E quando chegar o fim?

Assim como num filme nossa vida tem começo, meio e fim. Contudo, diferente dos filmes, lembramos um pouco do começo, preocupamos muito com o meio e quase sempre nos esquecemos do fim…da vida.

Nos filmes ficamos ansiosos pelo fim, na vida fazemos questão de esquecê-lo. Se o gênio da lâmpada nos aparecesse, certamente três pedidos comuns seriam: a felicidade, a riqueza e a imortalidade. E passamos o período da vida chamado “meio”, buscando esses três desejos.

Primeiramente queremos ser ricos, porque sendo ricos seremos felizes. Ledo engano! É impossível definir a felicidade, porque ela é de cada um, individual, e o meu ser feliz é diferente do seu ser feliz. Posso ser feliz tomando uma cerveja barata no pior boteco do mundo. Posso ser feliz tomando a cerveja mais cara no melhor restaurante do planeta. Onde está a diferença? Está na companhia. Se estou rodeado de pessoas que amo, a felicidade não tem preço, não tem marketing, não tem objetivo.

“Dinheiro não traz felicidade”. Acredito que a frase é dita principalmente por quem tem dinheiro. Porém, não acho que dinheiro traga felicidade sempre, mas propicia, e muito, momentos prazerosos e de tranquilidade. Ter uma casa confortável, um bom veículo, plano de saúde, poder viajar sempre que possível, conhecer outros lugares e pessoas, são regalias que o dinheiro lhe permite. Momentos de prazer e alegria podem ser proporcionados pela riqueza, mas eles sempre darão lugar, em algum instante, à tristeza, à dor e à tristeza. E isso ocorre, em grande medida, ao fato de nos apegarmos muito ao que é ruim, em vez de enaltecer as coisas boas que nos acontecem na vida.

Falamos de riqueza e de felicidade, e poderíamos pensar que isso nos basta. Ser ricos e felizes nos tornariam seres humanos completos, afinal, não é isso que todos querem? Certamente não. Queremos ser imortais, porque estar feliz ou rico não nos anima, se quando olhamos para o futuro enxergamos a morte, que será o nosso último fracasso. E quem quer fracassar?

Passamos então a acumular bens e dinheiro, fazemos atividade física, vamos ao médico mais vezes, passamos por tratamentos e cirurgias que parecem nos garantir vida longa, beleza, o regresso à juventude que se foi. Não satisfeitos, e sabedores que somos do fim que nos espera, procriamos, escrevemos livros, plantamos árvores, construímos prédios, enfim, agimos de modo que alguma obra fique, para que não caiamos no esquecimento e que algum legado possamos deixar.

Felicidade, riqueza e imortalidade nos perseguirão todos os dias de nossas vidas. Serão nossos objetos de consumo, porque os desejamos avidamente, pois sabemos que só desejamos aquilo que não temos, aquilo que nos falta. Devemos então sofrer por isso? Não, porque o sofrimento, assim como a felicidade, é uma opção individual. O ter ou não ter é uma escolha sua. Mas quando chegar o fim, não haverá mais opções. Por isso, viva cada momento de sua vida como se fosse o último, não fazendo dela um martírio, e sim uma possibilidade de se chegar ao fim e poder dizer: “Eu vivi”.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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