraído das pessoas, que mesmo após um longo dia de serviço, colocam o blazer e a gravata na cadeira e ficam em pé degustando um chopinho e conversando fiado. Gosto do metrô com a sua diversidade. É muito barulho, muita gente, muita correria, mas isso também tem muito a ver com vida, com disposição, com trabalho, com luta. Andar de metrô pelo Rio me tira da tranquilidade do carro na cidade pequena, me faz mover, porque se eu não o fizer, alguém fará por mim, me levando junto.

É lógico que as idas ao Rio de Janeiro são esporádicas e talvez por isso, eu não veja de perto os seus problemas, no entanto, exatamente por isso, é que a cidade maravilhosa desperta em mim esse encanto – ver a vida pelo lado positivo. Poder ver ruas, espaços, lugares que só via pela televisão, e que eu nunca imaginava ver um dia – o Cristo, os táxis amarelos, o Maracanã, o bondinho, a Lapa.

Gosto do Rio de Janeiro não só por causa do bolinho de feijoada, do Leblon, Copacabana, Ipanema, Barra, da Lapa ou dos barzinhos de Botafogo. Gosto do Rio porque ele me propicia vários momentos relevantes. O esforço para que eu pudesse estar ali, o sentido das conquistas, o otimismo, a possibilidade da experiência, a oportunidade de ver meu time de coração entrar em campo no Maracanã, a cena indescritível que vive na minha memória, quando desço do metrô rumo ao estádio, enfim, quando estou no Rio, mudo de ideia e acredito sinceramente que o dinheiro traz felicidade.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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