Vamos brindar a tristeza?

O dia amanheceu nublado. Nem mesmo um único raio de sol entrou pela janela do seu quarto. O sono foi pouco e enquanto durou, coisas estranhas surgiram em sua mente. Teria sido um pesadelo? Ou estava acordada?

Nada importa, pois o seu mau humor mostra um certo mal estar. Você não quer ver ninguém. Vontade de desaparecer. Mas não sair pela porta da frente, porque vai ter que cumprimentar a todos. Simplesmente sumir!

O café parece mais amargo. O leite muito frio. O pão está duro, velho, nem a manteiga quer deitar sobre ele. As pessoas conversam ao seu redor. Você não presta atenção. Parece que todo mundo conversa ao mesmo tempo. Você sente náuseas. O que as pessoas falam parece não ter sentido. A vida tem sentido?

Volta para o quarto. Ele está escuro. Melhor assim, porque você quer a escuridão. Chega de luz! Você não quer aparecer. Apaga algumas fotos da sua rede social preferida. Aquelas fotos não têm a nada a ver contigo. Você não é assim; alegre, prestativa, boa gente, amável, que gosta de abraçar as pessoas. Mas quem é você afinal?

Levanta da cama, vai pra frente do espelho, não gosta do que vê. Volta a deitar. Pensa na vida. Que vida? O que você quer dela? As respostas não vêm. Você abraça o travesseiro, fica em posição fetal, como se quisesse voltar ao mundo. Mas não pode, pois está presa. A que? Você não tem as respostas.

Sua garganta está seca e parece que nela há um nó que te impede de respirar. Você sente seu rosto molhado. Descem as primeiras lágrimas. Mas por que você chora? Não há respostas. Nada aconteceu, tudo está normal. Você adormece. Sonha. A paisagem é muito bonita. Você se emociona. Não quer acordar, mas acorda. Levanta, olhas as horas no relógio, abre a cortina, o sol começa a querer sair. E você também…

O celular já está na sua mão, e as fotos de volta à rede social. Com os dois polegares você inicia uma conversa com alguém. Resolve tomar um banho e depois colocar a roupa que mais gosta. O sorriso está de volta ao seu rosto. Você conversa com as pessoas antes de sair de casa. Pergunta como estão. Agradece por tudo. Abre a geladeira, enche o copo com água e o levanta. Propõe um brinde a todos. Mas o que vamos brindar?

À tristeza! Porque sem ela não conheceríamos a felicidade…

Publicado por Ralph Neves

Não sei bem me definir...Gosto de escrever, talvez porque gosto muito de ler. Sou curioso e tenho muitas dúvidas, mas não sou cético, porque acredito em muitas coisas e ao mesmo tempo não creio em nada. Muitas vezes penso que sei, e descubro que não sei nada. A frase atribuída a Descartes ajuda a me definir: "Daria tudo que sei pela metade que ignoro". Estou sempre procurando e talvez não encontre, mas o que realmente importa? Certamente é o caminho da busca...

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