Quando vamos tirar as máscaras?

Um dia a pandemia do corona vírus vai terminar e enfim retiraremos nossas máscaras de forma definitiva. A vacina nos trará de volta a liberdade e a sensação de alívio por não termos mais que usá-las. Será mesmo?

As máscaras nos protegem dos outros, mas também de nós mesmos. Muitos continuarão usando máscaras, porque elas já eram usadas antes mesmo do covid-19. Escondemos dentro de nós alguém que não existe mais, que não mostra o seu rosto e que prefere camuflar sentimentos, fingir boas ações e que nunca permite ser descoberto, porque opta por desmerecer o sucesso alheio, em vez de buscar o seu próprio brilho.

Precisamos tirar as máscaras para respirar um pouco de ar puro e enxergar que a vida não é feita só de problemas, de contingências. Ao olhar um jardim verde, com flores e espinhos, muitos de nós preferimos acreditar que o mundo todo conspira contra o que pensamos e fazemos. Mas sabemos no fundo que não é verdade, mas também não temos coragem para buscar as mudanças e viver uma vida mais digna.

Quando usamos máscaras a nossa voz se torna diferente, muitas vezes irreconhecível, porém, nossos ouvidos continuam abertos, e são eles que precisam ser usados para ouvir mais o outro, para entendê-lo e compreendê-lo. As pessoas necessitam de nós e nós também precisamos delas. A máscara nos proporciona escutar mais e falar menos. Não é à toa que nascemos com dois ouvidos e uma boca.

 No entanto, continuamos a acreditar que as máscaras nunca cairão, porque se caírem a nossa verdadeira face será exposta e então descobrirão quem realmente somos. Aliás, talvez nem nós mesmos saibamos quem realmente somos e por isso preferimos utilizar as máscaras. A dúvida nos traz o alívio de que talvez não sejamos tão maus assim, nos permitindo colocar a culpa dos nossos erros em outras pessoas ou mesmo em Deus. A certeza pode trazer à tona verdades que serão mais bem administradas utilizando-se a máscara.

Quando a pandemia acabar, certamente muitas coisas estarão diferentes, na política, na economia, na saúde, na educação, mas e em nós? O que terá mudado? Talvez quase nada, principalmente para aqueles que já usavam máscaras, e que assim como um camaleão, vão se adaptando às novas realidades. Daqui mais um tempo tudo voltará ao normal, e aos poucos vamos nos esquecendo de tudo que aconteceu…

E algumas pessoas não abrirão mão de usar suas máscaras – hoje, amanhã e sempre – porque mesmo com o fim da pandemia, elas continuarão doentes.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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