O que é preciso para ser um bom professor?

A profissão de professor é uma das mais belas, e talvez um dos grandes motivos para tal seja que ele (o professor), à semelhança de um deus onipresente, esteja em todos os lugares. Na escola particular, na pública, com giz, pincel ou projetor de multimídia, na saliva, no gestual, no quadro verde ou de vidro, na sala com porcelanato ou no chão batido, ele sempre vai estar presente.

Questionamentos podem surgir quanto ao profissional, isso é óbvio. Lembro que em todas as áreas temos bons e maus profissionais. Mas neste texto vamos ver o copo meio cheio, pois é do bom professor que vamos falar. Aquele que se torna exemplo, quando ninguém da família consegue ser. O que instrui, indica, insiste, que não se preocupa tanto com a nota, que não vê o aluno como número e sim como gente, aquele que fornece o principal alimento – o saber.

O bom professor é igual ao bom aluno: gosta de aprender. É curioso, pergunta, muda, aceita novas possibilidades, discute, é aberto ao diálogo, acredita sempre, mesmo com um pé atrás. Aliás, por falar em curiosidade, essa é uma qualidade que tem faltado a nós, que somos ou que já fomos professores, e também aos alunos. Porque ser curioso é buscar conhecimento, é procurar a fonte, é perguntar “por quê”? E um porque sim nunca será aceito, porque queremos sair da caverna.

O que mais admiro no professor é a sua qualidade em aprender, e não em ensinar. Se ele está disposto a aprender, estará a ensinar, porque o processo de aprendizagem é assim, uma via de mão dupla. Aprender é buscar respostas, ainda que elas não estejam todas disponíveis. Ensinar também é importante, porque tem a ver com empatia. Quando tento ensinar me coloco no lugar do outro, e procuro em todos os caminhos possíveis aquele que vai despertar o interesse, a atenção e o desejo, não só do aprender, mas principalmente do apreender, tomando posse do conhecimento e buscando sua compreensão.

O bom professor sempre será lembrado. Alguém disse que um exemplo vale mais que mil palavras. E é verdade. O exemplo é o espelho para o qual olhamos e desejamos ser. Por isso, a responsabilidade em ser professor é grandiosa e torna a quem o é modelo, não modelo como verdade, mas um molde no qual, com as devidas adaptações, vou me formando.

De todos os professores que tive, os melhores foram aqueles que me corrigiram, não com o intuito de se mostrarem certos, mas com o objetivo de me fazer pensar. O que importa não é saber que dois mais dois são quatro, mas porque são quatro e como chegamos a essa resposta. O que vale a pena é a metodologia e não o resultado. Não é chegar ao final, e sim poder caminhar. Assim deve ser, ou pelo menos deveria ser. É como dizia Rubem Alves: “Educar não é ensinar respostas. Educar é ensinar a pensar”.

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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